PDVSA finalmente enche
o tanque em terras brasileiras

A PDVSA, o maior conglomerado petroleiro da América Latina, vai, enfim, abastecer no Brasil. Até então ausente do país, o grupo venezuelano fará uma pesada investida na distribuição de combustíveis. A tática será garantir, através de contratos de exclusividade, o fornecimento de seus produtos para o maior número possível de revendedores. Para início de conversa, a companhia negocia um acordo com as redes de postos Equatorial e Petroamazon. Em outra ponta, está prestes a colocar sua placa em postos na Região Norte que hoje operam para a Shell e a Ipiranga. Com isso, o conglomerado venezuelano se tornará o segundo maior distribuidor no Norte do país. Do ponto de vista geográfico, nada mais conveniente. Todo o combustível será importado da Venezuela, a partir de janeiro, e desembarcará nos portos de Manaus e São Luís. A mesma estratégia de parcerias será utilizada no Nordeste, onde o grupo já está cooptando vários postos de bandeira branca. Pelas contas dos venezuelanos, em, no máximo, cinco anos, a companhia deverá ter em torno de 600 postos com a sua placa, o que a colocará no clube das 10 maiores revendedoras do país. Uma prova de que a PDVSA não está medindo esforços para executar seu plano é o apetite com que entrou na disputa pela compra de parte do capital da uruguaia Ancap – Repsol/YPF e ChevronTexaco também seriam candidatas. A operação é fundamental. O grupo se aproveitaria das atividades de refino e de logística da empresa e exportaria combustíveis para o mercado brasileiro – de quebra, poderia ainda distribuir para Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile. A PDVSA, no entanto, não quer ficar na dependência da compra da Ancap. A empresa já procurou a Petrobras, manifestando interesse de ingressar em algumas refinarias da estatal – mais precisamente uma no Sudeste e outra no Nordeste. Além disso, o acordo entre as duas empresas incluiria a formação de consórcios para as próximas licitações de blocos de exploração da ANP. Para completar, a PDVSA entraria nos blocos que já estão sendo explorados pela Petrobras.


O rato que ruge na aviação civil

Um David da aviação começa a fazer pose de Golias. No vácuo deixado pelas grandes empresas do setor, a Gol está ampliando seus domínios. Primeiro, na área operacional. Na semana passada, a empresa recebeu um novo Boeing 737 700 – em setembro já havia incorporado duas aeronaves idênticas. É provável que até o início de 2002 mais um Boeing esteja em seus hangares. Com isso, a empresa já bateu na porta do DAC solicitando novas linhas para o Nordeste. Porém, não é exatamente no quesito “operação” que a Gol está ganhando mais altitude. Aos poucos, a empresa vem conquistando relativa força política. Constantino de Oliveira, dono da companhia, está aderindo ao Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea). Com esta manobra diplomática, Constantino começa a virar o jogo da resistência dos demais empresários do setor, que nunca viram com bons olhos nem a política de preços baixos da Gol e muito menos suas negativas em aderir às rotineiras procissões ao governo, em busca de aumento das tarifas. Até pelo seu porte reduzido e pela baixa alavancagem, a Gol ainda não bateu de frente com a crise, como suas congêneres. A empresa segue tirando partido da estratégia de tarifas reduzidas. Nos últimos quatro meses, a taxa média de ocupação de seus vôos beira os 70%. A companhia ainda opera no vermelho, porém este fato se deve mais aos investimentos iniciais do que a perdas operacionais. Para reverter este quadro, a Gol adotou algumas medidas, como o aluguel, nos fins de semana, de suas aeronaves para agências de turismo, que levam passageiros para Natal, Porto Seguro e Fortaleza.


O governo vai receber uma ajuda extra para o programa emergencial de energia. O Japan Bank for International Cooperation negocia com o BNDES um financiamento em conjunto para a construção de hidrelétricas e termelétricas.


Revista Case StudiesRevista Insight Inteligência

Relatório nº 1765
13/11/2001

Lenha na fogueira
A guerra das telefônicas deverá ganhar um novo – e explosivo – capítulo. Embratel e Intelig estariam reunindo provas de mais irregularidades supostamente cometidas pela AT&T em operações de longa distância. Com isso, as duas empresas poderiam elevar para cerca de R$ 600 milhões a indenização que estão pedindo.


A Itaú Seguros teria retomado as conversas para comprar a Porto Seguro.


Hasta la vista
É muito provável que a venda de suas participações na CEG e na CEG Rio decrete o fim da saga da Iberdrola no mercado brasileiro de gás.


Semi-árido
A Bunge pretende entrar comprando, na bacia das almas, quantas empresas de fertilizantes puder na Argentina. Posteriormente, as subsidiárias portenhas se uniriam às empresas do conglomerado no Brasil.


A norte-americana Amsted quer aumentar sua participação na Maxion.


Carretel
Está para nascer um negócio tão enrolado quanto a fusão da EPTE e da CTEEP, as empresas de transmissão de São Paulo. Um grupo de minoritários das duas companhias está contestando a operação na CVM, mais precisamente a relação de troca das ações.



Grão em grão
Após ser alçado à presidência latino-americana da Moore – uma das maiores indústrias gráficas do mundo, o executivo Francisco Itzaina deverá ganhar um assento na matriz, no Canadá.


Revista Brasil Sempre

leia já | opiniões | assinatura | pesquisa | arquivo | fale conosco