Kaiser paga caro pela
demora em pedir a saideira

Experimente juntar no mesmo copo uma negociação que se arrasta há meses, perda de mercado, queda de receita e desentendimentos entre os sócios. Nem óleo de rícino é tão intragável. Pois este é o atual sabor da gestão da Kaiser. A empresa está pagando o preço da longa indefinição sobre a sua negociação. Nos últimos três meses, sua participação no mercado nacional caiu mais de um ponto percentual. Pode parecer pouco, mas faz muita falta. Isso significa que, no período, a empresa teve uma redução de R$ 60 milhões na receita, o equivalente a cerca de 60% do que fatura por mês. Hoje, com um market share de 12%, a Kaiser está seriamente ameaçada de perder o quarto lugar do setor para a Schincariol, que já passou dos 11% – para não falar da ascensão da Bavaria, que tem recebido pesados investimentos da Molson. Como diz aquele velho provérbio chinês, nada está tão ruim que não pode piorar um pouco mais. Até agora, o executivo Augusto Parada, diretor-superintendente da Kaiser, ainda não conseguiu estabelecer um plano estratégico para o próximo verão. Normalmente, as empresas começam a aumentar a sua produção em setembro, mas, até agora, há um grande ponto de interrogação onde deveria estar a estratégia da companhia. Neste caso, trata-se de mais um capítulo – talvez o mais maléfico para a empresa – da longa novela da sua negociação. Acionista da cervejaria, a Heineken já tentou entabular com seus sócios algumas conversas sobre a tática para os próximos meses. Ficou sozinha na mesa. A Coca-Cola, como se sabe, quer estar bem longe da companhia muito antes do próximo verão e, por isso, ainda não rascunhou qualquer planejamento para o período. O problema é que a venda da empresa também empacou nos desencontros societários. A Coca-Cola recuou ainda mais e já aceita negociar a Kaiser por algo em torno de US$ 700 milhões. Tem o apoio da sua maior distribuidora no país, a Panamco, dona de 12% da cervejaria. Só que um outro grupo de acionistas, entre os quais o empresário mineiro Luiz Otávio Possas Gonçalves, ex-proprietário de uma engarrafadora da Coca-Cola, não arreda pé da pedida de US$ 1 bilhão.


O governador Espiridião Amin está mais do que preocupado com a escassez de candidatos à compra da Casan, a empresa de saneamento do estado. Tanto que começa a rever a decisão inicial de vender apenas os 19,3% da companhia que pertencem à Celesc, leilão que ocorrerá em setembro. Um outro lote de ações da Casan, desta vez de 30% do capital, deverá ser negociado. Além disso, o governo oferecerá ao sócio privado assento no conselho de administração e participação na gestão da empresa.


Pem Setal muda figurino
para entrar na Bolsa

Não será por falta de novos negócios que a Pem Setal vai deixar de atrair o interesse dos investidores. Antes de abrir seu capital em Bolsa, o grupo anunciará uma série de investidas em energia e telecomunicações. Acertou uma parceria com a Dalkia, subsidiária da EDF, e com a Comgás para investimentos em co-geração na capital paulista e adjacências. Neste caso, o melhor é que o excedente da energia será comercializado no mercado atacadista, hoje uma das mais rentáveis atividades do setor elétrico. Em outro projeto, desta vez através da Setal Neo, negocia um acordo com a Petrobras para exploração de campos de petróleo da estatal on e off-shore. Em telecomunicações, a Pem Setal vai entrar na próxima rodada de licitações de linhas de transmissão da Aneel, programada para 28 de setembro. A empresa negocia com grupos estrangeiros a criação de SPCs para disputar as cinco linhas que serão ofertadas pela Agência. Outro projeto nesta área é um acordo com a Telefónica de España, que inclui o compartilhamento do sinal de voz e dados para ampliação da capacidade de transmissão das fibras ópticas da operadora. Neste caso, entra em jogo a controlada Trasaccex, que seria a responsável pela produção dos equipamentos na sua fábrica de São Paulo.

Relatório nº 1696
3/08/2001

Rei morto...
Cada vez mais influente no Planalto, Euclides Scalco já tem uma sugestão para o caso de José Maria Abdo deixar a direção da Aneel. Trata-se de Afonso Henriques, secretário-geral do Ministério de Minas e Energia.


José Roberto Mendonça de Barros só não voltará a comandar toda a área de comércio exterior se não quiser.


Arrimo de família
A capitalização de R$ 2,5 milhões no Ideiasnet será apenas um paliativo. Os acionistas da empresa já estudam um novo aporte. Desta vez, quem entraria com a maior parte seria o primo rico da turma: a BNDESPar.


Alerta à CVM
No lugar de auditores ou analistas de mercado, as companhias abertas e bancos de investimento deveriam contratar quiromantes. O IPC do real já superou a casa de 100% e os balanços continuam sem correção.


Dona do pedaço
Philippe Reichstul já decidiu: a própria Transpetro será a operadora do terminal de regaseificação que a Petrobras e a Shell construirão no Porto de Suape, em Pernambuco.


Depois de comprar a área de asset management do UBS, o BNP está negociando a aquisição da carteira de fundos de um banco de investimentos mezzo paulista, mezzo americano.


Subway
A argentina Metrovias negocia com a Alstom e a Mitsubishi um consórcio para construir e operar linhas de metrô em São Paulo.


Revista Brasil Sempre

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