Saída da El Paso deixa
térmica catarinense nas trevas

No momento em que o governo, tal qual Diógenes, vaga com uma lanterna na mão – em busca de investidores em geração de energia, sejam eles cínicos ou não – mais um projeto no setor está perto de se tornar um fracasso: a termelétrica Termocatarinense Norte (TCN), com capacidade para 400 MW. A desistência da El Paso deflagrou uma sucessão de contratempos legais e operacionais, que dificilmente permitirá a construção da usina. Por força de contrato, mesmo que o governo consiga um novo investidor, a substituição só poderá ser feita com autorização dos outros sócios – Celesc, SCGás e Petrobras. Aí é que começa o curto-circuito. Substituto até existe: a Tractebel já demonstrou interesse em entrar na operação. Só que os belgas estão fazendo mil e uma exigências. Querem desconto no gás fornecido pela SCGás e garantias de que a Celesc comprará toda a energia produzida pela térmica a preços de mercado. A Câmara de Gestão está tentando costurar um acordo entre as partes, mas a possibilidade de sucesso é quase nenhuma. SCGás e Celesc não aceitam nem sentar para negociar as imposições da Tractebel. Se isso ocorrer, é mais um projeto incluído no programa prioritário de geração que o governo não conseguirá executar. A El Paso pulou fora do projeto justamente por não ter sido atendida nas mesmas exigências que, agora, são feitas pela Tractebel. Este fato só torna ainda mais improvável um acordo com os belgas. Afinal, se não atenderam a El Paso, por que motivo SCGás e Celesc mudariam de opinião e fariam concessões ao grupo europeu? Até porque poderão se envolver em um grande problema jurídico. Fatalmente, a El Paso contestaria a operação. Resumo desta ópera energética: a Câmara de Gestão já dá como praticamente irreversível o insucesso na tentativa de construir a Termocatarinense. Sobretudo porque existem outros entraves. Como foi incluída no programa prioritário, a usina recebeu várias facilidades burocráticas com a condição de que entrasse em operação até o início de 2003. Diante de todos os atrasos, mesmo na pouco provável hipótese de um acordo e da entrada da Tractebel, não haveria mais tempo hábil para que o prazo fosse cumprido.


A GP deixou o Wal-Mart falando sozinho. O grupo norte-americano havia iniciado negociações para comprar a parte das Lojas Americanas na sua operação brasileira. Só que, diante do recente anúncio da Wal-Mart de que pretende adquirir uma empresa no país, a GP decidiu deixar o negócio para depois. A expectativa é de que as ações da filial da Wal-Mart estejam valendo bem mais.


Bombril e minoritários iniciam mais um round

O conflito entre os minoritários da Bombril e o empresário Sergio Cragnotti parece não ter fim. O novo foco de atritos é a distribuição de dividendos da empresa. Cragnotti estaria disposto a adotar uma política pouco generosa na partilha dos lucros da companhia neste ano – boa parte seria remetida ao Grupo Círio, na Itália. Previ e BNDESPar já estariam se mobilizando para evitar o procedimento. Só para variar, estudam acionar a CVM mais uma vez. A elagação da dupla seria a de que, enquanto houver a pendência sobre a recompra de ações da Bombril – que se arrasta há meses – qualquer decisão sobre a distribuição de dividendos pode ser prejudicial aos acionistas. A preocupação de Previ e BNDESPar ganha ainda mais corpo em razão dos resultados que a companhia promete para este ano. O lucro da Bombril deve ficar na casa dos R$ 200 milhões, bem acima dos pouco mais de R$ 80 milhões em 2000. É um dos melhores desempenhos da empresa nos últimos anos. Na verdade, mais do que brigar por um farto derramamento de dividendos – afinal, Cragnotti tem poder para decidir sobre isso – o que Previ e BNDESPar querem mesmo é fazer pressão para que o empresário italiano apresente, de uma vez por todas, a tão prometida proposta para recompra de ações dos minoritários. De certa forma, existe a expectativa de que a abertura de mais um flanco de batalha possa levar Cragnotti a acelerar a operação.


Revista Brasil Sempre

Revista Case Studies

Revista Insight Inteligência

Relatório nº 1790
19/12/2001

Lados opostos
O casal 20 das telecomunicações está passando por uma crise. A Telefónica quer entrar na privatização das linhas de transmissão em São Paulo. Já a Portugal Telecom prefere ficar longe do negócio.


O acordo operacional entre Philco e RCA seria apenas o começo. Já há conversações para a entrada dos norte-americanos na empresa dos Setúbal.


Mina de ouro
Nada de renda fixa; nem renda variável. O empresário João Alves de Queiroz Filho descobriu um negócio da China: recomprar, por valores mais baixos, as fábricas da Arisco, vendida para a Unilever. Agora, ele está negociando a aquisição de mais uma indústria de materiais de limpeza da multinacional.


Sorte grande
Pode até não ter sido essa a intenção, mas a Siemens acabou se beneficiando ao cancelar a construção de uma fábrica no Paraná. O governo paranaense está paparicando a empresa com mil e um incentivos fiscais para tentar ressuscitar o projeto.


Usiminas e Cosipa estudam reduzir sua participação na MRS.


Terra da garoa
A NKKTubes está ultimando os preparativos para construir uma fábrica em São Paulo.


Troca da guarda
O Dresdner vai fazer um troca-troca no comando dos seus negócios em energia no Brasil. Sai Vittorio Perona, que segue para Londres, e entra Marcelo Torres.

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