As novas (velhas) peças
no tabuleiro da Petrobras

Já dizia o escritor Tomazi di Lampeduza que às vezes é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique exatamente como está. Aliás, muito bem, diga-se de passagem. É o caso, por exemplo, da Petrobras. Mal anunciou um lucro recorde de R$ 5,4 bilhões no primeiro semestre, Henri Philippe Reichstul está prestes a mexer algumas peças no tabuleiro da gestão da empresa. A maioria dos movimentos envolverá soluções caseiras. O executivo Antônio Luiz de Menezes está cotado para trocar a diretoria de engenharia pela de energia e gás, no lugar de Delcídio do Amaral Gomez, que teria convites de empresas privadas. No lugar de Menezes, entraria Mauro Campos, atual presidente da Transpetro. A favor de Campos, pesa o fato de que ele já conhece toda a estrutura de logística no transporte de derivados de petróleo. A principal mudança, no entanto, está reservada para a área financeira: o diretor Ronnie Vaz Moreira deve ir para a Vale do Rio Doce – fala-se que sua saída ocorrerá até o fim do mês. Para o seu lugar, viria o único nome de fora. Se é que um histórico colaborador e amigo de Reichstul – além de seu ex-sócio – pode ser considerado um forasteiro. O banqueiro Francisco Luna já teria sido convidado para assumir a diretoria de finanças. Além da certeza de uma gestão inteiramente afinada com a presidência, Luna tem a seu favor uma extensa lista de serviços prestados na área pública. As alterações já teriam sido comunicadas aos ministros José Jorge e Pedro Parente, que não apresentaram qualquer objeção. O Planalto ficou satisfeito com o fato das mexidas, em sua maioria, serem feitas internamente, o que evita eventuais disputas político-partidárias pelas cadeiras vagas, todas de primeiríssimo escalão. Reichstul também tem suas razões para resolver a equação domesticamente. Intencionalmente, prefere ter no cargo executivos já inteiramente familiarizados com os acordos internacionais que estão sendo fechados pela Petrobras, como, no caso, da Repsol, Gas Natural e Iberdrola.


A Itambé praticamente definiu como será sua abertura de capital. Além da chegada de um sócio estratégico, que levaria 24% das ações, a companhia pretende fazer um IPO no Novo Mercado da Bovespa. Seria ofertado um lote de 25% das ações ordinárias. Os 51% restantes permanecerão com as cooperativas associadas à Itambé. Porém, será assinado um acordo de acionistas para que o sócio estratégico tenha poderes de veto nas decisões estratégicas.



Linha dupla

Principal executivo da AES no país, David Travesso vai acabar se tornando o big boss de boa parte da malha de transmissão instalada no Brasil. O grupo norte-americano, que já é controlador da Eletronet, vai se candidatar à compra dos 51% da empresa que está sendo criada pelo governo paulista para administrar as linhas no estado. Geneticamente, não há pretendente mais natural. A AES é dona da Eletropaulo, uma das quatro distribuidoras paulistas de energia que serão sócias desta nova empresa – as outras são Elektro, Bandeirante e CPFL.



Esfregão

A Unilever vai iniciar a operação-desmanche nos ativos da Arisco. A primeira negociação deverá envolver uma fábrica de produtos de limpeza instalada em Goiás. A Procter&Gamble é a mais forte candidata a ficar com a indústria. Fábricas de atomatados também serão colocadas à venda. Além da liquidação, a Unilever prepara um outro refogado, desta vez de amargo sabor para os antigos funcionários da Arisco. A multinacional estuda fazer cortes em algumas fábricas menos rentáveis que, por enquanto, não serão negociadas.



Voz da oposição

Não chega a ser um caso de persona non grata, mas Constantino de Oliveira, dono da Gol, está longe de contar com a unânime simpatia de seus congêneres. O empresário não tem se mostrado lá muito partidário do pleito das companhias aéreas para que ocorra novo aumento das tarifas em algumas rotas domésticas. Isso porque, em breve, a Gol deverá solicitar ao DAC autorização para novas linhas entre capitais brasileiras, projeto que será acompanhado de uma intensificação da política de descontos adotada pela companhia.

Relatório nº 1699
8/08/2001

Vira-casaca
A mexicana Televisa, que já teve um affair com Sílvio Santos, está entabulando conversas com a Rede Record. Na pauta: uma parceria operacional com o tradicional derivativo para venda de ações assim que liberado o capital estrangeiro no setor.


Bandeira branca
Sinal de trégua nas relações entre FHC e David Zylbersztajn. O presidente já trocou um dedinho de prosa com o ex-genro e disse que conta com a sua colaboração para escolher o futuro diretor geral da ANP.



Quem te viu, quem te vê... Até outro dia inveterado comprador, o Sonae estuda vender algumas lojas no Rio Grande do Sul, onde concentrou suas maiores aquisições.


Boi na linha
Um tradicional banco suíço amargou um prejuízo de respeito com a queda das ações da Embratel. Comprou o papel na casa dos R$ 20 e, na semana passada, foi obrigado a fazer uma queima de estoque ao preço de R$ 14.


Ultimato
O ministro Eliseu Padilha mudou o tom da prosa com o governador Olívio Dutra. Se o estado não assumir o controle da Trensurb, de trens urbanos, até o fim do ano, o governo federal vai paralisar os investimentos na companhia.


A Previ está procurando um comprador para as suas ações na Celesc.


Upgrade
Vice-presidente da ABB, Augusto Marques está cotado para assumir o comando dos novos investimentos do grupo na América do Sul.


Revista Brasil Sempre

Revista Case Studies

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