Securitização de recebíveis
coloca Supervia nos trilhos

Surgiu uma luz no fim do túnel para os controladores da Supervia – o Banco Prosper e um fundo de investimentos de capital inglês e norte-americano, administrado pelo Pactual. E, pelo menos desta vez, não é um trem de prejuízos vindo no sentido contrário. A empresa prepara uma operação de securitização de recebíveis. É a peça que falta – no caso a garantia – para que, de uma vez por todas, saia o financiamento de R$ 370 milhões acertado com o BNDES. Até mesmo a contrapartida do governo fluminense já foi aprovada. Que não se enxergue nesta decisão do governador Anthony Garotinho qualquer bonomia ou generosidade com a Supervia. Na verdade, ele está sim é se livrando de um possível problema mais à frente. Os controladores da empresa vinham estudando entregar a concessão ao estado e sair definitivamente do negócio. Chegaram até a sondar o governo do Rio, que deixou bem claro não aceitar a devolução. Além disso, a Supervia acaba de realizar uma mudança emblemática. A empresa rescindiu os contratos que mantinha com a Renfe, responsável pela operação, e com a CAF que fazia a manutenção. Este último acordo em particular era no mínimo uma grande contradição para uma empresa sem lucro operacional. A Supervia se comprometia a pagar uma remuneração fixa mensal à CAF, independentemente da receita obtida. Com os cortes operacionais e, sobretudo, o dinheiro do BNDES, a Supervia espera sair do córner em que se encontra. Há vários meses, a empresa segue no chamado undertrading, ou seja, quanto mais opera mais entra no vermelho. Resultado: entre dívidas e investimentos dos sócios, o prejuízo já passa dos US$ 200 milhões. Outras medidas estão em curso na empresa. Hoje, o comando está restrito ao presidente Paulo Belo e a duas diretorias. A estrutura ganhará mais duas pastas, operação e manutenção. A Supervia também está tentando fechar um acordo com empresas de ônibus para evitar uma concorrência predatória em determinadas regiões. A companhia ainda receberá do estado 80 carros com ar- condicionado nos próximos dois anos. Outros 48 estão sendo recuperados e deverão voltar à operação já em 2002, o que duplicará a frota. Agora, só falta encontrar um novo operador. Já houve sondagens junto à RATP, concessionária do metrô de Paris, mas as dívidas da Supervia impediram um acordo.


Prejuízo que sopra na Argentina, venta no Brasil. Pressionado pelas perdas que vem enfrentando em sua terra natal, o fundo portenho Exxel suspendeu novos investimentos no país. Ou seja: foram para o espaço as negociações para a compra de empresas de alimentos, moinhos e até mesmo as articulações para participar dos leilões das companhias de saneamento.


Doux adota regime de baixas calorias

Nem só de pratos extremamente calóricos é feito o cardápio de aquisições da Doux no Brasil. Os franceses, que vêm flertando com grandes indústrias de congelados, estão perto de degustar dois pratos bem mais light. O grupo negocia a compra de duas empresas de médio porte: a gaúcha Minuano e a paulista Sertanejo. Hoje, a Doux, que já controla a Frangosul, fatura cerca de R$ 600 milhões no país. Com as aquisições, sua receita passaria dos R$ 800 milhões. Além do aspecto financeiro, o grupo francês ganharia considerável escala industrial, arma importante nestes tempos em que Sadia e Perdigão se aproximam cada vez mais. Só a Minuano, por exemplo, tem dois modernos abatedouros, duas granjas e uma central de incubação. Além deste quesito, os dois frigoríficos ainda tra- riam outras vantagens para a Doux. Ambas as empresas têm uma significativa presença no mercado, sobretudo no interior do país. O que pode beneficiar a Doux nas negociações são as dificuldades dos frigoríficos de capital nacional de concorrer com os estrangeiros que estão entrando no setor. É o caso da Minuano. A Minupar, sua controladora, teve uma queda de receita de quase 20% em 2000. Nos últimos dois anos, apresentou um prejuízo de aproximadamente R$ 26 milhões.

Relatório nº 1720
6/09/2001

Um pé fora
Parece que a pressão compradora do Wal Mart começa a dar resultado. A Lojas Americanas está levantando quanto vale sua parte na subsidiária dos norte-americanos no Brasil.


Aguarda-se nos próximos 60 dias boas, aliás, excelentes notícias para o grupo Gazeta Mercantil.


Terraplenagem
Além da Tele Nordeste, a Telecom Italia está acelerando o fechamento de capital da Tele Celular Sul. Só após as duas operações é que partirá para a consolidação dos ativos em uma só empresa.


A Matsushita voltou a assediar a Embraco, controlada pela Whirpool.


Blockbuster
Quando – e se – a Agência Nacional de Transportes vai sair do papel talvez só Deus saiba. Ainda assim, é uma campeã de bilheteria no quesito “indicações de nomes”. O ministro Eliseu Padilha não agüenta mais tanta pressão para nomear apadrinhados de várias legendas.


Grão em grão
A norte-americana IMC Global, que há pouco mais de um ano andou tentando comprar empresas de fertilizantes no país, mudou a rota: está negociando agora a aquisição de distribuidoras de sementes.


A fábrica de Campo Largo, no Paraná, deverá ganhar companhia em breve. A DaimlerChrysler estuda fechar também a unidade da Mercedes em Juiz de Fora, nem que seja apenas temporariamente.



Revista Brasil Sempre

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Revista Case Studies

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