Endesa quer dividir sua história
em antes e depois da Copel

Uma rosa é uma rosa é uma rosa é uma rosa... Porém, no caso da Endesa, o leilão da Copel é muito mais do que um leilão. Se arrematarem a distribuidora paranaense, os espanhóis farão uma brusca mudança de rota no país. Para começar, o grupo pretende negociar a Coelce e a Cerj, até agora seus dois principais negócios no mercado brasileiro. Na lógica hispânica, com um gigante na mão como a Copel para quê seguir em dois negócios menores? Pelos planos da Endesa, cerca de 80% dos seus investimentos em geração de energia elétrica no Brasil passarão pelo Paraná. A partir da Copel, serão construídas hidrelétricas e termelétricas. Os recursos provenientes da venda da Coelce e da Cerj serão destinados justamente para estes projetos. Poucas vezes uma privatização do setor elétrico foi tão determinante para a estratégia de um grupo internacional. Mas para que tantos planos saiam do papel, a Endesa vai ter que caprichar no ágio no leilão da Copel. Para isto, está montando uma robusta operação financeira. Parte do capital sairá do seu próprio caixa. Uma outra considerável parcela virá de um sindicato de bancos europeus que trabalham com a companhia na Espanha. Além disso, a Endesa está negociando parcerias com fundos de investimento e de pensão, alguns europeus. Todo o cuidado é pouco. Afinal, como se sabe, leilão de privatização é um envelope de surpresas. A Endesa já planejou até o passo seguinte ao leilão da Copel. Os espanhóis decidiram, por exemplo, que não ficarão com toda a companhia. Passado o prazo de três anos para a venda de subsidiárias, estipulado no edital, o grupo vai se desfazer das linhas de transmissão e da operadora de telecomunicações, ficando apenas com a geradora e a distribuidora. Antes disso o objetivo é fechar parcerias com grupos interessados nessas unidades, que comprariam blocos minoritários de ações da Copel e seriam responsáveis por gerir a transmissão de energia elétrica e de dados. Além disso, a Endesa já planeja recomprar as ações em mercado da empresa e mais os títulos que pertencem à Eletrobrás.


A prefeita Marta Suplicy está disposta a colocar água na privatização da Sabesp. Se for mantida no projeto de lei do saneamento a cláusula que dá aos municípios a concessão no setor, a capital paulista deverá rescindir o contrato com a Sabesp. Sem o município, a empresa perde boa parte do seu charme.


Arno aspira o controle da Moulinex

Se na França, o destino da concordatária Moulinex ainda é cercado de reticências, no Brasil a crise da empresa está bem mais perto de um ponto final. A Arno estuda adquirir a operação da empresa no país. Ressalte-se que o grupo francês SEB, controlador da Arno, também vem sendo apontado como um candidato à aquisição da Moulinex na Europa. Esta, porém, é uma negociação muito mais demorada – não só pela complicada situação financeira da companhia, mas, sobretudo, porque possivelmente o acordo ainda precisará da aprovação do governo francês. Como solução, a SEB avalia realizar a operação isoladamente em terras brasileiras, através da Arno. A estrutura da Moulinex no país pode facilitar esta negociação paralela. Basicamente, sua operação se resume à Mallory, adquirida há três anos. Pois seria justamente esta marca e as duas fábricas que seriam vendidas e não toda a subsidiária, o que dispensaria uma aprovação da Justiça francesa. A Moulinex brasileira não escapou da grave crise financeira da matriz – a empresa não conseguiu levantar cerca de US$ 90 milhões para pagar dívidas de curto prazo e, por isso, pediu concordata. Está fechando a fábrica paulista e transferindo toda a sua produção para o Ceará. Mesmo com estes problemas, trata-se de um negócio dos mais atraentes para a SEB. Além da sinergia operacional – em comum a fabricação de eletrodomésticos como liqüidificador e batedeiras – a Moulinex produz um equipamento no qual a Arno quer avançar: aspirador de pó. A competição neste mercado ficou mais acirrada depois que a Polti lançou o Vaporetto no Brasil e a Electrolux passou a fabricar produtos a preços populares.

Relatório nº 1723
12/09/2001

The day before
Às vésperas da hecatombe mundial, o Planalto tomou uma importante decisão: o governo levará à votação no Congresso em caráter de urgência urgentíssima o projeto da nova Lei das S.A. e a desconstitucionalização do Artigo 192 da Carta Magna, que regulamenta o sistema financeiro.


O Vanguard Gold & Precious Metal, que administra mais de US$ 500 milhões em todo o mundo, está negociando a compra de alvarás de pesquisa e lavra de ouro em Goiás.


Mesa farta
A Danone, que já controla a Aimoré e a Triunfo, planeja incluir também a Mabel no seu café da manhã.

Por falar em Danone, o grupo negocia a compra de unidades da Paulista. São indústrias que ficaram de fora do primeiro acordo, quando os franceses compraram marcas e uma fábrica da Paulista.


Saideira
A belga Interbrew apresentou uma oferta pela Kaiser. O problema é que o dote não passaria dos US$ 600 milhões, valor pelo qual as engarrafadoras da Coca-Cola – sócias da cervejaria e principal empecilho à negociação – não aceitam conversar.


A Motorola comunicou à Anatel: riscou do mapa qualquer investida em empresas de telecomunicações no país. A partir de agora, só venda de equipamentos.


Quatro mãos
O BBA-Credistanstalt costura com o BB a criação de uma trading, fifty to fifty, para a comercialização de produtos agrícolas.



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