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“Nova
Cosipa” não encontra a cura para os velhos problemas
Em O Doente Imaginário,
Molière escreveu que “quase todos os homens morrem de seus remédios, e não de
suas doenças”. Certamente, a Usiminas não corre o risco de desencarnar por causa
da reestruturação da Cosipa, mas o que parecia ser um santo elixir para a combalida
saúde financeira da siderúrgica paulista até agora não surtiu o efeito desejado.
A chamada “Nova Cosipa” de nova não tem quase nada. Muito pelo contrário. Segue
às voltas com velhas e conhecidas moléstias. Neste ano, as despesas operacionais
devem bater na casa do meio bilhão de reais, contra R$ 370 milhões em 2000. A
transferência de R$ 1 bilhão em dívidas para a Usiminas, que parecia ser o pulo
do gato, também não ajudou muito. Os custos financeiros, sobrecarregados pela
manutenção do passivo que ficou, praticamente quadriplicaram: R$ 400 milhões só
no primeiro semestre. Por tudo isso, já existem sinais de insatisfação entre os
sócios da Usiminas, notoriamente a Previ e a Camargo Corrêa. No caso da construtora,
a situação é ainda mais delicada, já que na própria empresa há uma pressão para
a venda de algumas participações. A Cia. Bozano, Simonsen, acionista direta da
Cosipa, também estaria na linha de frente dos descontentes. Resultado: os acionistas
da Usiminas voltaram a falar em uma solução sempre aventada e postergada: a incorporação
definitiva da Cosipa. Esta sempre foi considerada na Usiminas uma medida quase
de guerra. Por isso, a empresa optou há cerca de três anos por uma providência
mais branda: dividir a Cosipa e assumir parte da sua dívida e algumas instalações
deficitárias. Só que o remédio não só mostrou-se um placebo para a empresa paulista
como começa a trazer problemas para a própria Usiminas. Ao engolir R$ 1 bilhão
em dívidas, a empresa passou a arcar com um custo financeiro maior, justamente
em um período em que seu lucro caiu de R$ 33 milhões no primeiro semestre de 2000
para R$ 8 milhões neste ano. O problema é que, agora, mesmo que queira incorporar
a Cosipa, a Usiminas terá enormes dificuldades, ironicamente causadas pelo remédio
com que medicou a empresa. A cisão da companhia vem sendo judicialmente contestada
pelos minoritários e a operação ainda está sendo analisada pela CVM.
Repsol
e Agip entram na órbita da SatéliteRepsolYPF
e Agip estão se engalfinhando em um ringue montado no Rio Grande do Norte. O objeto
de disputa é a distribuidora de combustíveis Satélite. Transformada em sociedade
anônima, em maio deste ano, a companhia está dando os últimos retoques para abrir
o seu capital em bolsa até o próximo ano. O IPO será feito no Novo Mercado. É
justamente nesta parte da história que entram Repsol e Agip. Simultaneamente à
entrada em bolsa, a Satélite pretende vender parte do seu capital para um grupo
estrangeiro. As conversas com as duas multinacionais, porém, esbarram em um complicador:
os dois grupos querem comprar o controle da empresa. Já a família Ribeiro Alecrim,
controladora da Satélite, pretende ofertar um quarto do capital em bolsa e dividir
o restante com um novo sócio. Mas quer permanecer com, pelo menos, 51% das ordinárias.
Além disso, há um outro empecilho. Repsol e Agip já demonstraram interesse em
hastear suas bandeiras na rede de postos, fato com o qual os controladores da
Satélite não concordam. Se quiserem vencer a briga, Repsol e Agip terão que encher
o tanque na hora da oferta. A Satélite está preparando uma engorda operacional
que inflará ainda mais o seu valor de mercado. Até o fim do ano, a empresa chegará
aos 500 postos e já planeja a abertura de mais 250 nos próximos três anos. Este
crescimento dará à empresa a liderança no mercado de segunda linha, que exclui
as gigantes do setor.
Nesse
ritmo, a usina Angra 3 não sai do papel nem que FHC tivesse um terceiro mandato.
O ministro Pedro Parente autorizou a realização de uma nova avaliação econômico-financeira
do projeto. Será a terceira vez que este trabalho é feito – a Iberdrola e a francesa
EDF já apresentaram estudos semelhantes, que, só para lembrar, apontaram para
a viabilidade da construção da usina. |
Relatório
nº 1733 26/09/2001 Breakfast
A Nestlé fez uma oferta à Nabisco
para levar toda a divisão de leite da Fleischmann & Royal no Brasil.
Carochinha
O empresário Sergio Cragnotti
comunicou aos acionistas da Bombril que está negociando com dois bancos europeus
um financiamento para realizar a tão prometida recompra de ações. Não convenceu.
A Previ, por exemplo, ficou com a impressão de que Cragnotti está apenas ganhando
tempo.
Ex-diretor financeiro do Banco do Brasil, Vicente Diniz está cotado para assumir
um cargo em outro banco estatal.
Buzinaço
Há uma carreata rumo à sala
do presidente da GM, Walter Wieland. Os revendedores estão se articulando para
pleitear à montadora uma nova redução da produção, pelo menos o suficiente para
o escoamento dos veículos ainda encalhados.
Desembarque
O fundo de investimento American
Gas Index, com mais de US$ 300 milhões em ativos, está chegando ao Brasil para
investir na construção de termelétricas.
A
Toyota tem interesse em comprar a fábrica da DaimlerChrysler em Juiz de Fora.
Mas só se as vantagens tributárias dadas pelo governo mineiro vierem a reboque.
Idéia fixa
A Cemig voltou
a assediar a italiana Enel. Mais uma vez, a empresa mineira tenta entrar, como
minoritária, na térmica de Sepetiba.



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