BB faz liquidação das suas participações acionárias

Pelo menos desta vez, o Tesouro não vai pagar a conta. O próximo reforço de caixa no Banco do Brasil virá do próprio Banco do Brasil, ou, mais precisamente, da venda de suas participações acionárias. Depois de vários estudos, a instituição finalmente definiu a reestruturação da carteira de participações acionárias do BB-BI, seu braço de investimentos. À exceção da presença em atividades financeiras, o banco venderá todas as suas ações em outras empresas. Serão negociados 49,99% da Multi-Rio Operações Portuárias, 20% da Kepler Weber, 19% da Hidrelétrica Itapebi e 6,9% da Celpe, as duas últimas controladas pela holding Guaraniana. Se, por um lado, o BB já sabe o quê vender, uma outra questão ainda é uma grande incógnita: quando? O presidente do banco, Eduardo Guimarães, não pretende se desfazer de todas as participações simultaneamente, até porque a área técnica ainda está elaborando relatórios sobre o potencial de valorização das ações até o fim do ano. Mas este é apenas um entrave burocrático. O que deve atrasar mesmo a operação são as crises diplomáticas que cercam a operação. No caso da Guaraniana, acertar o preço com a Iberdrola, sócia da empresa e pretendente ao negócio, é a parte mais complexa. O BB e o grupo espanhol vivem às turras. Em um primeiro lote, além das ações na Celpe e na Itapebi, o banco deve vender também sua participação na Kepler Weber. Neste caso, a operação deve ser casada com a negociação das ações da BB DTVM. A Previ é o mais forte candidato a comprá-las – a fundação já teria planos de, mais à frente, repassá-las a um grupo internacional. Sobraria a Multi-Rio, que deverá ser vendida no próximo ano. Bem, isso é o que planeja o banco. O problema é que a operadora portuária promete ser o estorvo desta engenharia. Primeiro, trata-se de uma das maiores participações do BB, quase metade do capital. Além disso, até onde os olhos podem ver, não há qualquer sinal de comprador. Tanto que, neste caso, a instituição já tem uma tática no banco de reservas: se, em um determinado período, não conseguir negociar a empresa, deverá fatiar o negócio e vender em partes.


Americanas tenta
acessar o lucro na internet

Até agora, a Lojas Americanas só conheceu um lado da internet: o prejuízo.com. Por isso, seus acionistas estudam várias medidas para reverter este quadro e, de preferência, antecipar o break-even, previsto para novembro de 2002. A primeira mudança em análise é um novo aporte de capital, que seria feito pelas Lojas Americanas e acompanhado pelos fundos de investimento acionistas da empresa, como os norte-americanos JP Morgan Partners e Flatiron Partners. Existe até a possibilidade de todos estes fundos, que juntos detém cerca de 33% do capital, ampliarem sua presença. Outra importante etapa passa por uma solução caseira da GP. O grupo avalia a viabilidade de uma parceria operacional entre o Americanas.com e a ALL, outra de suas subsidiárias. No limite, até mesmo a Ferropar, na qual o grupo também tem uma participação, entrará no acordo. A intenção é injetar ainda mais poder de fogo na estrutura de logística do portal. Além da possibilidade de transporte para algumas regiões, a custos mais baixos, o Americanas.com poderia se aproveitar também da capacidade de estocagem da ALL. É bem verdade que o faturamento do Americanas.com tem subido significativamente nos últimos meses. Só no primeiro semestre deste ano, a empresa já igualou a receita em torno de R$ 23 milhões apurada em 2000. O problema continua sendo o prejuízo financeiro e operacional. Para este ano, as perdas totais da empresa devem passar dos R$ 16 milhões.


Se depender do ministro José Jorge, não haverá leilão para a construção da hidrelétrica Belo Monte, no Pará. O ministério venderia pedaços do capital do consórcio que vai operar a usina. Para aumentar ainda mais o interesse de investidores, pretende negociar antecipadamente com a Eletronorte e a Chesf a maior parte dos 11 mil MW que serão produzidos pela geradora.

Relatório nº 1738
3/10/2001

In loco
Uma tropa de executivos da Dassault, Aerospatiale e Thomson está prestes a desembarcar na Embraer. A via- gem, marcada às pressas, mostra o quanto a perda de contratos da empresa doeu fundo nos franceses.


Inimigo meu
O ministro Pimenta da Veiga não perde uma chance de mostrar seu desafeto pelo presidente da Anatel, Renato Guerreiro. As críticas da vez se concentram na intenção de Guerreiro em lançar um pacote de ajuda às combalidas empresas-espelhinho.


A Telecom Italia manteve conversas com os principais minoritários da Tele Nordeste Celular. O assunto? Adivinhão. Recompra de ações e fechamento de capital.


Meia-volta, volver
A neozelandesa Fonterra, antiga New Zealand, está fora da disputa pelos 49% da Itambé. Motivo: seu acordo com a Nestlé, concorrente direto da empresa mineira.


Fim da linha
A Bombardier suspendeu todos os investimentos previstos no mercado metroviário brasileiro. Ao menos, até a poeira de Nova York baixar.


Ex-presidente do Carrefour no Brasil, Jean Duboc, hoje na diretoria da TAM, está sendo sondado pelo Sonae.



Trem de pouso

A alemã Hochtief vai disputar a construção e operação de aeroportos no interior de São Paulo. A primeira parada deve ser o segundo terminal de São José dos Campos.





Revista Brasil Sempre


Revista Insight Inteligência


Revista Case Studies

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