Rede de intrigas dita o
ritmo da sucessão na ANP

A escolha de Júlio Colombi como diretor-tampão da acéfala ANP encobre um enredo de intrigas rasteiras e disputas por debaixo do pano em torno da sucessão na agência. Os protagonistas são David Zylbersztajn e o ministro Pedro Parente. A história começa na já conhecida lista entregue por David Zylbersztajn ao Planalto. Tudo não teria passado de um gesto meramente cenográfico. Na verdade, em recente encontro em Brasília, o então diretor-geral da ANP já tinha acertado com FHC que Luiz Horta Nogueira seria o seu sucessor. Tanto que, ao regressar para o Rio, o próprio Zylbersztajn comunicou a decisão a Horta. E mais: nos dias que se seguiram, adiantou as novas para os integrantes da cúpula da agência e ainda chamou seus principais assessores e garantiu que todos seriam mantidos por Horta. É nesta parte do roteiro que entra em cena Pedro Parente. FHC repassou a tal lista factóide para Parente, mas – sabe-se lá por que – não fez qualquer menção sobre o trato com Zylbersztajn e a escolha de Horta. E ainda deu ao ministro poder para indicar o novo diretor da ANP entre os três nomes propostos. Mesmo sem o aceno do presidente, Parente, de antemão, já sabia que Luiz Horta era o predileto de Zylbersztajn. Ainda assim, teria riscado o seu nome e o de Adriano Pires. Ato contínuo, enviou diretamente para publicação no Diário Oficial a nomeação de Júlio Colombi. Parente teve o cuidado de fazer uma indicação temporária, talvez no intuito de ganhar tempo para articular, ao lado do ministro José Jorge, um nome definitivo. É bem provável que, além da escolha de um novo comandante para a ANP, os dois trabalhem pela saída dos diretores Giovanni Toniatti e do próprio Luiz Horta. Para uma das vagas, José Jorge quer indicar Djalma de Souza Rodrigues, caso não consiga emplacá-lo na diretoria de serviços da Petrobras, ou Marco Antônio de Almeida, seu assessor no ministério. Difícil dizer até que ponto a rivalidade entre Parente – um burocrata frio e eficientíssimo no leva-e-traz de informações no Planalto – e Zylbersztajn pesou na rasteira que a indicação de Luiz Horta sofreu. Porém, é público e notório que ambos nutrem uma mútua antipatia desde os primórdios da Câmara de Gestão da Crise Energética. Parente não teria engolido o fato de Zylbersztajn ter se tornado uma espécie de coordenador extra-oficial da Câmara e ainda ter conseguido impor suas principais propostas para o racionamento de energia.


Mesma moeda
A Nestlé subverteu a física: para a multinacional, a toda ação de uma concorrente deve corresponder uma reação de força muito maior. A ida para a Parmalat do seu ex-presidente no Brasil, Ricardo Gonçalves, fez ressuscitar uma velha idéia: contratar Gianni Grisendi, ex-todo-poderoso da Parmalat. Hoje, Grisendi é o presidente da Telecom Italia Móbile (TIM) no país. A empresa está passando por uma profunda reestruturação e, até prova em contrário, o executivo está firme no cargo.


Ponta do lápis
O BNDES está finalizando um estudo de avaliação da sua participação na Aços Villares. De posse do valor, vai se sentar com a Sidenor, controladora da empresa, para vender suas ações. É bem provável que o banco peça dote proporcional ao preço que o grupo espanhol pagou à família Villares pela compra do controle. Em tempo: o BNDES tem certa pressa em fechar a negociação. A instituição apostou na recuperação da Villares após a chegada da Sidenor, mas a companhia continua dando prejuízo..


Hibernação
A Embraer e seus sócios franceses talvez tenham acordado tarde demais. Nos últimos dias, a Dassault vem tentando junto a bancos europeus aumentar o poder de financiamento da dupla na licitação dos caças da Força Aérea. O problema é que a Lockheed já tinha fechado boa parte do seu pacote de financiamentos antes do fatídico 11 de setembro, quando o crédito internacional para o setor aéreo era bem mais farto. Com isso, o grupo já teria garantido 80% dos US$ 788 milhões da operação.


Degrémont e Ondeo entrarão juntas em concessões de saneamento. O début será na Águas do Amazonas. A Ondeo vai operar a empresa e a Degrémont ficará responsável pela reforma e construção de estações de tratamento.

Relatório nº 1751
23/10/2001

Fila indiana
O edifício da Arthur Andersen no Brasil está com as vigas balançando. A saída de um dos seus principais sócios e de mais de dez técnicos com cargo de gerência do escritório do Rio de Janeiro representou uma perda superior a 60% na geração de recursos naquela praça. Existem promessas de novas defecções.


A Telefónica prepara um aumento de capital na Telesp Fixa.


Dois em um
A Walita, leia-se Philips, também estuda a compra da Moulinex no Brasil – a empresa entrou em concordata na França. A Arno seria outro grupo interessado no negócio.


Melhor prevenir...
Ao contrário dos chineses, para os Setúbal, nem sempre onde há crise existe uma oportunidade. A Itaúsa está revendo investimentos na Duratex da Argentina e ainda estuda reduzir a exposure da empresa no país, antes que a crise econômica local tinja de vermelho o balanço da subsidiária.


A Previ tentará pegar carona na entrada de um sócio no Playcenter e também vender suas ações para o forasteiro.


Carta-bomba
Corre sério risco de adiamento o projeto de abertura do serviço de correios à iniciativa privada. O recuo vem sendo liderado pelo ministro Pimenta da Veiga, temeroso com a possibilidade de uma repetição do que ocorreu na Argentina, onde a empresa de correios, controlada pelo empresário Francisco Macri, está pedindo concordata.




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