Volkswagen pisa fundo
na troca de comando no Brasil

Rei (quase) morto; rei (quase) posto. O presidente da Volkswagen no Brasil, Herbert Demel, está exercendo a sua sobrevida no cargo. Uma reunião do board, na Alemanha, marcada para o próximo dia 23, poderá decretar a sua saída. Um nome bastante cotado para substituí-lo é o de Martin Winterkom, integrante do primeiríssimo escalão do grupo. As mudanças na filial também devem resultar na substituição de Miguel Carlos Barone, vice-presidente de vendas e marketing. Em seu lugar, virá um executivo alemão ainda não escolhido pela matriz. Hebert Demel possivelmente ocupará um novo cargo na matriz, criado a partir das mudanças que serão implementadas pelo novo presidente mundial da Volkswagen, Bernd Pischetsrieder. Não por coincidência, a guinada na empresa ocorreria justo em um dos mais conturbados momentos da montadora no país. A demissão, de uma só vez, de três mil funcionários e seu desdobramento para uma greve só teriam ajudado a desgastar ainda mais a presença de Demel no comando da companhia. Com a provável troca na presidência da Volkswagen, deve-se esperar também uma mudança no perfil da empresa. Independentemente do nome escolhido, a matriz pretende ter um representante um pouco mais contido. Não se pode negar que Demel tem deixado sua assinatura na Volkswagen. Nos últimos dois anos, as vendas cresceram, fábricas passaram por reformas, a unidade de São José dos Pinhais, no Paraná, foi construída e a companhia ainda tomou da Daimler o primeiro lugar na venda de caminhões. Muitíssimo bem-sucedido no campo operacional, Demel mostrou-se pouco afeito a traquejos diplomáticos. Por mais de uma vez, bradou ao governo brasileiro que a empresa deixaria de investir no país. Na mais recente, à época que se iniciou o racionamento, vociferou que a Volkswagen transferiria sua produção para outros países se tivesse que sofrer cortes de energia – declaração que criou mal-estar na matriz. Aliás, o executivo é reincidente. Já teria deixado a presidência da companhia na Argentina, há quase três anos, após se indispor com o governo local.


Angra 3 gasta suas últimas balas

Desta vez, ou a usina de Angra 3 sai do chão ou, de repente, o melhor mesmo é encomendar a alma do projeto e enterrá-lo de vez. O presidente da Eletronuclear, Flávio Decat, vai tentar uma última cartada para salvar a usina. Na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em dezembro, apresentará a proposta de uma espécie de moratória de dois anos na área nuclear, prazo que entraria em vigor a partir do momento em que fosse sacramentada a construção da geradora. Dentro deste modelo, nenhum outro projeto no setor nuclear será implementado no período. Durante este tempo, o governo estudará novas tecnologias e possibilidades de financiamento capazes de baratear o custo de futuras empreitadas. Esta carência poderá abrir caminho para a construção de Angra 3, uma vez que funcionará como a garantia de que o Estado não precisará arcar com novos investimentos por pelo menos dois anos. Além disso, o CNPE vai analisar outra alteração capaz de destravar as obras: cobrir a maior parte das despesas para a construção de Angra 3 com um financiamento do BNDES. A partir desta proposta, o Tesouro não precisará pagar o empréstimo. A agência de fomento será ressarcida com a própria energia produzida pela usina. O project finance terá ainda recursos da Andrade Gutierrez, que será a construtora de Angra 3, e de um operador internacional – estão no páreo a EDF e a Iberdrola. A intenção é vincular a remuneração do consórcio responsável pelas obras à venda de energia elétrica da usina. Até o que for produzido e não estiver contratado será comercializado através de uma trading.


Mais uma empresa internacional de laticínios está pedindo visto de entrada no Brasil: a francesa Sodiaal. O grupo tem planos de desembarcar no país comprando pequenas indústrias em Minas Gerais e em São Paulo.


Revista Case StudiesRevista Insight Inteligência

Relatório nº 1766
14/11/2001

Telecom Brasilis
A Telecom Americas fez uma oferta para levar todas as ações da norte-americana Williams na ATL.

E por falar em Telecom Americas, o grupo vai dar um prazo para a BCP decidir se entra ou não no capital da Tess. Ao final deste período, sairá em busca de um sócio para a empresa.


Oito ou oitenta
A Camargo Corrêa é uma metamorfose ambulante quando o assunto é a Cavo, sua empresa de saneamento. Tem horas que tenta vendê-la; tem outras que pensa em engordá-la. É o que está acontecendo neste momento: a Camargo Corrêa estuda entrar nos leilões de concessões municipais em São Paulo através da Cavo.



A Repsol/YPF caminha para o absolutismo na CEG e na CEG Rio. Agora, é a Pluspetrol que está vendendo suas ações nas duas empresas para os espanhóis.



Costas quentes
A venda de parte de sua financeira para o Unibanco está fazendo um bem tremendo para o Magazine Luiza. A rede varejista tem planos de abrir mais cinco das chamadas “lojas virtuais”, no interior paulista, nos primeiros três meses de 2002.

Ecos do fatídico 11 de setembro: a Siemens está reavaliando o projeto de construir uma fábrica em Curitiba.


Armani
Schahin, Alusa e Eletronorte costuram, com linhas de transmissão, um consórcio para a licitação do quarto circuito da Interligação Norte-Nordeste.







Revista Brasil Sempre

leia já | opiniões | assinatura | pesquisa | arquivo | fale conosco