Liberação das tarifas de
energia corre risco de apagão

Vai sair faísca para tudo que é lado. A Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica quer mudar a regra do jogo e adiar a liberação das tarifas de energia, inicialmente prevista para 2003. Pelo cronograma atual, 25% da energia contratada antes da criação do Mercado Atacadista de Energia serão liberados em 2003; outros 25% no ano seguinte e, por fim, os 50% restantes em 2005. Apesar deste modelo de escalonamento, há o temor de que o fim das amarras nos preços do mercado energético tenha um forte impacto inflacionário já em 2003. Faz todo o sentido do mundo. Hoje, existe um expressivo desequilíbrio entre a demanda e a oferta de energia, resultado do lento crescimento da área de geração. A postergação das novas regras daria um tempo maior para que novas usinas entrassem em operação, aumentando a oferta de energia e, conseqüentemente, reduzindo os preços. Tudo muito bom, tudo muito bem, toda a história se encaixaria perfeitamente, se não fosse por um detalhe: adiar a liberação das tarifas significa praticamente dar adeus às chances de privatização da Cesp Paraná, da geradora da Copel e das empresas do Sistema Eletrobrás no próximo ano, como planeja o governo. Diversos investidores internacionais avisaram ao governo que não entrarão na disputa pelas geradoras caso a nova política tarifária seja adiada. Entre os grupos que já teriam comunicado a decisão estão Duke Energy, Endesa, RWE e Tractebel. Estas empresas alegam que não vão se arriscar a desembarcar em geradoras repletas de contratos assinados antes dos leilões sem a possibilidade de majorar as tarifas posteriormente. Sabe-se que algumas companhias têm acordo de venda de energia relativamente defasados e os novos controladores realmente ficariam amarrados a estes preços, o que reduziria consideravelmente a possibilidade de retorno do negócio. Ciente de que será muito difícil leiloar as geradoras se mantiver as tarifas fixas em 2003, a Câmara de Gestão já avalia a possibilidade de uma terceira via. Os preços não seriam totalmente liberados, mas sim flexibilizados. Os novos controladores das geradoras poderiam até aumentar as tarifas, mas até um teto estabelecido pelo governo. Este limite duraria apenas o tempo necessário para que a oferta de energia no país aumentasse e os preços entrassem em equilíbrio, quando, enfim, as tarifas seriam liberadas para valer. Não é a medida que mais enche os olhos do governo, do ponto de vista inflacionário. Se vai agradar os investidores internacionais, já são outros quinhentos.


Trem-pagador do BID
engata no metrô paulista

Os investidores internacionais da área de trens já podem ir esfregando as mãos: a construção e a operação das linhas 4 e 5 do metrô de São Paulo, dois dos negócios mais aguardados do setor, vão finalmente sair do papel. O BID decidiu aumentar para US$ 340 milhões o financiamento destinado à implantação da linha 5. O sistema 4 começará a ser construído já em dezembro. Ainda assim, não será desta vez que a privatização vai deslanchar. O governo paulista decidiu empurrar para o próximo ocupante do Palácio Bandeirantes a missão de vender a concessão do metrô na capital. A transferência da operação para o setor privado ainda esbarra em uma série de obstáculos jurídicos que poderiam atrapalhar o início e a continuidade das obras. O máximo que o governo de Geraldo Alckmin fará é apresentar uma proposta de modelo para a privatização. A empresa deverá ser cindida operacionalmente em duas. O leilão de ambas as linhas seria feito na mesma época para evitar um descompasso de investimentos entre a banda privada e a banda estatal. A venda simultânea facilitaria ainda a negociação conjunta de financiamentos com o BNDES e bancos internacionais sem qualquer restrição de valor.



Diante da possibilidade de ingressar em mais refinarias da Petrobras, a RepsolYPF está colocando o pé no freio nas negociações com a família Peixoto de Castro para aumentar sua participação em Manguinhos.


Relatório nº 1780
5/12/2001

Ombro a ombro
O presidente da BB DTVM, Eduardo Nakao, e o superintendente da instituição, Nemésio Altoé, estão batendo de frente. Os motivos vão desde o poder de indicar nomes para alguns cargos até a estratégia de investimentos da distribuidora.


Diante da concorrência com a Philip Morris, a Hershey aumentou sua oferta pela Chocolates Garoto.



Cirurgia plástica
Caberá ao novo presidente da GE em toda a América Latina, o brasileiro Alexandre Silva, a reestruturação das fábricas do grupo no país. Na pauta, a expansão de algumas unidades e o fechamento de outras pouco rentáveis.


Freio de mão
O ministro dos Transportes, Alderico Lima, se livrou de uma bomba: suspendeu as negociações para revisão dos valores pagos pelas concessionárias de ferrovias. Empurrou a decisão para a recém-criada Agência Nacional de Transportes Terrestres.


A trading Mitsui é candidata a comprar um naco da Sabesp.


Decantação
Caso não consiga vender os hotéis que controla, a Funcef vai criar um fundo imobiliário que absorverá as participações. Será uma forma da fundação evitar que os prejuízos no setor hoteleiro contaminem diretamente seus resultados.



Air Force One
A TAM ganhou a licitação para transportar o presidente Fernando Henrique e sua comitiva na viagem à Rússia, confirmada para meados de janeiro.



Revista Insight Inteligência
Revista Case Studies
Revista Brasil Sempre

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