Abril tenta escrever a matéria
da sua recuperação financeira

Entre as tantas tarefas que esperam pelo novo presidente da Editora Abril, Maurizio Mauro, uma delas promete ser a mais árdua. Trata-se do processo de desmobilização de ativos, missão na qual seu antecessor, Ophir Toledo, pouco ou nada avançou. Mauro chega com a responsabilidade de conduzir duas importantes negociações: a venda do parque gráfico e entrada de um sócio na TVA. No caso da gráfica, além da canadense Quebecor, surgiu outro candidato: a norte-americana RR Donnelley, que, no passado, chegou a fazer uma due diligence na operação. A Donnelley controla cinco gráficas no país, uma delas, na cidade paulista de Vinhedo, em parceria com a Editora Globo. Mas, é pelos lados da TVA que surge a maior possibilidade de fôlego para o caixa da Abril – pressionado por uma dívida que beira os US$ 500 milhões. A Portugal Telecom, sócia do grupo no UOL – estaria, inclusive, preparando um aumento da sua participação – iniciou entendimentos para entrar na operadora de TV a cabo. O negócio depende de duas condições. A primeira é a aprovação no Congresso da presença de capital estrangeiro no setor. Além disso, a rede de cabeamento da TVA, que é o que interessa para uma empresa de telecomunicações, é muito reduzida, sobretudo se comparada à da sua grande concorrente, a Net. Ou seja: os portugueses precisarão ter disposição para investir na ampliação da malha. Ainda assim, até pelo parentesco societário que une Portugal Telecom e Abril, esta talvez seja a melhor oportunidade de encontrar um sócio para a TVA. Até agora, as gestões com outros pretendentes, como a MCI/Embratel, não renderam nem um curta-metragem para ser exibido no HBO. Para tocar estas operações, no entanto, Maurizio Mauro precisará superar um empecilho: o estilo centralizador ao extremo de Roberto Civita, que teria sido a razão fundamental para as recentes defecções na gestão do grupo – além de Ophir Toledo, o vice-presidente de finanças, Geraldo Nogueira, saiu há cerca de um mês. Por enquanto, carta branca mesmo Mauro terá para colocar em prática o plano de reestrutuação proposto pela Booz-Allen. Pelo menos, é o mínimo que se espera. Afinal, foi ele mesmo, na condição de presidente da consultoria, quem idealizou a reestruturação.


BNP e HSBC disputam derby bancário

Não chega a ser um Palmeiras e Corinthians, mas BNP e HSBC vêm protagonizando uma recente e inusitada rivalidade em terras brasileiras. O mais novo capítulo desta rixa talvez tenha inaugurado a espionagem de produtos financeiros. Há cerca de um mês, o BNP lançou um tipo de investimento – ancorado à Bolsa e para aplicações acima de US$ 5 milhões – inédito no país. Através de uma sofisticada coqueteleira financeira, que mistura mecanismos de hedge em derivativos, dólar, renda fixa e ações, o produto assegura a remuneração mesmo no caso de queda da Bolsa – os percentuais variam de acordo com o capital aportado e o risco assumido pelo investidor. Não se sabe se um James Bond especializado em assuntos financeiros entrou na história, mas o fato é que o HSBC estaria oferecendo um tipo de investimento muito semelhante. E mais: estaria tentando vendê-lo a clientes do BNP. O curioso é que o banco francês ainda não tinha feito qualquer alarde do novo produto – para se ter uma idéia, só foi oferecido a um petit comite de clientes e ainda nem foi sequer batizado. Não é de hoje que BNP e HSBC têm suas diferenças. Aliás, algumas evidências levam a crer que, se há algum tipo de rancor, ele sopra pelo lado britânico do Canal da Mancha. O HSBC ainda não engoliu os desfalques que sofreu, no mercado brasileiro, ao comprar o CCF. O estado-maior do management foi para o BNP, entre eles Bernard Mencier, hoje presidente do banco no país. Resultado: vários clientes do CCF, sobretudo na área de corporate finance, nos quais os ingleses estavam de olho, foram para o BNP.


Itamar Franco blefou quando propalou que os incentivos fiscais foram decisivos para a Fiat instalar uma fábrica de caminhões em Minas. Os italianos já tinham tomado a decisão em fevereiro, bem antes dos benefícios serem oferecidos.

Relatório nº 1746
16/10/2001

Estátua de seda
Vem aí mais chumbo grosso no fogo cruzado jurídico entre Jorge Paulo Lemann e o senador José de Alencar. A GP quer engessar a Coteminas, embargando qualquer decisão estratégica que venha a ser tomada pela empresa. O grupo alega que, na condição de virtual sócio, poderá ser prejudicado por alguma medida.


Óleo de peroba
O empresário German Efromovich não se emenda. Mesmo depois da P-36 e de toda as brigas jurídicas com a Petrobras, pediu a intervenção do ministro José Jorge para receber um "nada-consta" e participar das próximas licitações da estatal.


Prossegue o processo de desmonte da Monteiro Aranha. A Peugeot prepara um aumento de capital na subsidiária brasileira, que dizimará o pouco que o grupo ainda detém.


Porta de saída
A presença de Júlio Bozano na Cosipa está com os dias contados. A Cia. Bozano está fazendo uma avaliação da sua participação, primeiro passo para a venda das ações.


Praça Celestial
A oferta de acumular a presidência da BP no Brasil com o comando da operação chinesa foi decisiva para que Ieda Gomes recusasse o convite para dirigir a ANP.


O BNDES foi chamado às pressas para financiar – e salvar – o leilão da Celg..



Sinal vermelho
O governo negou o pedido da neozelandesa Fonterra, que queria importar produtos lácteos sem a cobrança de taxas anti-dumping.



Revista Brasil Sempre

Revista Insight Inteligência


Revista Case Studies

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