International Container faz
um arrastão no litoral brasileiro

A International Container Terminal Services (ICTS), um dos maiores operadores portuários do mundo, quer fincar âncora em toda a costa brasileira. A ordem é entrar nas principais regiões do país, criando uma multiplex portuária. Para isso, a companhia está trazendo mais de US$ 100 milhões em investimentos. Tudo bem que não é um maremoto de divisas, mas já dá para regar as reservas cambiais. Para começar, a ICTS, controlada por investidores norte-americanos e filipinos, investirá cerca de US$ 50 milhões na modernização do terminal de contêineres do Porto de Suape, em Pernambuco. O BNDES e o International Finance Corporation, leia-se Bird, também participarão do projeto. Mas estes são apenas os planos de proa da ICTS. A história é muito mais comprida. O próximo passo já está escolhido: o grupo vai disputar a operação de armazenagem dos portos de São Francisco do Sul e de Itajaí, em Santa Catarina. Se vencer a licitação, o grupo reunirá todas as concessões em uma holding de logística portuária. O passo seguinte é a criação de joint ventures com operadores de ferrovias. Na mira, parcerias com a Centro-Atlântico e a Companhia Ferroviária do Nordeste. Por trás do acordo, está uma tentativa de abalroar os planos do Porto de Pecém, no Ceará. Há uma disputa velada pelo privilégio de escoar a produção da fábrica que a Ford está construindo na Bahia. Com as associações, a ICTS e o Porto de Suape sairiam bem na frente. A empresa planeja ainda vender parte do capital desta holding para fundos de private equity e um grupo nacional que produza equipamentos portuários. Feito isso, a ICTS já estaria nas Regiões Sul e Nordeste. Ficaria faltando apenas o Sudeste. Pois preencher esta lacuna é só uma questão de tempo. A companhia vai fazer uma oferta de troca de ações com a Multicar Rio Terminais, operadora do porto do Rio. Com isso, fecharia o cerco ao litoral brasileiro. O próximo passo seria fazer um IPO na Bovespa para pulverizar parte do capital da holding, dentro da estratégia de capitalizar investidores para uma companhia de logística, inclusive com uma ramificação no B2B.


BEG vira a jóia da coroa do segundo grupo

Enquanto o Besc não vem e a venda do Banrisul ainda esbarra nas idiossincrasias de Olívio Dutra, uma instituição surge como uma espécie de campeã do Grupo B da banca estadual: o Banco do Estado de Goiás (BEG). Além do Bradesco e do Itaú, que já confirmaram seu interesse, pelo menos dois novos candidatos levaram ao BC sua disposição de entrar no leilão: o HSBC e o ABN-Amro/Real. Os dois bancos já destacaram equipes para levantar os números do BEG – papers têm sido enviados regularmente para as respectivas matrizes. Já teriam inclusive feito simulações de ágio em cima do preço estimado para o leilão: algo próximo dos R$ 300 milhões. É bem verdade que a dupla é useira e vezeira em tirar o corpo-fora de leilões na Hora H. Porém, a tática do refugo já não condiz com quem reiteradas vezes afirma estar sempre disposto a ampliar sua operação no país. Até porque, a chance de crescer às custas dos bancos estaduais já está se esgotando. Com relação ao ranking bancário, quem ganharia mais com a aquisição é o HSBC. Em ativos, a instituição britânica alcançaria o Safra e ficaria nos calcanhares do BankBoston. Já o ABN permaneceria onde está, a léguas e léguas do Unibanco, com mais de R$ 20 bilhões em ativos de frente. No entanto, quando o assunto é a capilaridade da rede, ingleses e holandeses têm muito a ganhar com o BEG. Com as 186 agências da instituição goiana, o HSBC chegaria a 1,1 mil pontos de atendimento. O ABN/Real encostaria na marca de 900 agências, praticamente o mesmo número do Unibanco.


Se era sócio privado que estava faltando para a construção da usina de Belo Monte, agora o governo não tem mais desculpa. Depois da Hydro Quebec, agora foi a American Electric Power que se mostrou disposta a entrar no projeto. Os norte-americanos levariam a tiracolo o Grupo Rede.

Relatório nº 1727
18/09/2001

Game over
A Previ pretende contratar um banco para avaliar suas participações no Playcenter e no Hopi Hari. Daí, para vender as ações, é um pulo.


A seguradora espanhola Mapfre é o mais novo grupo internacional a bater na porta da Porto Seguro.


Gripe espanhola
Uma epidemia se alastrou sobre os planos da Telefónica de reestruturação societária no país. Além de cancelar a recompra de ações da CRT, também foram suspensos os estudos para uma oferta pública na Telesp fixa, esta sim uma operação bem mais aguardada pelos espanhóis.


Há um clima de flerte entre a Sanyo e a Intelbrás, maior fabricante nacional de equipamentos telefônicos, e que, há tempos, procura uma alma gêmea.


Nada-consta
O GP respira aliviado. Nesta semana, a Anatel vai finalmente aprovar a mudança de controle na Convexx, com a redução da participação direta e indireta do grupo para menos de 20% do capital total da companhia. Com isso, por ora, o GP não será obrigado a deixar a empresa.


Trem da vida
Após saltar da Supervia, a Renfe suspendeu também o projeto de entrar na operação do trem urbano de São Paulo, e está arrumando as malas para voltar à Espanha.

A italiana ATM está circulando pelos trilhos do Metrô de São Paulo de olho na licitação para a operação da Linha 4.



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