Cargill liga o interruptor
da sua empresa de energia

A Cargill está cada vez mais disposta a manter uma policultura em solo brasileiro. Depois de trazer para o país seu braço financeiro e entrar no ramo da construção, agora chegou a vez do setor de energia. Justo no momento em que algumas das maiores multinacionais deste mercado estão deixando o Brasil, o gigante norte-americano da área agrícola prepara a vinda da Cargill Energy. Neste caso, quem deve desembarcar no Brasil, a reboque, é a Cargill-Alliant, uma joint venture com a também norte-americana Alliant – que, por estas bandas, já é sócia da Cataguazes-Leopoldina. A empresa, dona de um faturamento anual na casa dos US$ 6 bilhões – mais de 10% de toda a receita da Cargill – é uma verdadeira multiutility energética. Investe em projetos de geração, opera usinas, atua como trading de energia e também de matérias-primas – gás natural e carvão – e ainda presta consultoria técnica no setor. Ou seja: canta, dança, sapateia e ainda interpreta. É justamente este pacote de serviços atrelados que a Cargill-Alliant pretende oferecer no Brasil. Para se ter uma idéia do seu porte, hoje a companhia tem cerca de US$ 9 bilhões em contratos fechados apenas no que diz respeito à comercialização de energia. Inicialmente, a grande aposta da Cargill estaria concentrada na comercialização de energia, que será uma das mais rentáveis atividades do setor após a liberação das tarifas. O seu grande diferencial pode ser justamente o fato de negociar não apenas a energia, como os insumos para a sua produção. Existe ainda a possibilidade do grupo entrar também em projetos de geração, sobretudo na construção de termelétricas. Neste caso, um dos seus trunfos é o crédito caseiro. O próprio braço financeiro do grupo, o Cargill’s Financial Markets Group (FMG), poderia entrar com parte dos recursos.


Philip Morris passa o bisturi na Kraft Foods

A Kraft Foods, leia-se Philip Morris, vai passar por uma lipoaspiração no Brasil. A multinacional planeja criar uma única empresa, que absorverá os negócios da Nabisco e da Fleischmann & Royal, além, logicamente, da própria Kraft. Trata-se da solução encontrada para solucionar um antigo problema: o inchaço provocado pela compra de diversos ativos no Brasil nos últimos anos. O controle e até mesmo a gestão desta new company ficariam diretamente ligados à matriz. Ao mesmo tempo, alguns excessos operacionais serão cortados. A intenção é reduzir consideravelmente o portfólio de marcas. Devem ficar apenas as de maior rentabilidade em cada uma das linhas de produtos, que englobam fermentos, sucos, chocolates e outros. De antemão, já se sabe, por exemplo, que entre as marcas consideradas intocáveis pelos norte-americanos está o fermento Royal. Em contrapartida, há também os ativos que a Philip Morris quer se desfazer o quanto antes. Entre eles, os sucos Maguary, que o grupo só não negociou ainda por falta de candidatos.


Hilton ergue um
hotel-fantasma em São Paulo

Imaginem a Vale do Rio Doce construir um smelter e deixá-lo fechado ou a Petrobras erguer uma refinaria, mas não colocá-la em funcionamento. Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos o que o Hilton, um dos maiores grupos hoteleiros do mundo, fará. Os norte-americanos decidiram que vão manter fechado o seu maior investimento no Brasil nos últimos anos: o hotel cinco estrelas, com cerca de 450 quartos, que está sendo construído em São Paulo. À primeira vista, a medida causa, obviamente, certa perplexidade. Afinal, o Hilton já desembolsou mais de US$ 50 milhões no projeto. Ocorre que o grupo fez as contas e chegou à conclusão de que terá sérios prejuízos se inaugurar o empreendimento. Sairá mais barato terminar as obras e deixar o edifício fechado, à espera de uma melhora no mercado. Em tempo: o momento do Hilton em São Paulo não é dos melhores. O grupo está cancelando novos investimentos no estado e concentrando as futuras empreitadas no Nordeste.







Relatório nº 1792
21/12/2001

Sonho de verão
A Gaspetro sonhou com dias melhores após a saída de David Zylbersztajn da ANP. Doce ilusão. A agência voltou a solicitar à sua congênere boliviana que a British Gas utilize o Gasoduto Bolívia-Brasil, medida contra a qual a estatal luta há meses.


O ABN Amro levou ao BC seu interesse no Besc.


Fiel da balança
A Bunge foi buscar o apoio da BNDESPar e da Previ à incorporação da Bunge Fertilizantes e da Bunge Alimentos pela Serrana. Se Previ e BNDESPar, acionistas de peso da Bunge, aceitarem, a fatura estará quase liquidada. Por isso, a Abamec e os minoritários da Bunge também tentam alistar as duas entidades nas fileiras contrárias à operação.


Hora marcada
O Planalto só vai esperar até janeiro pelo nome do PMDB para o Ministério dos Transportes. Senão, ratificará o convite ao presidente da Infraero, Fernando Perrone.


A Unilever teria interesse na Forno de Minas, pertencente à General Mills.



Metamorfose
A Pem Setal está prestes a anunciar uma grande reestruturação. Entre as medidas, vai abrir o capital de algumas das suas sete subsidiárias.



Alto-calado
A belga Katoen Natie é nome certo no leilão do terminal de contêineres de Pecém, no Ceará.



Em razão dos festejos de Natal, o RR voltará a circular apenas na quarta-feira, dia 26 de dezembro. A todos, Boas Festas!



Revista Brasil Sempre
Revista Case Studies
Revista Insight Inteligência

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