Canhedo fica órfão às avessas
no comando da Vasp

Nem as dívidas com a Infraero, a devolução de aeronaves por falta de pagamento, a suspensão de todos os vôos internacionais e muito menos a fuga de antigos "amigos" e aliados. Nada se compara ao duro golpe que Wagner Canhedo acaba de sofrer, um revés que surge possivelmente de onde menos o empresário esperava. Seu filho, César Canhedo, vice-presidente financeiro e administrativo da Vasp, teria pedido formalmente demissão dos cargos que ocupa na companhia. O rompimento estaria ligado a divergências com relação à administração financeira da empresa. César seria contrário à política adotada pelo pai de promover eternas rolagens com os credores da Vasp. Também teria se oposto aos planos do empresário de arrendar novas aeronaves através do sistema de leasing, o que só aumentaria o passivo da companhia. Por várias vezes, em conversas reservadas, César teria alertado Wagner Canhedo sobre os riscos de se aumentar o endividamento junto a bancos internacionais e empresas de leasing. Mais do que a saí-da de um filho, a retirada de César impõe a Canhedo a perda do seu homem de confiança e até do seu natural sucessor. Nos recentes momentos de crise - por sinal, não foram poucos - em que a Vasp ficou na berlinda em razão de sua fermentada dívida e dos notórios problemas operacionais, o executivo falou várias vezes pela empresa, poupando o pai de alguns constrangimentos. Para complicar ainda mais a situação de Wagner Canhedo, a deserção de seu filho surge justamente no momento em que o empresário mais precisa de aliados de confiança para não perder o parco apoio político que ainda lhe resta. Depois de nomear o brigadeiro Sócrates Monteiro, ex-ministro do governo Collor, e de se aproximar como nunca do DAC, movimentos que se mostraram inférteis, Canhedo estaria mexendo uma de suas últimas peças no tabuleiro do poder no setor: a tentativa de indicar o nome do futuro presidente da Agência Nacional de Aviação Civil. O dono da Vasp estaria trabalhando pelo nome de Fernando Perrone, presidente da Infraero, que sempre se mostrou muito paciente e cortês na renegociação das dívidas da empresa com a entidade.


Um tira-gosto de Perdigão, Chapecó e Sola

Os fundos de pensão que controlam a Perdigão estariam planejando um aporte de capital na empresa. Engana-se quem pensa que este é mais um daqueles tradicionais e emergenciais socorros financeiros de fundações. A Perdigão vai muito bem, obrigado. Os recursos seriam utilizados para a ampliação da nova fábrica de Rio Verde, que só atingirá plena capacidade em 2003. A companhia aposta suas fichas na transformação da unidade em um centro de exportação. Natal mais gordo para uns, e um pouco raquítico para outros. O empresário Carlo Sola continuaria à caça de um comprador para os Frigoríficos Sola. Já teria conversado com a Chapecó, leia-se Macri, e com a Sadia, mas as negociações estariam esbarrando no passivo tributário da empresa, em torno dos R$ 60 milhões. Sola também teria fracassado em outro front: não conseguiu convencer o BB, detentor de 23% da empresa, a aumentar sua participação no negócio. A Chapecó, por sua vez, pode até estar desistindo da compra da Sola, mas não mandou para escanteio os planos de adquirir frigoríficos no Brasil. Neste momento, estaria negociando com duas empresas, uma de Minas Gerais e outra do Rio Grande do Sul, uma operação que envolveria cerca de R$ 50 milhões. Embalada pelo vigor financeiro do grupo Macri, a Chapecó já estaria até mesmo estudando alguma aquisição nos países do Mercosul.

 

Revista Brasil Sempre

 

Revista Insight Inteligência

Relatório nº 1540
-18/12/2000

1 Em meio ao clima meio borocoxô que tomou conta do setor ponto.com, um investidor não tem do que reclamar: Marcos Moraes, ex-Zipnet...


2 O empresário estaria sendo assediado pela Telefónica para formar uma parceria em alguns projetos ligados à Internet e transmissão de dados...


3 Moraes, no entanto, precisaria do consentimento da Portugal Telecom, com quem mantém alguns negócios em comum desde a venda da Zipnet.


Lanterninha
Só para não perder o hábito, German Efromovich, da Marítima, sofreu mais uma derrota na disputa com a Petrobras. O Tribunal de Justiça do Rio manteve a rescisão do contrato para a construção das ametistas 6 e 7, que não foram entregues à estatal dentro do prazo. Philippe Reichstul já deixou claro a Efromovich que não há qualquer possibilidade de acordo. Tanto que está negociando com a Mitsubishi a construção das ametistas.


A Bunge pretende estar badalando o sino da Bolsa de Nova York ainda no primeiro semestre de 2001, com o lançamento dos seus ADRs.


Reabastecimento
Nem só as parrudas Agip e Repsol estão enchendo o tanque. Na moita, o empresário Cláudio Zattar, da mineira Ale Combustíveis, negocia a compra de um lote de distribuidoras no Sul. Até meados de 2001, pretende arrematar 200 postos.


EDP e Tractebel fizeram ofertas oficiais pela Elektro, controlada pela Enron.


Dona do pedaço
Se a intenção era fazer tudo discretamente, o tiro saiu pela culatra. Chamou, e muito, a atenção do mercado o apetite da Hedging-Griffo, que, nos últimos 15 dias, comprou cerca de R$ 8 milhões em ações preferenciais da Telerj, o equivalente a 25% de todos os negócios com o papel no período.
Tanto interesse estaria relacionado a um acerto de créditos fiscais da antigaTelerj, que ajudaria a catapultar o resultado da Telemar neste ano.

 

 

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