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Itaú
prestes a pôr um ponto final na agonia do Sudameris
O fim da saga do Sudameris
no Brasil, tudo indica, será escrito pelo Itaú. O banco dos Setúbal está perto
de fechar a compra da instituição, desde 1998 marcada por prejuízos e seguidas
tentativas de capitalização mal-sucedidas. O Bradesco e o Unibanco também abriram
conversações com o italiano IntesaBci, controlador do banco, mas foi pelos lados
do Itaú que as negociações mais avançaram. De três anos para cá, o Sudameris tornou-se
um insaciável sugadouro de recursos. O IntesaBci foi obrigado a aportar cerca
de US$ 1 bilhão na subsidiária e, ainda assim, não conteve os prejuízos. Nos últimos
três anos, o Sudameris perdeu mais de R$ 500 milhões, em um desempenho que, possivelmente,
só não tenha provocado um destino pior pelo fato do seu controlador ser o principal
banco da Itália e um dos maiores da Europa. Aliás, a julgar por este desfecho,
fica a impressão de que a tática do IntesaBci de injetar capital no banco foi
muito mais com o propósito de deixá-lo minimamente arrumado para uma venda do
que propriamente com intenções de erguimento e continuidade do negócio. Entre
os três pretendentes, é o Itaú quem mais parece ter a cara do Sudameris. Ou vice-versa.
Sobretudo quando o assunto é a identidade operacional – ou a falta dela. A casa
bancária dos Setúbal é uma instituição híbrida, um banco de atacado travestido
de banco de varejo. Se por um lado, entre as instituições privadas, é segundo
em rede de agências e volume de depósitos, por outro, obtém a maior parte de seus
ganhos em atividades mais condizentes com um banco de investimentos, como operações
de tesouraria e posições em dólar no exterior. Para não falar que o Itaú já fez
uma investida semelhante: a compra do BFB, posteriormente transformado no Personalitté.
Com base nos números de Bradesco, Itaú e Unibanco, quem mais ganharia com a aquisição
seria a instituição dos Moreira Salles. O banco resgataria o terceiro lugar entre
os grupos privados, perdido para a dobradinha Santander/Banespa. Ficaria com R$
65 bilhões em ativos e 1.200 agências. Já o Itaú, poderá encurtar a distância
para o Bradesco em ativos (R$ 85 bilhões contra R$ 92 bilhões) e em depósitos
(R$ 31 bilhões a R$ 37 bilhões). E o Bradesco, como é que fica? Para o banco da
Cidade de Deus, qualquer compra nunca é demais. Porém, existe um cardápio de estatais
muito mais apetitoso, capaz de agregar maior valor a seus negócios. Além disso,
a compra do Sudameris pelo Itaú – e mesmo no caso do Uni- banco – não ameaça a
folgada liderança do Bradesco no ranking.
Curto-circuito político na sucessão da AneelA
sucessão nas agências regulatórias está se tornando, mais do que nunca, sinônimo
de disputas políticas. Depois da ANP, é a vez da Aneel experimentar uma ambiência
de articulações e atritos. Estão em jogo os cargos de Jaconias de Aguiar e Luciano
Pacheco, diretores que terão seus mandatos vencidos no fim deste ano. Euclides
Scalco e Pedro Parente estão trabalhando para que ambos não sejam reconduzidos
ao cargo. E mais: já estão fazendo campanha pela nomeação de Francisco Gomide,
que saiu há poucos dias da presidência da Escelsa, e de Reni Antônio da Silva,
integrante do Conselho do MAE indicado pelas distribuidoras de energia. Não vai
ser fácil. Na semana passada, o diretório do PFL decidiu combater de todas as
formas as duas indicações. Em conversa com Pedro Parente, Jorge Bornhausen disse
que não admite a saída de Jaconias Aguiar e Luciano Pacheco, que têm conexões
com o partido. Sobretudo diante da ameaça do PSDB carimbar sua sigla nos dois
cargos. No máximo, Bornhausen aceita que a dupla seja substituída por outros nomes
apresentados pelo PFL.
A Bombardier puxou o freio em todos os novos investimentos que já estavam programados
para a expansão do parque industrial da Adtranz. Com isso, o contrato de arrendamento
da fábrica da Cobrasma será mantido até 2002, quando só então os canadenses voltarão
a tratar da construção de uma fábrica.
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Relatório
nº 1786 29/10/2001 Desata-me
Talvez só Almodóvar escrevesse
tão complexo roteiro. A arrastada venda das participações em telefonia da Iberdrola
para a Telefónica teria empacado mais uma vez. A Iberdrola decidiu rever as condições
para negociar suas ações na Tele Leste Celular.
Segue o périplo de prejuízos
da Eucatex. Neste ano, as perdas na empresa dos Maluf devem passar dos R$ 50 milhões,
infladas, sobretudo, pelos gastos operacionais, que duplicaram em relação a 2000.
Alto-mar
O fundo norte-americano Phoenix,
que administra um patrimônio superior a US$ 50 bilhões, é candidato à compra de
uma participação no Submarino. Porta de entrada na empresa é o que não falta.
O fundo Lee Putnam está interessado em vender suas ações.
Dezemberfest
O presidente da Sadia, Luiz
Fernando Furlan, deve ir em breve à Alemanha. A missão é acertar os últimos detalhes
de uma parceria com a Bofrost, fabricante de alimentos congelados.
Na última semana, o secretário-executivo
da Camex, Roberto Giannetti, entregou o cargo ao ministro Sérgio Amaral, que,
até agora, não se pronunciou.
Suicídio
Jaime Lerner tem um forte motivo
para não adiar a venda da Copel. Pouca gente percebeu, mas se o leilão for postergado,
a operação terá que ser submetida novamente à Assembléia Legislativa. Dificilmente
Lerner terá votos suficientes para aprovar uma nova data.



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