Atritos ganham um lugar
à mesa na ceia da Previ

A Previ não passou um Natal dos mais harmoniosos. Após a polêmica em torno do teto salarial de seus conselheiros, outra questão vem acirrando ainda mais as disputas internas. Mais uma vez, quem está na berlinda é o diretor de investimentos, Gilberto Audelino. Boa parte do Conselho Deliberativo da instituição tem questionado a estratégia de aplicação dos recursos da entidade. Por sinal, entre os insatisfeitos estaria o bloco petista, composto por Paulo Trapp, José Roberto e Arlindo Magno – que se levantou contra a fixação do limite para o pagamento aos conselheiros indicados pela Previ. Os integrantes do Conselho estão criticando o que consideram a discreta participação da Previ nas Bolsas. Apesar da rentabilidade na casa dos 11% – superior à de 2000 – o ganho em renda variável está abaixo do mínimo exigido para o cumprimento das obrigações atuariais – cerca de 16%. Os conselheiros também contestam o fato de que as últimas aquisições de títulos públicos têm sido feitas através da gerência financeira do Banco do Brasil e não pela própria Previ. Não há nada de ilegal no procedimento. O problema é que a fundação acaba pagando comissões ao BB por uma negociação que poderia ser feita domesticamente. Por enquanto, a situação de Gilberto Audelino no cargo só não é mais delicada devido às suas boas relações com a cúpula do Banco do Brasil. Mas os opositores prometem nova artilharia. Nos próximos capítulos, os conselheiros deverão exumar um velho cadáver: a venda das ações da Itaúsa, ocorrida há quase dois anos. Teria sido elaborado um documento que calcula em R$ 1,1 bilhão as perdas da fundação, quantia baseada na valorização das ações e nos dividendos distribuídos pela holding dos Setúbal. Este paper deverá ser entregue na próxima reunião do Conselho. Para complicar, a temperatura poderá subir ainda mais quando for anunciado o balanço da fundação em 2001. Pela primeira vez, em muitos anos, a Previ deverá amargar uma queda no total de ativos. Em outubro, a carteira da instituição caiu para R$ 36 bilhões, contra os quase R$ 38 bilhões registrados em 2000.


A ida de José Alexandre de Resende da direção financeira da Eletrobrás para o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres abriu, antes do tempo, a vaga que Cláudio Ávila, presidente da estatal, procurava para emplacar um nome da Eletrosul na direção da empresa. A indicação passa pelo senador Jorge Bornhausen, que indicou Ávila para a Eletrobrás.


Cedae ergue um dique contra os prejuízos

Guardadas as devidas proporções, é mais fácil o governo do Rio despoluir a Baía de Guanabara do que dragar os prejuízos da Cedae. Depois que teve seu processo de privatização suspenso, a empresa tornou-se um inesgotável manancial de perdas financeiras. Neste ano, o resultado negativo vai bater nos R$ 250 milhões, mais do que o dobro dos R$ 115 milhões de 2000. Para tentar estancar estes vazamentos, o estado está prestes a anunciar uma reestruturação no capital da Cedae. A companhia continuará a ter seu controle estatal, mas 49% das ações ordinárias serão negociadas. Todos os títulos preferenciais serão convertidos em ordinários, para assegurar que o governo permanecerá como majoritário. Em compensação, será feito um acordo de acionistas que permitirá ao novo sócio participar da gestão da empresa. Um primeiro lote de aproximadamente 20% deverá ser negociado com um sócio estratégico. O restante será pulverizado. Ato contínuo, o governo pretende fazer uma chamada de capital e, com os recursos, alongar boa parte das dívidas da Cedae. Há planos também de uma mudança na gestão, com a criação de um Conselho de Administração com representantes dos municípios atendidos pela Cedae. Além disso, a Cedae terá que resolver dois velhos problemas: os altos índices de inadimplência e a incapacidade de medir a distribuição de água em toda a área de concessão. Juntos, estes dois fatores chegam a subtrair mensalmente 40% do faturamento da empresa.







Relatório nº 1793
26/12/2001

Rei morto...
O executivo Ian Petersen assume, no próximo mês, a presidência da Bayer no Brasil, em substituição a Helge Karsten Reimelt, que está se aposentando.


Assim que empossado na presidência do BNDES, Eleazar de Carvalho vai fechar a venda das ações do banco na Villares.


Hertzwagen
Recém-saído da vice-presidência de vendas e marketing da Volkswagen, Miguel Carlos Barone já tem um novo destino. Será o presidente de uma empresa de aluguel de veículos que o grupo alemão criará no Brasil. A companhia concorrerá com empresas internacionais, como Hertz e Avis.


Tour de force
O presidente da Camargo Corrêa, Raphael Antônio de Freitas, e o empresário Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, estão fazendo um mutirão para que o governo retome a concessão dos antigos CCRs. As duas empresas estão com vários contratos de exportação de serviços à deriva por falta de crédito.


Tasso Jereissati vai empurrar para o seu sucessor a privatização da Metrofor. O máximo que conseguirá será a conclusão das obras no primeiro trecho.



Alta-voltagem

Aviso aos candidatos à compra da Copel: o alto custo da dívida vai reduzir drasticamente o resultado da empresa neste ano – as despesas financeiras devem chegar a R$ 400 milhões. Dificilmente, o lucro passará dos R$ 130 milhões. No ano passado, os ganhos ficaram em R$ 430 milhões.



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