Até a Imbel bate continência
ao Consenso de Washington

Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica Federal não perdem por esperar. Depois que o próprio Comando do Exército aceitou que se busque parceiros estrangeiros para formação de uma joint venture com a Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), conforme apurou o RR junto a um integrante da Comissão Interministerial que auditou a empresa, tudo é possível. Afinal, a Imbel era um bunker de resistência à mais suave brisa de privatização. Com a queda desse bastião, está programado para breve um filme até então impensável: uma associação de interesse privado do Exército do Brasil com uma ou mais multinacionais. A israelense IMI, que produz armas leves e também blindados, saiu na frente e já iniciou as negociações, prometendo mundos e fundos em transferência de tecnologia. Empresas francesas, italianas e inglesas também já confirmaram o seu interesse em bater ponto na Imbel. A lógica é total: os grupos europeus vêem na associação com a empresa brasileira uma porta de entrada para exploração do mercado de material de defesa na América Latina. A estimativa para esse mercado é de que represente pouco mais de US$ 10 bilhões em contratos até 2010. No entanto, nem só de sedução a grupos estrangeiros vive o projeto de reestruturação da Imbel. A Comissão Interministerial, formada por representantes dos ministérios da Fazenda, Planejamento e Desenvolvimento e pelo Comando do Exército, recomendou também um imediato enxugamento financeiro e operacional. Entre as medidas que serão adotadas brevemente está a concentração das atividades nas fábricas de Minas Gerais e São Paulo. Com o redesenho da geografia de produção, a fábrica de Magé, no Rio de Janeiro, será incorporada à de Piquete, em São Paulo. E não fica só por aí. A auditoria feita pelo governo permitirá que a Imbel receba um aporte de capital de cerca de R$ 300 milhões. A dívida com a União, da ordem de R$ 200 milhões, também será renegociada. O governo federal, mais especificamente o Comando do Exército, espera que a reestruturação da Imbel propicie condições para a transferência do acervo da falida Engesa, restabelecendo assistência técnica para a Força Armada e, é claro, resgatando antigos clientes da empresa. Com o novo desenho, a Imbel poderá atender encomendas do exterior, inclusive do tanque Urutu. Na verdade, como todo o processo de privatização do governo FHC, a tramontana foi girando aos poucos. Na Imbel, a descoberta de que o osso não era tão duro de roer aconteceu na associação com a British Aerospace. A partir daí já havia meio caminho andado para que se batesse continência ao Consenso de Washington.


Deutsche Telekom cochicha
com MCI que é mentirinha
sua inapetência por celulares

De tanto a Deutsche Telekom afirmar que o mercado brasileiro de telefonia celular não é prioridade para seus investimentos - pelo menos nos próximos cinco anos - sua disposição já começa a ser lida de forma inversa. É a velha história de quem desdenha quer comprar. Apesar do anúncio oficial de que pularam fora das próximas licitações da Anatel, os alemães estão fazendo recorrentes sondagens à americana MCI, controladora da Embratel, para fechar parcerias para os leilões das bandas D e E. A Deutsche Telekom teria uma posição conservadora no consórcio, ficando com apenas 20% a 30% do negócio, o suficiente para não ficar de fora do mercado brasileiro. O grupo alemão entraria com a MCI na disputa pelas três regiões que serão licitadas, o equivalente à área de concessão da Embratel. Mas o interesse alemão não é exatamente ficar com as novas licenças sem fio. A Deutsche Telekom está de olho grande mesmo é no petisco que será servido mais à frente: a terceira geração de celulares, com acesso em alta velocidade à Internet, que deverá ser licitada dentro de três a quatro anos. Com as operações nas bandas D e E, a Deutsche teria condições de testar o mercado e preparar a plataforma tecnológica que mais tarde seria utilizada na 3G, juntando tudo em uma única operação de telefonia celular.

Revista Brasil Sempre

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1533 -7/12/2000

Fila do gargarejo
A Enron ainda nem abriu o data room para vender os 7% que detém na Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil e a Gaspetro já avisou que pretende comprar.


O grupo Eurobanco está prestes a pular fora do capital da Ferropar vendendo, em um lote só, os 33% que possui no capital da concessionária.


The world is our
A TAM está voando em altitude cada vez mais próxima da Varig. O comandante Rolim Amaro está conseguindo do DAC 38 vôos semanais para o exterior, divididos entre Europa, Estados Unidos, Uruguai e Argentina.


A francesa Schlumberger está colocando o seu pezinho nos novos campos de petróleo da Petrobras na Bacia de Campos.


Missão impossível
Paulo Galletta, presidente da Sabesp, foi destacado pelo governador Mário Covas para negociar com as prefeituras da Grande São Paulo um acordo que ponha um ponto final na disputa pelo controle da concessão de água e esgoto dos municípios.


Em pedacinhos
Diante da dificuldade em chegarem a um consenso sobre a venda de parte do capital da CCPL, as cooperativas estão partindo para o esquartejamento. Vão negociar em separado as unidades de processamento de leite e a própria marca.


Foi adiado pela enésima vez o início da operação da rede francesa Accor em Sauípe.

 

 

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