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Tourinho
bate de frente
com Ibama e tenta
conter sangria de térmicas
Longe
do ministro Rodolpho Tourinho querer parecer "politicamente incorreto".
Porém, ele acha que o Ministério do Meio-Ambiente poderia ser bem menos
rigoroso na concessão de licenças ambientais para a operação de geradoras.
Tourinho não suporta mais a letargia ministerial. Isto porque, depois
da debandada de candidatos ao leilão da Cesp Paraná e do bye-bye
de empresas como Reliant, Sithe e Florida Power, mais um grupo internacional
acaba de comunicar ao ministro que deverá arrumar as malas, irritado
com a burocracia do Ibama, responsável pelas licenças. Trata-se da trading
japonesa Marubeni. A empresa não conseguiu tirar da gaveta a construção
da térmica de Cubatão, com 900 MW de potência e investimentos de US$
1 bilhão. O motivo? O périplo para obter a permissão do Ibama e iniciar
a construção da usina. Temeroso de que o programa prioritário de termétricas
se torne uma obra de ficção por falta de candidatos, Tourinho se reuniu
recentemente com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. No
encontro, pediu encarecidamente que a concessão de licenças ambientais
seja agilizada. Tourinho corre contra o tempo. A cada momento, uma nova
ameaça de fuga paira no ar. Além da Marubeni, nos últimos dias representantes
da RWE já deixaram claro que do jeito que está, definitivamente não
dá. O grupo, que ensaiou uma investida em geração com a construção de
duas unidades, uma em Brasília e outra em Goiás, está adiando por tempo
indeterminado seus negó-cios em térmicas no Brasil. No máximo, participaria
da construção de gasodutos e distribuição de gás. Mais uma vez, as dificuldades
em conseguir as licenças assustaram, já que haveria um aumento de custo
nos projetos em função da demora no início da operação. A questão já
mobilizou até o ministro da Casa Civil, Pedro Parente. Junto com Tourinho,
Parente acertou com Sarney Filho um prazo para que a presidenta do Ibama,
Marília Marreco Cerqueira, apresente uma rápida solução para o problema.
Caso contrário, sua permanência no cargo poderá entrar em extinção.
British
Gas lança "operação Denorex" para fechar o capital da Comgás
Parece
fechamento de capital, tem toda a pinta de fechamento de capital, mas,
na prática, não é. A British Gas (BG) encontrou uma forma de raspar
todas as ações preferenciais da Comgás que estão em mercado e, o que
é melhor, sem infringir em uma única vírgula o edital de privatização
da companhia, que proíbe o cancelamento do registro em Bolsa. O primeiro
passo desta "operação Denorex" deve ser dado nos próximos dias. A BG
está acertando a compra de um graúdo lote de 20% das ações preferenciais
da empresa. Entre os vendedores, estariam acionistas como a Previ e
a Pacci CR. Investimentos, detentoras, cada uma, de 7% das PN da Comgás.
É provável que pague algo em torno de R$ 186, aproximadamente 20% de
prêmio sobre a média das cotações negociadas em Bolsa nos últimos 30
dias. Trata-se apenas do começo. Ato contínuo, o grupo britânico fará
uma proposta semelhante para outros expressivos acionistas preferenciais
da empresa. São pelo menos quatro investidores - entre eles Bradesco
Capitalização e Banesprev, fundo de pensão do Banespa - que, juntos,
possuem 21% das PN. No total, uma operação que envolveria perto de R$
170 milhões. Uma vez fechada esta negociação, a BG praticamente forçaria
os demais minoritários da Comgás - neste caso, minoritários com "m"
minúsculo entre os quais estão pulverizados 50% dos títulos preferenciais
- a entregar seus papéis. Afinal de contas, com a saída dos grandes
investidores, correm o risco de ficar com uma ação de liquidez sáarica
nas mãos. Provavelmente não resistiriam a uma proposta semelhante, com
um ágio de 20% sobre o valor de mercado, na qual a BG investiria mais
R$ 200 milhões. Resumo da ópera: o grupo ficaria com o total das ações
preferenciais hoje em mercado, que permaneceriam em tesouraria, sem
ser canceladas, o que garantiria o título de companhia aberta para a
Comgás. Mesmo que fosse apenas para inglês ver.


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Relatório
nº 1536
-12/12/2000
Novos
tempos
De darling do presidente
do BC, Paolo Zaghen, o diretor de investimentos da Previ, Gilberto Audelino
Corrêa, estaria agora na lista de "defenestráveis" da fundação.
O cancelamento do contrato publicitário com Guga está virando um deus-nos-acuda
no ABN Amro. A cada vitória, rememora-se a inominável burrice.
Hora
extra
Os postulantes à
presidência da Alcoa no Brasil podem esperar sentados. Não deve ser
para já a saída de Adjarma Azevedo. O executivo interrompeu as entrevistas
que vinha fazendo para encontrar um sucessor. Foi um pedido do presidente
mundial da Alcoa, Alan Belda, que quer a permanência de Azevedo por,
pelo menos, mais seis meses.
Fio
da navalha
O presidente da CEF, Emílio Carrazai, tem feito o que pode. Mas estaria
difícil manter o presidente da Funcef, Edo de Freitas, no cargo.
O Grupo Cometa deve
reduzir em 10% sua pedida de US$ 50 milhões pelo Hotel Glória, no Rio.
Mão
dupla
A inglesa Heavy Leaf,
empresa de transporte aéreo de carga, pediu autorização do governo para
sair do Brasil com carregamentos. Não agüenta mais chegar ao país com
produtos e sair lotada de prejuízos.
Arquibancada
Sem conseguir formar
um consórcio para os leilões das Bandas C, D e E, a Hutchison Whampoa
deverá ficar apenas na torcida da Vodafone, da qual tem 10%.
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