Morte e vida Metrophone

A Metrophone morreu. Viva a Metrophone! Quem diria, mas a empresa de trucking e celular, que fechou suas portas há pouco mais de dois meses infestada de problemas financeiros e operacionais, vai ressuscitar. A norte-americana Mcom Wireless e a mexicana Mcomcast – que tem entre seus sócios Macau, GP e a Carso, dona da Telmex – decidiram reabrir a finada companhia. Isso significa que os sócios, incluindo os investidores brasileiros, vão mais uma vez encarar o risco de colocar dinheiro em um negócio que teima em não decolar. Os dois grupos internacionais já comunicaram a resolução à Anatel. Aliás, foi mais do que um comunicado; foi praticamente um pedido formal de ajuda. Os controladores da Metrophone estão tentando convencer a agência a ignorar as dívidas da empresa e suas complicações operacionais e conceder uma nova licença. O argumento da Mcom e da Mcomcast é de que hoje existe apenas uma empresa de trucking e celular no Brasil, a Nextel, e o retorno da companhia dinamitaria este monopólio. Se o assédio à Anatel vai dar resultado, só o tempo dirá. Porém, os dois acionistas da empresa ainda não explicaram à agência como e onde conseguirão equipamentos para reiniciar as atividades. A Metrophone mantinha um acordo operacional com a Ericsson, mas a parceria com a empresa sueca será rompida. O problema é que não há fabricantes desse tipo de tecnologia disponíveis, já que a Motorola tem exclusividade com a Nextel. Ainda assim os sócios da Metrophone posam de destemidos. Na verdade, será uma tentativa de resgatar parte dos R$ 660 milhões perdidos com o fechamento da empresa. O complicado é que o futuro deste mercado não é nada promissor. Com a entrada em operação das novas bandas de celulares, da tecnologia GSM e da terceira geração, haverá uma disputa acirrada na telefonia móvel, o que deverá derrubar o faturamento das empresas de trucking. Ou seja: é grande o risco de que este enredo esteja mais para Jorge Amado – algo como a morte e a morte da Metrophone – do que para João Cabral de Melo Neto.


A alemã PLE já tem um trunfo na manga para o caso da construção do gasoduto Araraquara-Brasília demorar ainda mais. Negocia com a Petrobras a construção e operação de gasodutos para a própria estatal. A PLE receberia como pagamento ações das SPEs que seriam criadas em cada projeto e ainda comercializaria parte do gás que será distribuído pela Petrobras.



Bombardier faz do mundo um tribunal

Não importa se é em Montreal, Genebra ou Belo Horizonte. Onde quer que esteja, a Bombardier aumenta sua coleção de contenciosos. Mal chegou ao mercado metroviário brasileiro, o grupo canadense está processando a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O motivo é a perda do contrato para a sinalização do Metrô de Belo Horizonte. De quebra, vai arrolar também o Banco Mundial, que participará do projeto como financiador. A companhia alega que houve irregularidades no processo de licitação e quer que toda a operação seja refeita. O mais incrível é que a Bombardier não poupa nem mesmo seus, teoricamente, aliados. O vencedor do contrato do metrô mineiro foi a TTrans, parceira dos canadenses no Brasil. Ou seja, em um só round a companhia está brigando com o Governo Federal, o maior financiador internacional do setor, o Banco Mundial, e a TTrans, até outro dia sua alma gêmea no país. Será que um contrato de apenas R$ 20 milhões, uma gotícula no faturamento mundial do grupo, compensa tanto barulho? O governo brasileiro já teria entrado em contato com o canadense para tentar um acordo. O argumento é de que o surgimento de mais um atrito diplomático prejudicaria os dois países. Possivelmente, o governo tomou a atitude mais por formalidade do que por acreditar que a pendenga pode ser contornada. Tanto que o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, já está se mobilizando para refutar as alegadas irregularidades feitas pela Bombardier. Padilha determinou que a direção da CBTU reúna todos os documentos relativos à licitação, uma prova de que o governo já se arma para mais uma batalha jurídica contra o Canadá.

 

Relatório nº 1719
5/09/2001

Rota de colisão
As desavenças pousaram no capital da Embraer. Os fundos de pensão são favoráveis a que os controladores abram mão de parte das suas ações para que o consórcio francês aumente sua participação. A intenção, no entanto, não é compartilhada por Júlio Bozano.


A Multiplan, leia-se Isaac Peres, estaria estudando a compra do shopping Fashion Mall, no Rio.


Leite derramado
Se for mesmo caso de fusão, o acordo internacional com a Nestlé pode atrapalhar os planos da New Zealand no Brasil. Já há no Ministério da Agricultura forte pressão para que se proíba aquisições do grupo no país.


Sede ao pote
A Funcef planeja criar uma fundo de investimentos voltado exclusivamente para as empresas estaduais de saneamento. A fundação compraria até 10% do capital.


A Telecom Americas e a norte-americana Williams estão se digladiando para ver quem leva mais uma fatia do grupo Algar na ATL.


Parquímetro
A Busscar, fabricante de carrocerias de ônibus, está oferecendo uma vaga no seu capital para o BNDES.


Sopa de números
Após entrar na linha 4 do Metrô do Rio, a Construtora Queiroz Galvão vai tentar arrematar a linha 3, que liga o Centro da cidade ao muncípio vizinho de São Gonçalo. Feito isso, a empreiteira criaria uma única operadora para os dois trechos e faria um acerto societário com os sócios de ambos os negócios.



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