Itambé garante o desjejum
da Campina Melkunie no país

Paris que nos perdoe, mas, no caso da Itambé, todos os caminhos levam à Oceania. O destino de uma das últimas grandes produtoras de leite de capital nacional parece passar mesmo por aquele lado do mapa. Depois de uma negociação com a Fonterra, atual New Zealand, a empresa está muito perto de vender 49% das suas ações para a australiana Campina Melkunie, oitava maior fabricante de leite e derivados do mundo, que faria, assim, seu desjejum no país. A proposta já foi apresentada e o processo de due diligence deve se iniciar nas próximas semanas, assim que a Itambé contratar um banco para assessorá-la na operação. O negócio envolveria cerca de US$ 350 milhões. Aproximadamente dois terços deste valor se destinariam à compra do capital da companhia. O restante seria aplicado pela Campina na aquisição de pequenas cooperativas de produtores de leite de Minas Gerais e Goiás. Os australianos querem laçar a goiana Centroleite e a mineira Cotochés, neste caso um lance estratégico. A empresa é concorrente direta da Itambé na venda de derivados como queijo e manteiga. Como está comprando apenas 49% das ações, a Campina quer se cercar de todas as maneiras para assegurar presença na gestão da Itambé. A empresa propôs um acordo de acionistas que lhe garantirá não só assento no Conselho de Administração como a indicação de nomes para a diretoria da empresa. Uma cautela muito natural para quem está entrando com tanta sede no pote da Itambé. A idéia da Campina é transformar a Centroleite e a Cotochés em subsidiárias da empresa e criar um centro de exportação de leite e derivados. A meta é atingir, dentro de dois anos, uma produção de 1,5 bilhão de litros de leite, o que colocaria a Itambé no topo do mercado, à frente de gigantes como Nestlé e Parmalat. Para chegar a esta performance, a companhia passaria a captar leite além da bacia leiteira de Minas Gerais, construindo fábricas e centros de distribuição em Goiás e no principal mercado do país, São Paulo. O acordo com novos produtores seria devidamente acompanhado de um financiamento do BNDES para resfriamento do leite coletado.


A norte-americana CMS fez uma consulta informal à Aneel e ouviu justamente o que tanto queria. A agência sinalizou que não haverá obstáculos para que o grupo leve adiante seus planos de consolidação. A idéia é juntar as concessões para distribuição de energia em Jaguari, Mococa, Paulista e Sul Paulista, todas em São Paulo, em uma única companhia.


Cai a ligação entre a Previ e a Tele Nordeste

Após colocar todos os seus ativos em energia à venda, a Enron dá mais uma prova de que sua passagem pelo Brasil terá vida curta. O grupo está saindo da área de saneamento. A Enron vai vender a sua parte na Azurix. Para facilitar a operação, os norte-americanos admitem negociar separadamente os ativos da empresa, que se espalham pelo Brasil e pela Argentina. Há algum tempo, a Enron vem se desvinculando da gestão da Azurix, mantendo-a quase que como um investimento de portfólio. Recentemente, decidiu também suspender novos aportes na empresa, limitando-se apenas aos valores exigidos pelo contrato de concessão. E mesmo assim, boa parte com recursos retirados do próprio caixa das distribuidoras. No caso de não encontrar comprador para a sua parte na Azurix, a Enron já estuda até uma saída radical: simplesmente encerrar as suas atividades em saneamento e repassar os contratos de tratamento de resíduos industriais. A companhia já cancelou toda e qualquer investida nos próximos leilões de empresas estaduais e concessões municipais de saneamento. Para se ter uma idéia da paralisia da empresa, nenhum diretor da Enron do Brasil responde pelos negócios da Azurix no país. As dificuldades não param no mercado brasileiro. O grupo quer vender a Águas de Buenos Aires, mas está esbarrando em resistências do governo argentino em aceitar a troca de concessionário. Sem falar que a empresa necessita de investimentos da ordem de US$ 300 milhões e ainda está longe de seu break even em função da crise Argentina.

 

Relatório nº 1750
22/10/2001

Profilaxia
O BC está empenhadíssímo em que o governo aprove a toque de caixa a nova lei de falências. Está prá lá de temeroso de que os devedores do sistema financeiro, de tanto provar do remédio dos juros altos, evoluam da azia da inadimplência para uma úlcera bancária sistêmica.


Lanternagem
Os prejuízos que estão enferrujando os resultados da norte-americana Dana, fabricante de autopeças, vão corroer também a filial brasileira. A companhia estuda demissões e até o fechamento de fábricas.


A Splice, fabricante de equipamentos de telecomunicações e controladora da Tele Centro-Oeste, vai contratar um banco para avaliar seus ativos. Trata-se do primeiro passo para a venda de alguns negócios.


ABN viu a uva
O ABN Amro descobriu a uva. Está pré-qualificado para a privatização do BEG e promete disputar o banco do estado de D. Roseana.


Boca do caixa
A venda das marcas Glória e Avaré não encerrou a queima de estoque da Kraft Foods, leia-se Philip Morris. A próxima empresa a ir para a prateleira será a Maguary.


Com ou sem o leilão da Copel, a Vivendi fará uma oferta de compra das ações da empresa na Sanepar.


Farol aceso
Ex-presidente da Fiat no Brasil, Pacifico Paoli, estaria buscando um sócio para o Carsale, portal de vendas de automóveis. O UOL desistiu de aumentar sua participação no negócio.



Revista Brasil Sempre

Revista Insight Inteligência


Revista Case Studies

leia já | opiniões | assinatura | pesquisa | arquivo | fale conosco