Frangosul bate suas
asas em direção à Seara

A venda da Seara ganhou um novo rumo nas últimas semanas. O grupo Doux, controlador da Frangosul, atravessou o caminho da canadense Maple Leaf e abriu negociações com a Bunge, proprietária da empresa. Os franceses já teriam até apresentado uma proposta oficial pela companhia. Trata-se de um comportamento bem diferente do adotado pela Maple Leaf. O grupo canadense cozinha a operação há mais de cinco meses e só lá pelo segundo mês de conversas é que falou em dinheiro com a Bunge. Para se ter uma idéia de como os franceses avançaram no páreo, a Doux já estaria estudando até uma oferta pública para recomprar as ações da Seara em mercado, a exemplo do que fez com a Frangosul logo após a sua aquisição. Posteriormente, promoveria a fusão das duas empresas. Com o negócio, a Doux reduziria significativamente a distância que a separa dos seus grandes adversários. Separadas, Frangosul e Seara não conseguem ameaçar nem a Perdigão e, muito menos, a Sadia. Juntas, faturarão aproximadamente R$ 1,6 bilhão por ano. A dupla encostaria na Perdigão, com receita na casa dos R$ 2 bilhões. Na sua frente, apenas a Sadia, com vendas totais de R$ 3 bilhões anuais. É justamente na Sadia e na Perdigão que a Doux está mirando. Além de aumentar sua presença no mercado interno, os franceses pretendem disputar a exportação de frangos, sobretudo agora que Sadia e Perdigão acertaram uma joint venture voltada para vendas no exterior. A vantagem da Doux é que, no seu caso, a tabelinha seria feita domesticamente, com a fusão de suas controladas, sem a necessidade de uma parceria com terceiros. Como se não bastasse, a Seara ainda proporcionará outros ganhos operacionais. A empresa fica em Santa Catarina, próximo às fábricas da Frangosul, instaladas no Rio Grande do Sul. Esta proximidade reduzirá os gastos com logística e se tornará um trunfo nas exportações para o Mercosul.


Lloyds tira seu passaporte para o varejo

O Lloyds Bank está disposto a provar que a decisão de “varejar” no Brasil, propalada aos quatro ventos, não é apenas para inglês ver. A instituição está interessada na compra do Banco Mercantil do Brasil (BMB). Já teria até mantido conversações preliminares com a família Araújo, controladora do banco mineiro. Além disso, há uma outra investida na mira dos súditos da rainha Elizabeth. O Lloyds destacou uma equipe para vasculhar todos os números do Besc, ainda sem data definida para a privatização. Embora não se trate de um banco de grande porte, a aquisição do BMB já serviria para finalmente empurrar o Lloyds para o varejo bancário. Hoje, os ingleses possuem apenas 12 agências no Brasil. Com o banco mineiro, incorporariam 200 estabelecimentos. Além disso, ampliariam sua atuação para 18 estados – atualmente, o Lloyds tem agências apenas em cinco estados. Além dos ganhos territoriais, o BMB também daria um impulso na posição do Lloyds no ranking bancário nacional. O banco inglês passaria dos R$ 8,2 bilhões em ativos para aproximadamente R$ 11 bilhões, ficando tecnicamente empatado com o Bilbao Viscaya. No que diz respeito ao total de depósitos, o salto seria ainda maior. O Lloyds pularia dos R$ 500 milhões para mais de R$ 2,2 bilhões, deixando para trás instituições como o Citibank e o BankBoston.


Se é bom para a Vivendi, talvez seja bom também para a Águas de Portugal. O grupo lusitano quer repetir na Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) a mesma tática que os franceses usaram na Sanepar. Ou seja: comprar parte do capital e, em seguida, arrematar o controle total. A Águas de Portugal está negociando um acordo de transferência de tecnologia com a Cosanpa. Trata-se de um aquecimento para a compra de um bloco de ações que será leiloado pelo governo do estado. Dentro do capital e com acesso aos números e à gestão da Cosanpa, a Águas de Portugal acredita que terá vantagem comparativa na privatização do controle da distribuidora paraense.

Relatório nº 1694
1/08/2001

Saideira
A BNDESPar vai dar adeus à CEG. Sua participação de 35% no capital ordinário da distribuidora será vendida de forma pulverizada. A operação ocorrerá simultaneamente nas Bolsas de São Paulo e de Nova York.


A longa novela da venda da Elektro parece caminhar para o seu desfecho. A AES está negociando a compra da distribuidora junto à Enron.


Promoção
O presidente da Anatel, Renato Guerreiro, já não sabe mais o que fazer para convencer a Vodafone a disputar a Banda C. Agora, está acenando com uma isenção com relação a metas para implantação do serviço.


Tela quente
Diante da recusa do empresário Isaac Sverner em vender parte do capital da CCE, a Aiwa saiu à caça de um novo parceiro. Já esteve conversando com dois tradicionais fabricantes de eletroeletrônicos nacionais.


Mão inversa
Justo no momento em que a maioria das empresas da área de internet está no fio da navalha, o grupo Guararapes estuda criar um portal de vendas para as Lojas Riachuelo.


A paulista Petrosul separou R$ 25 milhões para comprar uma leva de postos de combustíveis da Shell no Nordeste.


Desjejum
A Philip Morris reforçará a operação da Kraft no mercado brasileiro de lácteos. Nos planos, a aquisição de uma indústria de leite em São Paulo.


Revista Brasil Sempre

Revista Case Studies

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