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Anatel
faz leilão de mãe para filho na telefonia celular
Das duas uma: ou finalmente
a Anatel consegue desencalhar as licenças das bandas C, D e E ainda não licitadas
ou, então, é melhor mesmo Renato Guerreiro decretar a falência da privatização
e desistir de vez dessa história. A Agência está preparando um novo modelo de
venda que mais parece um daqueles saldos de balanço de lojas de departamento.
Para começar, estuda adotar um sui generis sistema chamado beauty contest. É quase
como se o investidor levasse a concessão de graça. Não haveria a fixação de preço
mínimo. O comprador arcaria com um valor simbólico que seria pago à Anatel. A
avaliação das propostas seguiria critérios como o total de recursos que o candidato
aplicaria na concessão e o seu business plan. Nada muito original. A França usou
esta saída para salvar a venda da telefonia celular de terceira geração. E não
é só. No coração de mãe da Anatel, ainda tem espaço para outros afagos. A Agência
estaria disposta a derrubar um tótem dos leilões de telefonia: as metas. Os controladores
da concessão não precisariam cumprir qualquer determinação. Melhor do que isso
só se a Anatel pagar a quem levar a concessão. Renato Guerreiro tem fortes indícios
de que, desta maneira, será possível vender as concessões. Grupos como Telefónica,
Portugal Telecom, BCP, Telecom Americas e Telemar já sinalizaram que têm planos
de ficar com as licenças para atingir cobertura nacional. Mas só admitem entrar
no negócio se não tiverem que pagar alto nem cumprir metas. A alegação é que precisarão
investir muito para criar uma empresa do zero. Parece que serão atendidas. Estes
candidatos já teriam até as suas áreas de preferência. A joint venture Telefónica/Portugal
Telecom quer operar no Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e no Nordeste, com
exceção da Bahia e Sergipe, onde os ibéricos já estão na Banda A. BCP e Tess fariam
uma fusão em São Paulo, passando a ter uma única operação em todo o estado sob
a bandeira da Telecom Americas. A Telemar tem interesse em São Paulo e nas regiões
Sul e Centro-Oeste. Até a Cowan, que já mantém negociações com parceiro internacional,
faria ofertas pelas licenças no circuito Minas Gerais-São Paulo-Rio de Janeiro.
Cadeira
cativa Na semana passada, talvez já pressentindo
o fracasso do leilão, o ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá confidenciou a um interlocutor
da área siderúrgica que não vai se desfazer da sua participação na Açominas, caso
o BC lhe devolva as ações. Pelo menos até o fim de 2002. Calmon não quer abrir
mão dos lucros da empresa – que devem crescer ainda mais com a instalação de dois
laminadores – e dos fartos dividendos que têm sido distribuídos. Para não falar
que dificilmente encontrará alguém disposto a lhe pagar US$ 170 milhões pelas
ações.
Mão
na roda Bastou
olhar para seus pátios, entupidos de veículos, e as montadoras foram arrebatadas
por uma súbita generosidade. Depois da GM, que está oferecendo financiamento sem
juros, agora é o presidente da Volkswagen no país, Herbert Demmel, que está debruçado
sobre um pacote de créditos, que passaria pelo Banco Volkswagen. A medida se estenderia
também à venda de caminhões. Não vai ser justo agora, que conseguiu desbancar
a DaimlerChrysler, toda-poderosa do mercado de veículos pesados, que a companhia
vai dar chance ao inimigo.
GVTnet
Procurado,
o presidente da GVT, Márcio Kaiser, negou a informação. Mas o RR compra o risco,
já que sua fonte é exatamente um dos arquitetos da operação. A empresa está negociando
um acordo com a Eletronet em transmissão de dados. A associação dependeria da
Anatel aprovar a entrada da GVT na longa distância nacional e internacional –
o pedido da companhia já foi formalmente encaminhado à Agência. Em outro front,
o CEO da empresa, Amos Genish, articula com os acionistas, as norte-americanas
RSL e Comtec, um aumento de capital.
TAM e Varig estão mergulhando em uma tour de force para negociar os contratos
com fornecedores de peças e equipamentos, a maioria atrelada ao dólar. Tudo a
ver com a queda do faturamento de ambas na moeda americana. Os vôos para os Estados
Unidos, por exemplo, estão com freqüência em torno dos 50%.
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Relatório
nº 1756 30/10/2001 Fogo
na roupa A assembléia
de acionistas da Coteminas, marcada para o próximo dia 9, colocará ainda mais
nitroglicerina na disputa judicial com a GP. Os sócios da tecelagem deverão aprovar
o contrato de incorporação da Toália pela empresa. É mais do que uma provocação.
Afinal, são exatamente os termos deste acordo que a GP está contestando na Justiça.
A Tigre está revendo os investimentos
previstos para a Santorelli, sua subsidiária na Argentina.
Tubo de
ensaio O governador
Olívio Dutra vai, enfim, abrir mão das suas convicções estatizantes e partir para
uma privatização. Calma lá! Ainda não é o Banrisul. Dutra vai vender parte do
capital da Sulgás, mas sem abrir mão do controle do negócio.
Metamorfose
O capital da CEG e da CEG Rio é uma obra eternamente inacabada.
As duas empresas deverão sofrer mais uma mudança societária; a Iberdrola está
contratando um banco para vender suas participações nas duas companhias – 9,87%
na CEG e 13,12% na CEG Rio.
Já existem no Brasil pouco
mais de dois mil grampos telefônicos autorizados pela Justiça. Em tempos de entrada
no calendário eleitoral, dá, no mínimo, um calafrio.
Para inglês
ver Já célebre
em fazer figuração nas privatizações da banca estadual – se qualifica, mas não
entra no leilão – o HSBC está agora avaliando os números do Banco da Ceará (BEC).



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