| | Global
Crossing corta seus cabos para desatar um nó financeiro
A história tem sido quase a
mesma. Só muda a personagem: uma multinacional enfrenta uma grave crise financeira
e a filial brasileira paga parte da conta. Desta vez, a protagonista é a Global
Crossing, empresa do ramo de telecomunicações. Às voltas com uma dívida que já
supera os US$ 9 bilhões, o grupo norte-americano prepara uma redução da sua atuação
no país. Os cortes de investimento mais drásticos ocorrerão na transmissão de
dados via fibra óptica, sua principal e mais dispendiosa atividade por estas bandas.
Aliás, o enxugamento não deverá ser “privilégio” exclusivo do mercado brasileiro.
A Global Crossing pretende fechar seus escritórios em Lima, Caracas, Buenos Aires,
Bogotá, Santiago e Rio de Janeiro, concentrando todo o comando operacional e comercial
da América do Sul em São Paulo. Outra medida em estudo é a fusão das operações
das redes que integram a América Latina. O Mid Atlantic Crossing, a Pan American
Crossing, a South American Crossing e Mexican Crossing seriam aglutinados, no
máximo, em duas empresas. Deste redesenho, surgiria uma controlada que faria a
operação de uma rede envolvendo os países da América do Sul e Central. Há ainda
a possibilidade de que parte do capital da companhia no continente seja negociada
com um outro grupo do setor, ou, então, pulverizada entre investidores de private
equity. Já haveria até candidatos de plantão, como a Telecom Italia. Ficaria tudo
em família. O grupo europeu já é parceiro da Global Crossing na telefonia fixa
– os italianos usam a rede de cabos ópticos da empresa que liga a Europa às Américas.
Se o acerto com a Telecom Italia não vingar, a companhia tem uma carta na manga:
negociar uma outra fusão, desta vez da South American Crossing com a Asia Global
Crossing. Seria uma bela tacada. Afinal, a Microsoft e o Softbank, acionistas
da subsidiária asiática, se tornariam sócios também da operação na América do
Sul e no Brasil. A entrada de um novo parceiro possibilitaria um aporte para liquidação
de algumas dívidas e ampliação física da rede, além do acerto de parcerias para
conexão com redes locais.
Fora
do ar O Ministério
das Comunicações adiou, mais uma vez, o anúncio do modelo da TV digital no país.
A decisão deverá sair apenas em fevereiro. A postergação possivelmente deflagrará
uma irada reação dos fabricantes de eletroeletrônicos. Empresas como Philips,
Philco e LG estão de braços cruzados, sem poder investir um centavo sequer na
produção dos equipamentos enquanto não houver uma definição. Estão na disputa
os sistemas japonês – que conta com a simpatia das emissoras de televisão – europeu
e norte-americano.
Rumo
ao nada A pendência
tributária entre o governo do Paraná e a Renault é uma estrada sem fim. O estado
acreditava ter resolvido o problema ao estender até 2009 a isenção de ICMS. Só
que, agora, por um pedido do senador Osmar Dias, o Tribunal de Contas do estado
vai analisar – e poderá cancelar – o benefício. O presidente da empresa na América
do Sul, Luc-Alexandre Ménard, quer do governador Jaime Lerner garantias financeiras
de que o estado cumprirá sua parte. É bom esperar sentado. O governo não tem recursos
para bancar a contrapartida.
Makroeconomia
Que te viu e
quem te vê... Em 2000, não fossem os ganhos financeiros, o Makro teria apresentado
um resultado bem modesto. Neste ano, entretanto, os ganhos operacionais deverão
passar dos R$ 100 milhões, um dos melhores desempenhos no Brasil nos últimos anos.
Por conta disso, a multinacional pretende ressuscitar alguns projetos que estavam
arquivados. Entre eles, destacam-se a compra de terrenos para a construção de
mais lojas e a criação de pelo menos mais um grande centro de distribuição na
Região Sudeste.
Agora que o TCU arquivou o processo que apurava supostas irregularidades na produção
de “Chatô: o rei do Brasil”, o cineasta Guilherme Fontes vai retomar as negociações
com os antigos patrocinadores do filme. Fontes tentará obter junto a empresas
como Citibank, Volkswagen e Credicard – entre outros – os quase R$ 4 milhões que
faltam para a conclusão do projeto.



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Relatório
nº 1791 20/12/2001 Bilhete
azul Antônio
Luiz de Menezes, diretor de gás e energia da Petrobras, encomendou à área financeira
da empresa um estudo sobre as distribuidoras de gás das quais a estatal é acionista.
A companhia quer evaporar suas participações nas empresas menos rentáveis.
A Petros é forte candidata a assumir o fundo de previdência privada que está
sendo criado pelo grupo Votorantim.
Tristes
versos A operação
da CAF no Brasil rima mesmo com problemas. Como se não bastassem as dificuldades
da Supervia, o grupo está agora enfrentando dificuldades para conseguir o financiamento
necessário à construção do metrô de Salvador. Tanto que já pediu ao governo baiano
um novo prazo para o início da operação.
Visto
negado O presidente
da RepsolYPF no Brasil, João Carlos de Luca, pode ir desarrumando as malas. De
Luca estava cotado para assumir o comando de todos os negócios do grupo na América
do Sul. Porém, o board da RepsolYPf decidiu designar outro executivo para a função.
A alemã
Heinz quer temperar sua operação no Brasil com as fábricas de atomatados da Parmalat.
Se chegar com uma boa proposta, os italianos vendem na hora. Gelo
seco Além do
corte de pessoal, a Electrolux estuda também reduzir sua produção no país, para
ceifar as altas despesas operacionais.
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