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Blecaute
financeiro da Enron chega à térmica de Cuiabá
O calvário da Enron parece
não ter fim. Como se não bastasse a grave crise nos Estados Unidos – que só aumentou
depois que a sua venda para Dynegy foi cancelada – o grupo norte americano está
enfrentando um grave problema no Brasil. E justamente em um dos seus poucos negócios
que estavam dando certo: a térmica de Cuiabá. A Overseas Private Investment Corporation,
agência de fomento do governo americano, está ameaçando cancelar o financiamento
para a geradora. A instituição ainda não recebeu a contrapartida da Eletrobrás
– uma garantia de pagamento da energia elétrica caso haja inadimplência no contrato
assinado com geradoras da estatal. Sem os recursos da Overseas, a Enron e seus
sócios na geradora, Shell e LJM, serão obrigados a fazer um aumento de capital.
Tudo bem que esta questão é apenas uma gotícula no dilúvio de problemas da Enron
em todo o mundo. Porém, no caso do Brasil, a dimensão é das maiores. A térmica
de Cuiabá era a única do grupo no país já em operação comercial. Abarrotada de
dívidas e com o futuro indefinido, a Enron não deverá investir nem mais um centavo
no projeto. São grandes as chances de que tente jogar a questão para seus sócios
na geradora. Ocorre que a Shell deu sinais de que não aceitará colocar dinheiro
no negócio se a Enron não acompanhá-la. Além disso, está cobrando do grupo uma
posição com relação à sua decisão de ficar ou não na geradora e no gasoduto que
a abastece. No máximo, o conglomerado anglo-holandês aceita fazer um empréstimo
para capitalizar a térmica de Cuiabá e facilitar renegociações com credores, mas
a operação está vinculada à entrada de um novo sócio e à saída da Enron. Se não
falam a mesma língua internamente, pelo menos da casa para fora Shell e Enron
– além da LJM – se uniram para apertar o cerco à Eletrobrás. A estatal, no entanto,
está empurrando a pendência com a barriga. A empresa estaria com receio de assumir
garantias antes do pleno funcionamento do Mercado Atacadista de Energia Elétrica.
Enquanto isto não ocorre, a Eletrobrás prefere deixar o risco nas mãos dos compradores,
que seriam obrigados a fazer operações de hedge para garantir o pagamento da energia
adquirida na térmica de Cuiabá.
NTT
quer evitar um arakiri na Tele SudesteO
samurai da telefonia não é mais o mesmo. Ao contrário da postura adotada nos últimos
meses, em que sempre garantiu seu interesse em permanecer na Tele Sudeste Celular,
a NTT está conversando com a Telefónica, controladora da empresa, sobre a venda
de sua participação de pouco mais de 3,2%. A companhia não resistiu ao seu conturbado
momento financeiro no Japão. Há cerca de duas semanas, a NTT anunciou que vai
fechar o ano com elevado prejuízo – as perdas acumuladas já passam dos US$ 2 bilhões.
Resultado: está cortando investimentos em todo o mundo. No Brasil, esta resolução
tem conseqüências bem maiores. Os japoneses já decidiram, por exemplo, que não
vão disputar as concessões das bandas de telefonia celular, como estava inicialmente
previsto. No caso específico da Tele Sudeste, não há mesmo muito o que os japoneses
possam fazer na empresa. Faltam recursos não apenas para investir na empresa como,
sobretudo, acompanhar os futuros passos da Telefónica na joint venture com a Portugal
Telecom. Qualquer novo aumento de capital na Tele Sudeste e a NTT é séria candidata
a ter sua participação diluída. Nesse ritmo é melhor sair antes e, ainda por cima,
com algum no bolso. A única razão que ainda prende o grupo nipônico à empresa
é a possibilidade de vender equipamentos e tecnologia. Nada que não possa ser
garantido em um acordo com a Telefónica.
Os advogados do governo paulista estão se armando de todas
as formas para evitar contestações à fusão das empresas de transmissão do estado.
O maior temor é de que os minoritários da EPTE e da CTEEP acionem o governo após
a entrada de um sócio privado no capital da nova empresa.
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Relatório
nº 1778 3/12/2001 Carta
fora A Telecom
Americas pode procurar um sócio para a Tess. A Bell South não pretende entrar
na empresa. O grupo está mais preocupado em liderar um aporte de capital de mais
de US$ 250 milhões na BCP para cobrir as dívidas da operadora.
Saideira
Mais problemas jurídicos
à vista para a AmBev. A empresa estaria preparando um novo corte no número de
distribuidoras da Brahma e da Antarctica.
A EDP e a GTD adiaram para a próxima semana a escolha do substituto de Francisco
Gomide na presidência da Escelsa.
Boca
do caixa A Siemens
está negociando com a ABB e a Schlumberger a sua unidade de medição de energia,
a Siemens Metering. No pacote, vai junto a joint venture da companhia com
a Inepar.
Acostamento
Um entrave jurídico está atrapalhando
a transferência da fábrica da DaimlerChrysler em Juiz de Fora para a Hyundai.
Pelo contrato com o governo mineiro, os benefícios fiscais só valem para a montadora
alemã. A saída deve ser a Daimler permanecer oficialmente como dona da unidade.
A Hyundai apenas a arrendaria.
A Fonterra voltou a rastrear indústrias lácteas em São Paulo.
Plaza
de toros
Os controladores da Supervia entraram com uma ação na Justiça espanhola contra
a ex-operadora da empresa, a CAF. Motivo: não-cumprimento de cláusulas contratuais.
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