Telefónica paga um alto
preço pela trégua na CRT

Quanto custa escapar de um imbróglio jurídico com uma tropa de minoritários e de um eventual processo da CVM? Para muitos, não tem preço. Porém, no caso da Telefónica de España, algo entre R$ 350 e R$ 400. Este é o valor que os espanhóis estudam para uma oferta pública de recompra de ações da CRT Celular, que poderá ser anunciada em breve. Desta vez, não seria apenas mais um dos tantos fechamentos de capital em moda na Bovespa. Mas sim uma forma da Telefónica sair sem maiores arranhões da mal-explicada história da troca de ações da CRT pelos seus BDRs. Não custa lembrar: em 13 de setembro, o grupo comunicou que a operação sofreria um atraso, mas estava confirmada. No dia seguinte, anunciou secamente o cancelamento da troca, provocando um pandemônio no mercado. As ações da CRT caíram 70% Resultado: um grupo de minoritários, dono de mais de 10% da operadora gaúcha, está acionando a Telefónica na CVM. E a própria autarquia, por sua conta, está apurando o episódio. Se a estratégia de recompra vai ser suficiente para acalmar os minoritários e, por conseqüência, evitar maiores problemas junto à CVM, só o tempo dirá, mas os espanhóis estão debruçados sobre o projeto. O valor entre R$ 350 e R$ 400 representaria um ágio de até 110% sobre o valor patrimonial da CRT. Não há qualquer generosidade nesta matemática. Na verdade, a Telefónica estaria oferecendo apenas 30% sobre o preço negociado em Bolsa – hoje na casa dos R$ 300 e, portanto, muito acima dos R$ 189 de valor patrimonial, que normalmente serve como referência para recompra de ações. Ainda assim, ao contrário do que possa parecer, o "cala-boca acionário" também está longe de ser um bom negócio para a Telefónica. Isso porque, com a troca de ações da CRT por BDRs, os espanhóis não teriam que colocar a mão no bolso. Com a recompra, a história muda de figura. Mais complicado ainda é que o grupo não tem muita escolha. Afinal, sem o fechamento de capital da operadora, o que era para ser a sua obra-prima contábil – juntar suas subsidiárias no país em uma só companhia – não passará de um mal rabiscado esboço.


BNDES aperta o torniquete
na ADA e na Adene

O governo não vai esperar pela conclusão dos inquéritos abertos pelo Ministério Público para apurar irregularidades na Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) – antiga Sudam – e na Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene) – antiga Sudene. Está montando uma brigada para estancar as sangrias nos financiamentos das duas entidades. E a responsabilidade vai cair no colo do BNDES. Os ministros Pedro Sanguinetti Ferreira, da Integração Nacional, e Sérgio Amaral, do Desenvolvimento, receberam a missão de costurar a operação, que fará do banco uma espécie de interventor branco na ADA e na Adene. Todos os financiamentos das instituições serão revistos e o BNDES vai elaborar novos critérios de aprovação dos projetos. Aliás, a partir de um determinado valor, somente serão aceitos depois de serem filtrados pelo banco. Não está descartada a hipótese do próprio BNDES entrar como parceiro das duas instituições em algumas empreitadas de maior porte. Na verdade, esta medida seria apenas o primeiro passo de uma mudança muito maior: a transformação do Ministério da Integração Nacional em uma Secretaria do Desenvolvimento. A nova secretaria teria embaixo o BNDES, ADA, Adene e outras agências que serão criadas. O banco passaria a trabalhar em rede com essas entidades e teria acesso irrestrito a todos os dados dos financiamentos em caráter permanente. Existe ainda a possibilidade das duas agências passarem a ser subordinadas ao BNDES.


A Votorantim está antecipando para o início de 2002 a ampliação da planta da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA). Os Ermírio de Moraes já falam em uma produção de 400 mil toneladas de alumínio por ano – o plano inicial previa um aumento da capacidade para algo em torno de 300 mil toneladas.

Relatório nº 1737
2/10/2001

Trem-fantasma
Os controladores da Ferroban – Previ, Funcef, Constram, BNDESPar – seguem à cata de um mata-borrão para os prejuízos da empresa. Agora, estudam colocá-la debaixo da Ferropasa. Antes, no entanto, terão que convencer seus sócios na operadora.


A alemã RWE montou uma blitzkrieg no Paraná. Candidata à Copel, já estuda a compra da Compagás.


Próximo da lista
O governador Almir Gabriel vai tirar da gaveta a privatização do Banpará. A decisão, porém, ainda depende de um acordo com o BC.


Cartão vermelho
O empresário Adelino Colombo, dono das Lojas Colombo, aumentou a oferta para comprar a parte de Miguel Ângelo Maggioni na Farroupilha, uma administradora de consórcios. É mais uma tentativa de se livrar do “sócio”, com quem briga na Justiça.


Virou epidemia.
Após Previ e Funcef, agora é a Sistel que estuda vender participações em empresas de telefonia.


Busca frenética
O presidente da Eletrobrás, Cláudio Ávila, parece um integrante das equipes de salvamento de Nova York. Está revirando a contabilidade da empresa para encontrar créditos fiscais que ajudem a cobrir o passivo.



Donativo
O governador Geraldo Alckmin vai roer o osso e deixar o filé para o sucessor. Autorizou a renegociação da dívida de curto prazo da Cesp Paraná, o que a deixará pronta para a venda após 2002.




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