Hyundai exige herança fiscal
para descascar o abacaxi da Daimler

Há males na DaimlerChrysler que só vêm para o Ben. No caso, Ben Van Schaik, o presidente da montadora no Brasil. Até no momento em que a empresa aparenta estar perto de uma solução, surge algum infortúnio no seu caminho. É o que está acontecendo com relação ao destino da fábrica de Juiz de Fora. Embora tenha dito o contrário, a Daimler está sim negociando a unidade com a Hyundai. A questão foi, inclusive, tema de uma reunião do board, na Alemanha, realizada em 17 de setembro. Porém, a operação corre o risco de capotar. O governo mineiro deu sinais de que quer renegociar o contrato com a companhia, ceifando algumas vantagens fiscais. Se isto ocorrer, as conversas com a Hyundai dificilmente emplacam. Os coreanos já deixaram claro que só compram a fábrica se todos os incentivos tributários vierem juntos. O governo mineiro pretende reconsiderar o prazo do pagamento tanto dos empréstimos feitos à empresa como do percentual de isenção do ICMS. Nos dois casos, a quitação deve começar a ser feita em 2009, mas Itamar Franco vai tentar antecipar esta data. A justificativa é de que a arrecadação do ICMS referente à venda do Classe A entre 1998 e julho de 2001 ficou abaixo do esperado: R$ 206 milhões, contra uma estimativa, pelo menos, 50% maior. A saída de Ben Van Schaik é tentar demover o governo mineiro da idéia. Possivelmente, uma de suas alegações será a de que o próprio estado poderá perder dinheiro caso a Daimler não encontre um comprador para a fábrica. Se não conseguir, Schaik corre o sério risco de incluir mais um item no seu currículo de percalços no país: depois de prejuízos, problemas operacionais e o fechamento de uma fábrica no Paraná, cerrar as portas de uma unidade em que os alemães torraram mais de US$ 800 milhões.


Ondeo mergulha nas pequenas concessões

O adiamento do leilão da Embasa fez um strike nos planos da Ondeo. Os franceses estão redesenhando, a toque de caixa, o seu mapa de investimentos no país. Agora, em vez de focar nas grandes companhias estaduais, o grupo decidiu disputar apenas as concessões municipais de saneamento. A primeira investida já está marcada: será na Bacia de Piracicaba. O local é estratégico. É justamente na região que fica a Águas de Limeira, empresa já controlada pela Ondeo. Ou seja: a multinacional formaria um cinturão de companhias, que seriam posteriormente agrupadas para reduzir custos. Em outro front, a Ondeo investirá, ainda neste ano, aproximadamente R$ 40 milhões na Manaus Saneamento. Os recursos servirão para acelerar a modernização de estações de tratamento de água da companhia. Para não dizer que os franceses não falaram nas distribuidoras estaduais, há uma exceção à regra: o grupo está negociando com o governo catarinense a compra de 19% do capital da Casan. Porém, neste caso, uma ressalva precisa ser feita. Para fechar o acordo, a Ondeo quer que seja acertado um acordo de acionistas que lhe garanta participação na gestão da estatal.


BNDES garante a engorda da Avipal

Não se sabe se é um fortalecimento de posição ou, então, aquela velha história de engordar o boi – ou neste caso, o frango – para vender depois. O fato é que o empresário Shan Ban Chun, dono da Avipal, prepara um reforço de capital da empresa. A primeira etapa é o aumento do free float através de um IPO no Novo Mercado da Bovespa. A operação abriria caminho para a chegada do BNDES. A Avipal deverá negociar com o banco um expressivo empréstimo para a expansão das suas fábricas. Com este significativo reforço de caixa, mesmo que, eventualmente, não apareça uma expressiva oferta no meio do caminho, Ban Chun terá ainda mais fôlego para disputar o mercado com as multinacionais e, ao mesmo tempo, tirar partido do momento do setor. Graças ao binômio alta do câmbio/aumento das exportações, o faturamento da Avipal no próximo ano deve chegar perto dos R$ 2 bilhões, contra R$ 1,5 bilhão atualmente.

Relatório nº 1743
10/10/2001

He is not my son
Fim de guerra no clã dos Catão. Madame Ângela Catão, viúva de Francisco Catão - leia-se Porto de Imbituba - fechou acordo com Álvaro Luiz Catão, filho de Lurdes e Álvaro Catão, que, na verdade, era filho sim de seu marido, Francisco. Resumindo, ninguém reclama mais a herança de ninguém.


Interessada na gráfica da Abril, a Quebecor congelou a compra da Moore, que se arrasta há meses.


Osama Bin Gros
O presidente do BNDES, Francisco Gros, deve sentir uma profunda afeição pelo executivo desempregado Manoel Horácio. Ou, então, forte aversão pelo presidente de Furnas, Luiz Carlos Santos. Só sentimentos extremos explicam tanto esforço da parte de Gros para a troca da gestão na estatal. Ainda bem que não se mexe em time que está ganhando.


Lugar de ladrão
Do ex-banqueiro Aldo Floris, sobre o ex-sócio, Antônio Carlos Lengruber, em um coquetel, na última sexta-feira, para quem quisesse ouvir: "vou botá-lo na cadeia".


A Tractebel quer repetir no leilão da Copel o que fez no da Gerasul: só leva se ninguém aparecer.


Monotemático
O Itaú raspou o tacho das ações da Bunge Fertilizantes nos últimos três meses. Qualquer semelhança com a expectativa de fechamento de capital da empresa não é mera coincidência.



O vice-presidente da Santher, Ruy Aidar Filho, procurou o RR para esclarecer que não há qualquer negociação com a Votorantim.



Revista Brasil Sempre

Revista Insight Inteligência


Revista Case Studies

leia já | opiniões | assinatura | pesquisa | arquivo | fale conosco