Trio Nafta e Telefónica disputam quem soletra melhor C, D e E

O cenário é o Estado de São Paulo. A data é janeiro de 2001. O prêmio são as licenças das bandas C, D e E na região 3. E os adversários? Dizendo que vão entrar no ringue tem muita gente. Mas quem já vestiu as luvas de boxe são somente dois: a Telefónica e o consórcio Southwestern Bell (SBC), Bell Canada e Telmex. O duelo deverá, inclusive, ser regado à laranjada, já que a única forma dos espanhóis concorrerem também na banda C é através de um terceiro. Está em jogo toda a geografia de negócios de celulares na Região Sudeste, com exceção de Minas Gerais. Formalmente, a Telefónica, que já arrematou a fixa da antiga Telesp, entrará com unhas e dentes na disputa pelas bandas D e E em Sampa. A estratégia seguinte é colocar a operadora de São Paulo e a Tele Sudeste Celular, banda A do Rio de Janeiro e Espírito Santo, em uma mesma holding, apoderando-se da gestão e das decisões estratégicas da operação. O resultado é uma megaempresa, avaliada em R$ 4 bilhões e turbinada por aproximadamente dois milhões de assinantes, com um potencial de mais um milhão de assinantes em dois anos. Querer, contudo, não é poder. O consórcio concorrente é um adversário à altura. Juntos estão a americana Southwestern Bell, que tem participação na ATL (banda B no Rio de Janeiro e Espírito Santo), a Bell Canada e a Telmex. Com dois aditivos importantes: a Bell Canada está capitalizadíssima com a venda de sua participação na Vésper e já sinalizou que vai concentrar todas as suas baterias na telefonia celular. Já a Telmex ainda não tem nada, mas colocou o Brasil no topo das suas prioridades fora do México. O "consórcio Nafta" também seguiria a estratégia de agregar para atropelar, juntando a ATL e a Banda D ou E de São Paulo em um mesmo saco. A disputa deve ser sangrenta porque a terceira via, que é indesejável para as duas partes. Nesse cenário maldito a trupe do Nafta leva a Banda C e a Telefónica a D ou E. A Grande São Paulo pode ser grande, mas não o suficiente para suportar tantas operadoras. O saldo seria uma diluição de lucro e uma disputa de assinante quase a garfadas. Como a Anatel exige que sejam apresentadas simultaneamente as propostas para as três bandas, não haverá margem para escolha de uma banda ou outra, ou mesmo blefes. É por isso que o trio SBC/Bell Canada/Telmex deve apresentar preço para tudo, só que inflando mais as ofertas para D e E onde estará a Telefónica . Se levar a C, retira as propostas, se não, estará competitiva nas outras. Os espanhóis não nasceram ontem e já conhecem todas as manhas do mercado brasileiro. Para quebrar a espinha dorsal da turma do Nafta está costurando um parceiro. É com ele que pretende fazer uma operação cítrica na Banda C.


Gás da Enron tem mais candidatos
do que ela (e todo mundo) esperava

Escaldada com o vazamento das suas decisões estratégicas, a Enron abriu na maior moita o data room da Gaspart - que controla as suas participações em distribuidoras de gás no Nordeste e Sul do país. Ficou cheia de dedos devido à suspeita de que teria dificuldades para passar adiante posições minoritárias em empresas estatais e, o que é pior, controlada por governos estaduais dos mais variados matizes ideológicos e com pouca capacidade de endividamento, devido à Lei da Responsabilidade Fiscal. Só que surpresas agradáveis também acontecem. Recebeu não uma, mas três propostas de compra da Gaspart: da argentina Perez Companc, da Petrobras e da Iberdrola. Todas com ofertas generosas pelo negócio, que deverá ter o seu lance final em, no máximo, três meses. Nesse ínterim, a Enron vai negociar em separado com cada um dos pretendentes para tentar elevar ainda mais as ofertas diante do congestionamento de concorrentes. Um negócio que colocará o vencedor, de uma vez só, nas distribuidoras nordestinas Bahiagás, Algás, Copergás, Emsergás e PBGás, além da SCGás e Compagás, da Região Sul do país. A Gaspart tem 41,5% do capital das distribuidoras, com exceção da paranaense, onde detém apenas 24,5% do capital social. Pode ser que agora a Enron se anime mais com o Brasil.


 

Revista Brasil Sempre

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1535 -11/12/2000< /font>

Dead line
Roberto Franca de Oliveira, presidente da Indústrias Nucleares Brasileiras, e José Mauro Esteves, que comanda a Comissão Nacional de Energia Nuclear, tem até junho de 2001 para trabalhar pela manutenção dos seus cargos. Os dois já foram avisados, é claro.


Foi mais produtivo do que o noticiado o encontro entre Jório Dauster e Alcides Tápias. Cada um no seu lugar - onde, aliás, ambos se encontram muito bem - trabalhando pelo futuro da Vale.


Santa Claus
A Petrobras deverá aprovar na próxima reunião do Conselho de Administração, no dia 15 de dezembro, alguns mimos natalinos para conter a debandada de executivos da empresa.


O DAC já tem data para sumir do mapa: não deverá passar de seis meses.


Haja paciência!
A Wetzel, fabricante nacional de filtros para motores, deve ter feito um curso com o banqueiro Gastão Bueno Vidigal. Simplesmente não responde a oferta de compra da alemã Hengst Filter.


Michael Dulaney, presidente da Duke Energy, e David Travesso, da AES, agora estão conversando sozinhos sobre o leilão da Cesp Paraná.


Conta-gotas
O EDC - eximbank canadense - condiciou seus financiamentos ao Brasil à resolução da pendenga Bombardier-Embraer. Qualquer semelhança com chantagem é mera coincidência.

 

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