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BNDES
posa de adviser na venda das participações do BB
Até o Banco do Brasil compreendeu
que o BNDES tornou-se mesmo o investment bank do governo. Repetindo o papel que
desempenha nas privatizações, a agência de fomento está prestes a assumir a venda
das participações do BB em empresas não-financeiras. O presidente do banco, Eduardo
Guimarães, articula com Francisco Gros a transferência de toda a operação. É bem
verdade que, por trás da medida, há uma confissão de dificuldade com a tarefa.
O BB não teria encontrado compradores para 49% da Multi-Rio Operações, 20% da
Kepler Weber, 19% da Hidrelétrica Itapebi e quase 7% da Celpe. Com um adviser
do calibre do BNDES, acredita Guimarães, a missão poderá ser muito menos intrincada.
Dois caminhos estão sendo estudados. Em uma das hipóteses, seria assinado um contrato
de comodato em que a BNDESPar teria a gestão das ações por um determinado período.
A instituição tentaria vender as participações e, se não conseguisse, poderia
exercer uma opção de compra ou devolver a bola para o BB. A segunda possibilidade
é o BNDES vestir apenas a carapuça de adviser. O banco receberia um mandato de
venda puro e simples. É esta segunda opção que mais agrada a Francisco Gros. De
uma ou outra forma, o BNDES vai assumir a tarefa que o BB não conseguiu cumprir.
O banco já tem um esboço de cronograma para a operação. Inicialmente, seriam colocadas
à venda as participações na Hidrelétrica Itapebi e na Celpe, que já têm um comprador
em potencial: a Iberdrola. Para facilitar o acerto, o BNDES ofereceria um parcelamento
no pagamento. Na Kepler Weber, o caminho é um pouco mais sinuoso. É muito provável
que, em um primeiro momento, Previ, Aerus e Serpros, que já são acionistas da
empresa, sejam “convidados” a ficar com os 20% do BB. O BNDES deverá se comprometer
a, posteriormente, liderar um road show na Europa para tentar encontrar um sócio
estratégico, que recompraria as ações dos fundos. No caso da Multi-Rio, a agência
de fomento já negocia com grupos internacionais interessados em criar uma operação
de logística a partir da empresa.
Dólares
ao mar
Antes que os cientistas do câmbio se arroguem a procurar nos fundamentals ou na
proficiência do BC os motivos para a queda do dólar, convém prestar atenção na
armata bancária espanhola. Nos últimos dias, Santander e BBVA realizaram lucro
ao desovar significativas posições em dólar. O movimento corre em paralelo à necessidade
das duas matrizes de aumentar as provisões contra créditos duvidosos e as perdas
no mercado argentino, onde a dupla tem mais de US$ 17 bilhões em ativos. Obs:
Vale conferir o termômetro cambial do Itaú, que mantém suas posições cheinhas.
Royal
Flush
Sérgio Cragnotti parece mesmo estar à frente de uma mesa de pôquer. Que o diga
a BNDESPar, que teria enxergado na atitude do empresário de reabrir as negociações
para recompra de ações da Bombril mais um dos seus inúmeros blefes. A agência
de fomento não aceita os valores insinuados pela companhia para a oferta pública:
entre R$ 17 e R$ 20. Sua intenção é pedir algo em torno de R$ 24, como forma de
ressarcimento pelos prejuízos sofridos com a queda das ações. São grandes as chances
de que Previ e Dynamo também acompanhem a BNDESPar.
Mal-me-quer
Não há qualquer indício de
divórcio, é bom que se diga, mas ainda assim Klabin e Kimberly-Clark estão passando
por uma espécie de crise conjugal. Os norte-americanos não teriam engolido a reestruturação
societária anunciada recentemente pelo grupo – a criação da Klabin S/A, que incorporará
a Riocell e, debaixo desta, outras quatro subsidiárias. A Kimberly, parceira da
Klabin na produção de tissue, viu na operação uma manobra da família Klabin para
fechar ainda mais as portas para a sua entrada no capital da holding, antigo pleito
dos norte-americanos.
Jorge Gerdau vai aproveitar
que já está na casa do inimigo para driblar a barricada imposta pela indústria
siderúrgica dos Estados Unidos contra o aço brasileiro. O empresário planeja ampliar
a produção da Ameristeel, sua subsidiária no país. Com isso, poderá compensar
prováveis quedas nas exportações.
| Relatório
nº 1761 7/11/2001 Abaixo
de zero Para
a Quilmes, vingança é uma cerveja que se bebe gelada. A empresa aumentou sua pedida
para vender à AmBev 25% da cervejaria argentina Salus. Há quem veja na atitude
uma vendetta contra as constantes insinuações da AmBev sobre seu interesse em
comprar a Quilmes.
A Philip Morris Kraft Foods
vai contratar um banco para avaliar suas marcas no Brasil. O trabalho servirá
como bússola para a venda das operações mais deficitárias. De início, só a Lacta
estaria imune à degola.
Gasbol
II, a missão
Depois de um longo período de licença, o executivo François Moreau retornará à
diretoria da British Gas no Brasil, em dezembro, com uma missão: costurar com
a Petrobras o acordo para expansão do Gasoduto Bolívia-Brasil, o Gasbol.
A renhida disputa para vender energia à Câmara Brasileira de Energia Emergencial
ganhou mais um concorrente: a Gerasul.
Interrogações
O BNDES nutre dúvidas hamletianas
quando o assunto é a sua participação na Telemar. Depois de longo tempo afirmando
que venderia os 25% de uma só vez, anunciou aos sócios da empresa que vai partir
para uma negociação pulverizada.
Regra-três
Até o fim da tarde de ontem,
o Carrefour ainda esperava virar o placar na disputa com o Pão de Açúcar pelos
Supermercados ABC. Porém, mesmo se não levar, deverá receber um prêmio de consolação
varejista da GP.
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