AT&T dá a largada para
chegar à última milha

A já decantada entrada na longa distância é apenas o marco zero. A AT&T quer mesmo é chegar à chamada última milha. Após um longo período de exagerada discrição em terras brasileiras, o grupo norte-americano vai finalmente ingressar na telefonia fixa, conhecida nos Estados Unidos como last mile. A decisão foi ratificada pelo board da companhia depois que a Anatel resolveu flexibilizar as regras para as novas operadoras. A ampliação do prazo para o cumprimento das metas e, sobretudo, a obrigatoriedade de atendimento a cidades de 500 mil habitantes – em vez de 200 mil – eram duas, digamos assim, antigas solicitações da AT&T. Porém, apesar da telefonia fixa, que ninguém pense que os norte-americanos vão “varejar”. A operação está muito mais para um BankBoston do que para um Bradesco. A empresa pretende oferecer os serviços de telefonia fixa apenas a grandes clientes corporativos, dentro de um pacote que incluiria, por exemplo, transmissão de dados e voz e acesso à internet. Cautela, caldo de galinha e contenção no volume de investimentos nunca fizeram mal a ninguém. A AT&T não quer repetir os cases Vésper e Intelig, que começaram do zero, investiram altas somas e até agora procuram lucro como água no deserto. Se for mesmo com muita sede ao pote, o grupo corre mesmo sério risco. Primeiro, porque empresas como Telemar, Telefónica e Brasil Telecom já estão amplamente estabelecidas e conhecem cada pulso deste mercado. Por isso, a decisão de oferecer telefonia fixa "no atacado". Pelo menos no início, a companhia não vai apostar suas fichas mais altas na construção de uma grande rede própria. A estratégia de parcerias operacionais vai continuar. Já há conversas com operadoras de canais por assinatura, sobretudo do interior, para a utilização de seus cabos. Uma outra boa possibilidade é um acordo com a empresa privada de transmissão que vai surgir, em São Paulo, da fusão da CTEEP e da EPTE.


ADTranz perto da estação terminal

A Bombardier chegou ao Brasil com uma locomotiva de planos para o mercado ferroviário. Porém, a cada dia que passa, está mais difícil para a multinacional colocar o seu principal negócio no país, a ADTranz, nos trilhos. Em mais uma tentativa de reduzir os prejuízos, a Bombardier prepara um novo corte na empresa – na primeira guilhotinada foram demitidos cerca de 50% dos funcionários. Além disso, acertou a prorrogação até junho de 2002 do contrato de arrendamento da fábrica da Cobrasma, em Hortolândia, São Paulo. Isso significa que o projeto de construir uma fábrica de carros de trens e de metrô no estado está cancelado. Outra medida da Bombardier foi trocar o comando da subsidiária. O executivo suíço Albert Fernandes Blum recebeu uma passagem só de ida. Em seu lugar, entrou o canadense Serge Van Themsche – diga-se de passagem, com poderes limitados. Se mesmo com todas estas mudanças, os canadenses continuarem acumulando prejuízos no Brasil, a próxima medida deve ser ainda mais drástica. A Bombardier estuda fechar a ADTranz. Não seria a primeira vez. O grupo já adotou a mesma medida em outros países. Por enquanto, os contratos com os governos do Rio de Janeiro e São Paulo para o fornecimento de carros de trem para a Flumitrens e CPTM serão cumpridos com equipamentos da própria ADTranz. Caso seja necessário um reforço na produção, deverão ser fechadas parcerias com fabricantes dos dois estados. Possivelmente, no caso extremo de fechar a AdTranz, isso só ocorrerá após o cumprimento dos contratos. Somente quando houver demanda suficiente, a Bombardier vai retomar o projeto de construir uma fábrica própria, que atenderia a toda a América do Sul.



Bateu a saudade na norueguesa Statoil. Depois de fechar sua representação no Brasil, o grupo está de volta. A administração dos dois blocos que arrematou na Bacia de Santos passará a ser feita no país e não pela matriz, como ocorre atualmente. Além disso, a Statoil decidiu disputar novas licitações em 2002.



Relatório nº 1781
6/12/2001

Nada-consta
Ângelo Calmon de Sá está perto de reaver seus bens antes do que esperava. O BC trabalha com a possibilidade de converter a liquidação do Econômico de extrajudicial em ordinária ainda em fevereiro. O prazo anterior apontava para abril.


Água mole...
Vai ser insistente assim lá em Mont Martré. Não conformada com a recusa da Seara à sua oferta de compra, a francesa Doux está agora tentando uma joint venture com a empresa.



A gaúcha Colombo, uma das maiores lojas de departamento do Sul do país, está de olho na Insinuante, rede com forte presença na Região Nordeste.


De passagem
Os recursos arrecadados com a emissão de debêntures da Klabin nem esquentarão nos cofres da empresa. Vão direto cobrir uma boa parcela das suas dívidas.


Matriz do B
A subsidiária brasileira da RepsolYPF vai subir mais um degrau na operação do grupo. Será através dela que os espanhóis vão tentar comprar a uruguaia Ancap.


A Fras-le está cotadíssima para entrar na lista das participações que a Previ vai negociar.



Oásis
Se fechar a compra da inglesa Wessex Water, o banco japonês Namura já decidiu abrir um escritório da empresa no Brasil e disputar os leilões das companhias de saneamento. Só não se sabe de quem. Afinal, a privatização no setor está numa seca de dar dó.



Revista Insight Inteligência
Revista Case Studies
Revista Brasil Sempre

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