CMS decreta o apagão
dos seus negócios no Brasil

Mais uma empresa norte-americana de energia vai deixar o país. A CMS decidiu colocar à venda todos os seus negócios fora dos Estados Unidos, o que inclui a negociação das suas quatro distribuidoras em São Paulo – Jaguari, Mococa, Paulista e Sul Paulista. Na semana passada, a empresa comunicou oficialmente a operação a vários integrantes do primeiro escalão, através de um memorando, ao qual o RR teve acesso. O documento cita nominalmente o Brasil. Além de se desfazer das quatro subsidiárias, a CMS também cancelará os investimentos que estavam programados para a compra de distribuidoras fora do mercado paulista e os planos de entrar na próxima rodada de licitações de hidrelétricas. A idéia da CMS é que, até o fim do primeiro semestre de 2002, não haja mais qualquer vestígio da sua passagem pela Terra de Vera Cruz. Não há dúvida que o desapontamento com a sua operação no Brasil foi um dos grandes motivadores da decisão. É no país que estão alguns dos mais expressivos investimentos da CMS fora dos Estados Unidos. Com a venda das distribuidoras, o grupo vai tentar recuperar parte dos prejuízos que vem acumulando sobretudo após o racionamento. Além disso, os norte-americanos não engoliram a falta de uma regulamentação clara para o Anexo V, relativo aos contratos de compra de energia assinados com as geradoras. A empresa sempre defendeu que os produtores deveriam recomprar parte da energia adquirida e não entregue pelas distribuidoras aos consumidores finais. Tudo indica que, no caso do Brasil, a CMS vai suar para encontrar um comprador. Duas das suas distribuidoras, Mococa e Jaguari, não têm escala atrativa. A primeira atende a um único município; e a segunda, a três cidades paulistas – Holambra, Pedreira e Jaguariúna. A Paulista e a Paulista Sul também não ficam muito longe. Operam em menos de 10 municípios. Para fisgar candidatos, a CMS deverá oferecer o pacote completo: quem levar uma distribuidora leva todas.


CVM enxerga chifre na cabeça da Boi Gordo

Desde o nascedouro, a Fazendas Reunidas Boi Gordo sempre pareceu um daqueles negócios marcados para não dar certo. A questão era só o timing. Pois, seu atual momento deixa poucas dúvidas quanto a este destino. Depois da concordata e das dificuldades para pagar seus investidores, a situação da companhia periga ficar ainda mais delicada. Tudo em razão de uma fiscalização da CVM. A autarquia tem fortes indícios de que a Boi Gordo vinha cometendo irregularidades na divulgação do total do seu rebanho. Há pouco mais de um mês, através do processo administrativo SP-2001-246, votado na reunião do colegiado nº 3281/2001, a CVM aplicou uma multa na empresa. Motivo: no balanço da companhia, foram contabilizadas 158 mil cabeças de gado que simplesmente não existiam. A Comissão está investigando agora se a Boi Gordo também errou a conta em outros balanços e, principalmente, se cometeu as eventuais falhas com a deliberada intenção de escamotear sua real situação financeira. Esta operação pente-fino pode atrapalhar talvez a única possibilidade de recuperação da Boi Gordo. Na hipótese pouco provável de arcar com o pagamento dos seus investidores e seguir em atividade, a empresa vai precisar mais do que nunca emitir novos contratos, o que depende da aprovação da CVM. O problema é que a autarquia não tem sido lá muito generosa. Desde março, a Boi Gordo vinha pedindo autorização para lançar novos acordos, mas só em agosto, quando sua situação já era dificílima, é que a operação foi liberada. Tarde demais. Se encontrar mesmo irregularidades, é de se esperar que a CVM breque qualquer emissão.


Por decisão do JPMorgan/Chase, a matriz do Starmedia fez uma intervenção na operação brasileira. O cargo de presidente da empresa, vago há algum tempo, não será preenchido. A partir de agora, todos os vice-presidentes terão que se reportar diretamente à direção nos Estados Unidos.


Revista Brasil SempreRevista Insight Inteligência

Relatório nº 1759
5/11/2001

Arrivedérci
Inimigo nº 1 dos acionistas da Bombril, o empresário Sérgio Cragnotti estuda proposta para vender algumas linhas de produto da Círio à General Mills.


O onipresente Mário Garnero estaria tentando cooptar a Previ para o projeto de construir shopping centers em grandes capitais brasileiras.


João-sem-braço
O governo já tinha, há vários meses, pareceres jurídicos que diziam ser inconstitucional a CVM independente. Ainda assim, fez-se de desentendido até não poder mais. Para se ter uma idéia, em mais de uma oportunidade, técnicos da Fazenda utilizaram textualmente o termo “se colar, colou” ao tratar da medida.


Luz própria
A BM&F vai criar uma bolsa de futuros de energia elétrica, incluindo a venda da commodity e a negociação de títulos financeiros, que não envolverão entrega física.


A Marítima estaria colocando à venda os quatro blocos de exploração e produção que arrematou no segundo leilão da ANP.


Evaporação
O governador Almir Gabriel desistiu de vender a Cosanpa. No máximo, deixará a companhia pronta para ser privatizada pelo seu sucessor.


O presidente da Kvaerner no Brasil, Marcelo Taulois, garante que os contratos com a Petrobras serão honrados. Procurado pelo RR, o diretor da estatal, Danilo Oliveira, disse que a entrega dos equipamentos está garantida.



Revista Case Studies

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