Santander paga os minoritários do Banespa com paella de jiló

Definitivamente, ser minoritário é padecer no purgatório. Pelo menos por estas bandas, onde acionistas aflitos tombam dia após dia no bangue-bangue com os controladores. Os sofredores da vez são os minoritários do Banespa. Desde o período de pré-privatização não faltaram investidores dispostos a apostar suas fichas no banco paulista. Após o leilão, a pressão compradora aumentou ainda mais. Havia lógica na aquisição de ações do Banespa. Afinal, a compra da participação dos minoritários seria a fórmula para os espanhóis diluirem no seu balanço consolidado o impacto negativo do inacreditável lance de R$ 7 bilhões. Nos últimos dias, mesmo com a Bolsa em baixa, a animação com as ações do Banespa continuou firme. A cotação saltou de R$ 60 para R$ 70. A expectativa era de que o Santander fizesse uma oferta relâmpago, logo após a internalização dos dólares para o pagamento ao Banco Central. Os minoritários trabalhavam com um valor de R$ 100 por ação do Banespa, o que equivaleria a 80% do valor patrimonial. Não custa lembrar que os espanhóis pagaram cinco vezes o valor patrimonial. Em síntese, a compra do estoque integral de ações dos minoritários saltava aos olhos como a única fórmula para o lançamento da compra do Banespa sem arranhar demasiadamente as demonstrações consolidadas da holding lá na Espanha. Pois bem, os dias foram passando, e nada. O mês de dezembro já caminha para sua segunda quinzena, e nem sinal. O timing está se esgotando, com duplo obstáculo: já não haveria mais tempo hábil para a montagem da operação de oferta pública nem prazo para o lançamento do valor diluído no balanço de 2000. Mas, por que sofreriam tanto os acionistas do Banespa? Afinal, o Santander pode muito bem fazer a oferta no início de janeiro. Ledo engano. Até prova em contrário, o banco ibérico está mais para El Cordobez, o matador, do que para Madre Teresa de Calcutá. Se comprar em abril, por exemplo, terá corroído, com os juros, parte do valor das ações no mercado. Em maio, ainda mais. Em agosto, cruz-credo! Se não houver nenhum outro fato que altere o mais que provável desenlace dessa tourada com o minoritário, o Santander vai pagar o Banespa com uma paella feita à base de jiló.


Relações incestuosas em Sauípe

Paolo Zaghen, presidente do Banco do Brasil, ainda não conseguiu uma resposta satisfatória da direção da Previ para uma pergunta simplória: por que Ricardo Mader Rodrigues anda representando o fundo de pensão em encontros internacionais na área de hotelaria? Nenhum problema se Rodrigues fosse diretor da Previ ou, pelo menos, pertencesse aos seus quadros. Ou até se tivesse um mandato para falar em nome do fundo. Nada disso. Aliás, muito pelo contrário. Mader Rodrigues está envolvido até a medula no barril de pólvora em que se transformou a construção do complexo de resorts de Sauípe, na Bahia. E é parte interessada nos negócios da Previ no setor hoteleiro Foi exatamente Mader que, como consultor do fundo, desqualificou, sem grandes explicações, os grupos hoteleiros Kempinski, da Alemanha, e o americano Radisson, colocando nos seus lugares os grupos Marriott e Accor, seus clientes, para operar dois dos três hotéis de Sauípe. O troca-troca gerou uma brigalhada jurídica sem prazo para acabar e adiou sine die a inauguração desses hotéis. Mas a caravana de Mader continua passando, mesmo sendo ele persona non grata de um dos mais atuantes diretores da fundação. A pergunta que não se cala é por que Ricardo Mader Rodrigues falou em nome da Previ no dia 1º de dezembro último em um encontro no Hotel Loews Miami Beach promovido pela New York University? Detalhe: o assento estava reservado para Dorival Regini, justamente o comandante da Previ em Sauípe.

 

Revista Brasil Sempre

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1534 -8/12/2000

A Febraban encontrou o seu curinga na disputa pelo comando da clearing do sistema financeiro..........


Nem Alkimar Moura nem Cláudio Mauch, os ex-BC que estavam liderando todos os rankings....


O homem é Paulo Mallman, ex-Bic Banco, que está coordenando o projeto desde o nascedouro.


Queda de luz
Está em US$ 50 milhões a diferença entre o pedido por Benjamin Stenbruch e o recusado por Michael Gail- lard. Os franceses parecem estar irredutíveis. Preferem deixar tudo como está na Light se Benjamin não baixar o preço.


Vai ter uma baita novidade entre os pretendentes à compra das ações de Dona Lili Safra no Ponto Frio. Talvez seja o negócio mais quente do ano.


Na bitola
O ministro dos Transportes, Eliseu Padillha, ouviu de Francisco Gros um alento para as concessionárias de ferrovias. O banco deverá abrir uma linha de financiamento para recuperar as malhas.


A Florida Power não será a última a sair do Brasil. Uma outra americana, com projeto de térmica em São Paulo, já fez reserva para o vôo de volta.


Útil e agradável
A Wiest, fabricante nacional de escapamentos, está cada dia mais tentada a abrigar no seu capital um sócio estratégico.


A France Telecom ainda não desistiu de incluir a National Grid no consórcio que está montando com a GVT para disputar licenças de celular no Centro-Oeste e Sul do país.


Tiro ao alvo
Os belgas da FN Herstal estão fechando dois acordos para a venda da metralhadora Minimi no Brasil. As modernas "lurdinhas" irão equipar a Marinha e a Polícia de São Paulo.

 

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