BNP a um passo de entrar no “banco dos homens públicos”

Primeiro, foi Henri Philippe Reichstul. Depois, João Sayad. Agora, tudo indica que chegou a vez de Francisco Luna deixar o que bem poderia ser chamado de o "banco dos homens públicos". Luna e o American Express Bank estariam negociando a venda do Banco Inter American Express. Do outro lado do balcão, quem surge como principal candidato é o Banque Nationale Paribas (BNP). Inicialmente, os franceses demonstraram interesse apenas na carteira de fundos de investimentos do Inter American – dentro da estratégia de comprar divisões de asset management no país – porém as negociações avançaram para todo o banco. Existem alguns caminhos em estudo. Um deles seria a venda integral da participação do banqueiro e do grupo norte-americano. Outra hipótese é a saída apenas da American Express e venda de uma parcela das ações de Luna, que permaneceria no banco como minoritário. Nos dois casos, em comum, a saída dos norte-americanos. Afinal, os destoantes interesses da American Express e do BNP pouco sugerem uma coexistência sob o teto do Inter American. Não é de hoje que o BNP ensaia uma aquisição no país. Não custa lembrar que, já com o negócio fechado, o banco francês voltou atrás e desistiu de comprar o Fonte-Cindam, o que só teria conturbado de vez a situação financeira da instituição. O refugo, inclusive, rende até hoje um processo dos donos do Fonte-Cindam contra o BNP. Se desta vez passarem do verbo para a ação, os franceses ampliarão seus ainda tímidos negócios no país. O maior benefício seria na administração de recursos – o BNP pularia dos R$ 2,3 bilhões para algo perto dos R$ 3 bilhões. As áreas de tesouraria e corporate banking também aguçam os olhos do banco europeu. Nos últimos meses, o Inter American Express participou de importantes operações, como a privatização de empresas elétricas e do Banespa, além de liderar várias captações de recursos para outros clientes corporativos. Embora o Inter American Express vá muito bem, obrigado, não há como negar que a saída de Reichstul e, mais recentemente, de Sayad, enfraqueceu o que o banco tem de melhor: a placa dos seus controladores, hoje, no que diz respeito ao trio inicial, restrita a Francisco Luna. Nas últimas semanas, o próprio banqueiro esteve cotado para acompanhar Reichstul e assumir uma diretoria na Petrobras, o que evidencia uma disposição para deixar o Inter American.


Kempinski faz do Hotel Glória seu novo lar

Após longas e frustradas negociações, a Viação Cometa e a família Tapajós estão perto de vender um dos maiores hotéis do Rio de Janeiro, quase um símbolo da cidade. Trata-se do Hotel Glória. A alemã Kempinski Hotels & Resorts fez uma oferta de US$ 20 milhões. O presidente mundial do grupo, Reto Wittwer, está no Brasil e até o dia 12 de outubro, data da sua partida, espera fechar o negócio e, de quebra, acertar a construção de um hotel em São Paulo. A Kempinski é a maior operadora mundial de hotéis seis estrelas e pretende investir cerca de US$ 30 milhões para reformar o Glória e colocá-lo à imagem e semelhança do seu padrão mundial. A negociação só não foi fechada ainda devido às condições impostas pela Kempinski. Os alemães querem levar a operação e o próprio imóvel juntos, além de comprar a totalidade do capital. Como esta é a melhor chance que apareceu para passar a unidade adiante, é provável que a Cometa e a família Tapajós acabem vencidas pelo cansaço. Negócio fechado, o Glória será o principal ativo da Kempinski no país. A princípio, o grupo germânico planeja ter quatro hotéis em toda a América do Sul. É bem possível que, além do Glória e do hotel que será construído em São Paulo, o grupo instale mais um em terras brasileiras.


O BNDES decidiu colocar à venda a Compesa, empresa de saneamento de Pernambuco. A privatização sairá até o início de 2002. O banco está disposto a vender a empresa sem esperar pela aprovação da lei de diretrizes do setor, que só tem atrasado a privatização das companhias de saneamento.

Relatório nº 1726
17/09/2001

Carma
Bem que, a esta altura, Dona Lily Safra gostaria de estar longe do Ponto Frio. As perdas da rede varejista neste ano já teriam passado dos R$ 20 milhões.


O Banco Modal está dando os últimos retoques na reestruturação do grupo Pem Setal. Sairão do papel uma holding e sete empresas.


Missionário
O futuro de Antônio Maciel à frente da Ford está estritamente ligado à recuperação do terreno perdido para a Renault e a Peugeot nos últimos meses.


A EDP está com um pé fora do leilão da Copel e outro cada vez mais dentro nas próximas licitações de hidrelétricas que serão realizadas pela Aneel.


Alça de mira
Ávida em investir na distribuição e revenda de combustíveis no país, a venezuelana PDVSA está com os olhos grudados na Equatorial. Trata-se de uma rede de postos com forte presença na Região Norte.


É muito provável que o empresário Marcos de Moraes, ex-Zipnet, acompanhe as investidas da Portugal Telecom em transmissão de dados no Brasil.


Pilatos
O ministro Eliseu Padilha tratou de se livrar de uma batata incandescente. Está transferindo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres, ainda em gestação, a decisão de extinguir algumas concessões ferroviárias. São empresas com sérias dificuldades para cumprir as metas do contrato de concessão.



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