Bumerangue

O presidente da TAM, Daniel Mandelli, de tanto deserdar sua diretoria, pode vir a ser o próximo deserdado. Há fortes sinais de descontentamento em relação à sua performance ceifadora de cabeças junto aos herdeiros de Rolim Amaro.



Dominó

A Siemens do Brasil dificilmente escapará dos cortes que serão feitos na operação mundial. O enxugamento cobriria os investimentos em novas fábricas.



É no mínimo comprometedor o relatório do TCU sobre as contas do Sesi-RJ em 1999. A quem interessar possa: o número do processo é 010.628/2000-8.



Aparências

O BBV está se transformando em um templo do marketing. Só muita lábia para transformar a mais baixa rentabilidade dos grandes bancos em case de sucesso do cumprimento de metas. Na linguagem bancária, o BBV está comprando produção. E a um preço bem caro, diga-se de passagem.


Dono honorário

Daqui a pouco, o empresário João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, volta a ser dono da Arisco. Ele está negociando a compra de um novo lote de fábricas da empresa, das quais a Unilever está louca para se ver livre.


Após o Sonae, é a Gerônimo Martins quem deverá pendurar na prateleira os planos de novas aquisições no país.

Os sinuosos caminhos
da redenção do Caixa 2

Em primeiro lugar, é verdade que a equipe econômica está debruçada sobre um projeto de anistia fiscal para evasores dos mais diversos calibres. Em segundo, não se trata de nenhuma idéia escalafobética ou mesmo original. O México já adotou a medida, com razoável sucesso para as suas intenções de época. A Alemanha, em idos ainda mais distantes, também andou perdoando sonegadores. Parece uma gritante contradição: uma espécie de waiver ao crime. Parece, mas não é. Antes que algumas bandinhas de música comecem a estrilar, é bom explicar que o prazo cogitado para “formalização dos recursos evadidos” seria de dois anos. E que a medida não passa de um Refis ampliado, com objetivo de repatriação de recursos. O pano de fundo da proposta de criação do tal "fundo caixa 2" é pragmático: visa ao aumento da poupança interna. Para início de conversa, o Leão faria a festa, já que estenderia suas garras a recursos até então inalcançáveis. A estimativa oficial é de que existam entre US$ 60 bilhões e US$ 100 bilhões em contas de brasileiros no exterior, quase tudo de sonegação, burla ou elisão fiscal. A configuração de um cenário com tríplice vertente de ameaça a essa prática estimula os laboratórios da Fazenda, BC e Receita Federal. Vejamos: a primeira ameaça é a espada da abertura do sigilo bancário, através da CPMF, que por enquanto é um bacilo de antraz na encubadeira da Receita, mas que pode, a qualquer momento, ser utilizada como vírus do terrorismo fiscal. A segunda, é a crescente grita dos países centrais, na esteira do fenômeno Bin Laden, contra os paraísos fiscais. Bush, Blair e até FHC já se pronunciaram a favor de um acordo multilateral para acabar com a indústria da lavagem bancária. E a terceira, é a cada vez mais provável hipótese de alternância de poder, com um Leão da Receita Federal vestindo a camisa do PT. O resto, uma boa dosagem de mídia faz. Os recursos sem origem de rendimento não seriam inteiramente perdoados. Uma pequena penitência entre 5% e 7% seria aplicada aos entrantes na economia formal. Outra questão diz respeito a necessidade de garantia por lei de que a internalização da grana não estaria sujeita a alguma espécie de vendeta do governo. Afinal, de um Estado que não honra empréstimos compulsórios e põe mão de gato na correção monetária do trabalhador e da velhinha tudo pode ser esperado. Está em discussão também se a dinheirama obtida através desse expediente seria aplicada no mercado de capitais ou destinada quase que inteiramente ao mercado de ações. Em uma das suas últimas conversas com o RR (presenciada pelo ex-diretor da CVM, Renê Garcia, antes que algum duvidolatra peça a palavra), o saudoso ex-ministro Roberto Campos considerou a medida válida e provavelmente eficaz como mais um instrumento de apoio ao aumento da poupança interna. Campos, contudo, recomendou que os recursos fossem aplicados, exclusivamente, no mercado acionário. Dessa vez, seu controverso oráculo acertou em cheio, antecipando o desmoronamento das bolsas. De qualquer forma, é curioso que dinheiro gatunado venha a servir à reconstrução de um dos pilares do capitalismo, a bolsa de valores. Ironia da História.


Revista Brasil Sempre

Revista Case Studies

Revista Insight Inteligência

Relatório nº 1747
17/10/2001

Carabiniere
O cerco a Sérgio Cragnotti vai ficar ainda mais asfixiante. A BNDESPar estuda se juntar à Previ em um processo contra o empresário italiano, que não cumpre a secular promessa de recompra de ações da Bombril.


O apostolado do câmbio informa: existe algo de esotérico nessas estranhas conversas entre a equipe econômica e o pessoal da Bacia do Prata. E é pra já.


Right man
Não se sabe se é devido ao seu talento administrativo ou à sua intimidade com potenciais compradores, como a Petrobras. Mas Joel Rennó, que vem atuando como uma espécie de consiglieri comercial da Mannesmann, estaria na mira da Confab.


Treze pontos
A RGE acertou na loteria. Graças a um acordo que está sendo costurado pela VBC com a PSEG e a Previ, a empresa receberá pesados investimentos em geração. A idéia é que a companhia produza 30% da energia que comercializa, limite permitido por lei.


Dobradinha nipônica no mercado ferroviário. A Kawasaki Heavy e Hitachi se unirão para construir uma fábrica de equipamentos em São Paulo.


Hedge aéreo
Já que o céu não está para os aviões de carreira, a Gol vai tentar escapar das perdas no setor entrando no transporte de cargas e no ramo de logística.

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