Prejuízos ganham assento
cativo nos vagões da Alstom

Para onde quer que olhe, o presidente da Alstom no Brasil, José Luiz Alqueres – ex-diretor da Eletrobrás e do Bozano, Simonsen – só vê problemas. Hoje, a fabricante de equipamentos ferroviários é um comboio de prejuízos e contratempos operacionais. O mais grave deles: a companhia estaria atrasando a entrega de alguns pedidos. É o caso do contrato com a Flumitrens. Em vez dos 16 carros previstos no acordo, a Alstom só repassou quatro. A situação é ainda mais delicada porque caminha para um contencioso. Por conta desta pendência, a Supervia – que receberia os equipamentos da Flumitrens – se prepara para acionar o governo do Rio na Justiça, cobrando a entrega. Resultado: a Alstom corre sério risco de perder o cliente, caso não apresente um novo cronograma para o contrato, o que, ressalte-se, não a livrará de uma possível sanção: ser excluída das próximas licitações de um dos maiores compradores do país. Para tentar minimizar as dificuldades, a companhia está passando por uma reestruturação. A fábrica da CMW, em São Paulo, deverá ser fechada. Além disso, o grupo está revendo a decisão de assumir a planta da Santa Matilde, em Três Rios, no Rio de Janeiro. Para isto, teria que rasgar um protocolo assinado com o empresário Humberto José Pimentel, antigo proprietário da Santa Matilde, que está disputando na Justiça o espólio da companhia. As mudanças poderão chegar também à gestão da Alstom. O diretor da divisão ferroviária, Carlos Alberto Cardoso de Almeida, estaria na corda bamba devido não só aos prejuízos, mas sobretudo às pendências operacionais. Outra tentativa de saneamento das finanças será concentrar as operações nas instalações da antiga Mafersa. Com isso, a Alstom deve deixar de lado os planos de expansão no país, pelo menos até que sejam reativadas as privatizações de linhas de metrô e retomados os investimentos na área de trens urbanos. Outra medida em estudo é uma redução no quadro de funcionários. Desta forma, a Alstom vai tentar reencontrar o caminho dos lucros e ter uma melhor sorte no país. Menos mal que, no caso do mercado brasileiro, seus negócios em energia – fabricação de equipamentos e operação de pequenas geradoras – vão de vento em popa. Já é um alento.


Varig e TAM querem
viajar juntas ao exterior

O enlace operacional entre a Varig e TAM, rompido no ano passado, está próximo de ser reatado. E sob a forma de um compromisso muito mais sério. As duas companhias estão se articulando para a criação de uma joint venture para vôos internacionais. No passado, este acordo já havia sido alvo de conversas entre Ozires Silva e o comandante Rolim Amaro, mas desde o falecimento do dono da TAM os entendimentos estavam suspensos. Inicialmente, a nova companhia receberia apenas uma parte das rotas internacionais hoje pertencentes à TAM e à Varig – as maiores chances recaem sobre as linhas para o Mercosul. Este passo inicial serviria como ensaio. Posteriormente, e de maneira homeopática, as conexões para a Europa e os Estados Unidos também seriam transferidas para esta companhia. Mais à frente, as novas concessões eventualmente recebi- das por TAM e Varig já iriam diretamente para a joint venture. É importante ressaltar que os entendimentos ainda encontram-se em fase inicial, sobretudo porque a associação ainda estaria encontrando algumas resistências entre os integrantes do Conselho da TAM. Só que, neste momento, ao menos na teoria, esta parece ser a solução mais à mão para as duas empresas reduzirem seus prejuízos nas linhas internacionais. Para se ter uma idéia, desde os atentados terroristas de 11 de setembro, alguns vôos para os Estados Unidos passaram a ter, em média, uma freqüência na casa dos 50%.



A Funcef pretende aproveitar as mudanças no capital da Ferronorte para vender a sua participação ou, no mínimo, reduzi-la dos atuais 20% para 10%. Seria apenas o primeiro passo para a saída definitiva do negócio.



Revista Insight InteligênciaRevista Case Studies

Relatório nº 1784
11/12/2001

Trem-de-pouso
A Dassault está preparando uma oferta que será entregue ao presidente da Previ, Luiz Tarquínio Ferro, e ao ex-banqueiro Júlio Bozano. Os franceses liderariam um aumento de capital na Embraer e ficariam com um pedaço da participação hoje pertencente às fundações e à Cia. Bozano, Simonsen.


Se a Enron reduzir pela metade sua pedida – hoje na casa dos R$ 2 bilhões – a Duke Energy faz uma proposta pela Elektro.



El Niño
Vento que sopra na Embratel, também bate na Intelig. A empresa vai ter que caprichar na provisão para cobrir as perdas com a inadimplência, que, nos últimos meses, teria subido mais de 30%.


Portas abertas
Se depender da vontade do governador baiano, César Borges, Giovanni Toniatti assumirá uma secretaria estadual no próximo ano, quando vai deixar a diretoria da ANP. A sondagem já teria sido feita.


A menos de duas semanas para o fim do acesso ao data room, o ABN começou a olhar os números do Banco do Amazonas.


Cheeseburger
A Avipal está desistindo de comprar os frigoríficos Minuano. Não gostou do que viu nos números da empresa.

E já que o assunto é Avipal, a empresa gaúcha aceita propostas pela sua subsidiária argentina, a El Vaquero, que exporta para o Brasil toda a sua produção de queijo parmesão.



Faixa seletiva
A DaimlerChrysler planeja ampliar suas fábricas de caminhões no país. Muito natural. Se não fossem as vendas de veículos pesados, a empresa fecharia o ano no vermelho.



Revista Brasil Sempre



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