Belgo-Mineira se vacina
contra os prejuízos da Acindar

A Belgo-Mineira descobriu que é preciso ter mais do que nervos de aço para suportar a crise argentina. A empresa está adiando os planos de assumir o controle da siderúrgica portenha Acindar, da qual já tem 16%. Isso significa a suspensão da compra do restante do capital pertencente à família Acevedo, dona da companhia, projeto previsto ainda para este ano. O recuo tem caráter profilático. A Belgo quer se vacinar antes que os prejuízos da Acindar contaminem ainda mais o seu balanço. Só no ano passado, as perdas da empresa argentina passaram dos US$ 80 milhões, impostas, sobretudo, pelo alto custo do seu endividamento. Nesta aritmética, devem ser somadas ainda as nebulosas perspectivas para o mercado siderúrgico na Argentina. O consumo de aço no país atingiu os níveis mais baixos desde 1996 e não há qualquer previsão de melhora no curto prazo. Para completar, a Belgo tem mais um motivo para frear qualquer novo investimento na empresa. Por força do contrato feito com os Acevedo, terá que injetar nos próximos meses mais de US$ 70 milhões na Acindar, entre investimentos e aumento de capital. E o que é pior: independentemente dos resultados colhidos pela companhia. A leitura desta meia-volta, volver vai muito além da Acindar. É quase o mesmo que dizer que os planos da Arbed, controladora da Belgo, de criar uma grande operação no Mercosul estão em suspenso. Até porque esta exposição no mercado argentino, justo neste momento, não estaria sendo bem-vista pela francesa Usinor e pela espanhola Aceralia, parceiros internacionais da Arbed. O fato é que a Belgo não chegou a tempo de pegar o melhor da festa na Acindar. Há dois anos, o lucro bruto por tonelada de aço vendida pela companhia era de US$ 116. Hoje, empacou nos US$ 93.


Petrobras arma um mutirão anticalote

A possibilidade de falência da norueguesa Kvaerner causou alvoroço na Avenida Chile. A Petrobras está montando uma força-tarefa técnica e jurídica para evitar que a grave crise financeira do grupo europeu ameace, ainda que minimamente, suas atividades de prospecção. Entende-se tamanha preocupação. A estatal fechou um grande contrato para a compra das chamadas árvores de natal molhadas (usadas na boca do poço de petróleo, na parte mais profunda da plataforma) e, agora, corre sério risco de não recebê-las. A diretoria da Petrobras já acionou a Kvaerner, exigindo garantias de que não haverá atrasos e, muito menos, cancelamento da entrega. O contato teve o tom de um ultimato: a Kvaerner terá até 30 dias para apresentar um relatório de sua situação financeira e da capacidade de cumprir os contratos. Até o fim deste prazo, a Petrobras enviará uma equipe técnica à Noruega para checar o andamento da construção dos equipamentos. Mas, pelo jeito, não estava levando muita fé na Kvaerner. A estatal já sondou a sueca ABB e a norte-americana Cooper Cameron sobre a possibilidade de ambas assumirem os contratos.


Sancor/Milkaut e Conaprole
criam o “Mercoleite”

Que tal uma empresa argentina unida a uma uruguaia e operando juntas no Brasil? Mais Mercosul do que isso, impossível! Justo no momento em que o bloco econômico azeda por todos os lados, Sancor/Milkaut e Conaprole, duas das maiores indústrias de laticínios da América Latina, estão prestes a fechar um grande acordo e desembarcar no país. O acerto inclui a distribuição de produtos lácteos em São Paulo e na Região Sul do país. A operação se dará através da criação de uma joint venture entre a portenha Sancor/Milkaut e a uruguaia Conaprole. O processo deverá estar concluído no primeiro trimestre de 2002. De certa forma, quem tem mais pressa de fechar logo o negócio é a Sancor/Milkaut. Antes da fusão, a Sancor vinha sofrendo perdas sucessivas na Argentina. Por isso, a dupla já estuda até transferir suas operações para o Brasil, onde estabeleceria uma espécie de centro exportador.

Relatório nº 1758
1/11/2001

Casas separadas
A Camargo Corrêa vive dias de discórdia com relação à sua carteira imobiliária. Os herdeiros do grupo defendem um enxugamento nas participações; o presidente da empresa, Raphael Antônio de Freitas, é contrário à idéia.


A American Express está cortando todos os investimentos programados para a operação brasileira da Amex Travel – a agência de viagens do grupo.


Classificados
Vale tudo para ceifar os prejuízos da Embratel. A MCI pretende se desfazer de alguns imóveis da empresa, herdados ainda da era estatal.


Namoro na TV
A família Saad, dona da Rede Bandeirantes, está procurando um sócio para dividir a conta na grade esportiva. Sem os recursos da Traffic, dificilmente a emissora arcará sozinha com pesados investimentos, como a compra de direitos de transmissão.


A CVM deverá aprovar a emissão de R$ 625 milhões em debêntures da Cemig. Tanto que, por conta, o Unibanco, líder da operação, já iniciou o road show.


Vassourada
A Funcef está fazendo uma faxina nos seus investimentos em hotelaria. Colocou à venda o Hotel Renaissance de São Paulo, de bandeira Marriott, e todas as unidades operadas pela Blue Tree.


Mudanças na diretoria da Eletrobrás. Saulo Cisneiros, ex-Chesf, e Márcio Zimmermann, ex-Eletrosul, estão entrando na companhia.



Revista Brasil Sempre

Revista Insight Inteligência


Revista Case Studies

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