Finasa é o elo perdido
do Unibanco na área de crédito

Fininvest, Credicard e agora Investcred. O que mais falta para o Unibanco consolidar um respeitabilíssimo colar de operações de crédito? Acertou quem cravou o nome da Finasa, a financeira irmã siamesa do Banco Mercantil. Nas últimas semanas, o Unibanco voltou a pensar mais seriamente – porque flertando, sempre esteve – na compra da instituição. Não há dúvidas de que o maior empecilho à operação sempre foi a resistência de Gastão Bueno Vidigal a abrir mão do controle do Mercantil. Porém, tudo indica que seus sucessores não compartilham da mesma inflexibilidade. A explicitação do seu foco estaria aguçando ainda mais o apetite do novo banco hipervarejista: entre os candidatos ao negócio, notadamente Citibank e BBVA, talvez agora ninguém esteja disposto a pagar um prêmio tão generoso como o Unibanco, mais por causa da Finasa do que pelo Mercantil. A financeira agregaria muito mais à operação dos Moreira Salles do que o banco ao Citi e ao BBVA. Com os R$ 9 bilhões de ativos do Mercantil, os norte-americanos ainda alcançariam a quinta posição do ranking bancário, mas o BBVA, no máximo, ultrapassaria BBA e Sudameris. É bem verdade que a financeira interessa, e muito, ao Citi, mas o histórico das negociações do gigante norte-americano no Brasil demonstra mais prudência e austeridade do que exuberância gastadora. Com Finasa, Credicard, Investcred e Fininvest, o Unibanco teria várias frentes em crédito, com cartão, empréstimo direto, crediário no varejo e leasing. Seria um universo com faturamento de R$ 9 bilhões por ano e mais de 12 milhões de clientes – sem as devidas depurações. Para se tornar uma espécie de Financeirobrás ou Unifininvest só faltaria a Losango, mero exercício de retórica, diga-se de passagem. Com a compra do Mercantil, a rede do Unibanco saltaria para 1,1 mil agências, um senhor balcão. Para não falar do acesso a redes de varejo parceiras da Finasa e da Fininvest. Além do ganho operacional, a aquisição teria outro benefício para o Unibanco, não tangenciável, é verdade, mas talvez bem mais valioso. A instituição ganharia mais porte e poderia afastar o estigma de presa da banca internacional que insiste em acompanhá-la nos últimos anos. O risco da estratégia, segundo os palpiteiros de plantão, é que o foco em crédito direto no Brasil é sinônimo de exorcismo da inadimplência. Em um cenário de crescimento errático, para ser otimista, ou de desaquecimento brabo, para ser cauteloso, o segmento das financeiras sofre ataque por todos os flancos. Mas, convenha-se que o Unibanco fez um longo estágio na Fininvest e não é de hoje está imerso no Credicard. Deve ter se tornado PhD em credit score e outros secos e molhados fundamentais à segurança da operação e rentabilidade dos resultados.


ALL desembarca na estação Wall Street

A América Latina Logística vai construir uma conexão com o subway nova-iorquino. A empresa fará uma oferta pública de ações na Bolsa de Nova York, operação que será acompanhada de um aumento do free float na Bovespa. A reestruturação não alterará o atual quadro de forças entre os controladores da empresa – GP, fundos de private equity, Interférrea, Judori e a americana Rail Tex. Todos deverão abrir mão de uma fatia proporcional da sua participação. No caso da Bovespa, a elevação do free float funcionará como uma ante-sala para que as ações sejam negociadas no Novo Mercado. O timing da emissão dos papéis, tanto aqui quanto lá fora, ainda é uma incógnita, mas certamente só ocorrerá após a conclusão da fusão com a transportadora Delara e quando a subsidiária argentina atingir o seu break even. Um indício, porém, de que nada disso deve demorar muito é que a ALL já está adotando o padrão americano nos seus balanços. Também agendou uma série de encontros com vários bancos de investimento. Ainda na fase dos preparativos, está testando seus índices de popularidade no mercado com uma emissão de debêntures não-conversíveis em ações. Ao mesmo tempo, a operação logística deverá ser reforçada por acordos operacionais com outros modais de transporte. A ALL só aguarda autorização do Ministério dos Transportes para comprar um lote de locomotivas usadas nos Estados Unidos, que proporcionará um aumento de 20% no volume de carga transportada.

Relatório nº 1718
4/09/2001

Looping
O presidente da Transbrasil, Celso Cipriani, já teria no bolso do colete novas e drásticas medidas para o caso da recém-anunciada reestruturação da empresa não surtir efeito. O pacote inclui novos cortes de funcionários e, no limite, a suspensão dos vôos internacionais.


A Camargo Corrêa voltou a perigrinar em busca de um comprador para a Cavo.


Tela quente
A Hitachi, que durante muitos anos manteve uma parceria com a Philco, saiu à caça de uma nova cara-metade no país. Já esteve conversando com um grande fabricante de eletroeletrônicos de capital nacional.


Alta liquidez
A Sabesp cansou de esperar pela privatização que nunca vem. Vai lançar ADRs em Nova York antes mesmo do leilão. A empresa já fez consultas prévias à SEC.


A El Paso procura um sócio para tocar a comercialização de parte da energia que será produzida pela térmica Macaé Merchant.


Rumo às urnas
O brigadeiro Ércio Braga deixará a presidência do Clube da Aeronáutica. Ele está se filiando ao PDT para disputar as eleições de 2002.


A Petrobras promoverá até o fim do ano uma licitação para a compra de uma plataforma que substituirá a P-36.



Nostradamus

A Telefónica está tão certa de que será autorizada a operar na longa distância que já negocia acordos com grandes clientes corporativos.



Revista Brasil Sempre

Revista Insight Inteligência


Revista Case Studies

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