Sirotsky assiste na Globo Cabo
seu dinheiro sair voando

Existem épocas em que tudo dá certo. É a fase da apoteose. Mas também chega o tempo da bruxa solta, período em que desgraça pouca é bobagem. O presidente da RBS, Nélson Sirotsky, conhece bem essas ciclotimias. Há bem pouco tempo viveu um momento de esplendor, ingressando para o clube do one billion dolar. A farra foi resultante das vendas do portal ZAZ para a Telefônica, por US$ 220 milhões, e da Net Sul, emissora de TV a cabo, para as Organizações Globo. O pagamento acertado foi em ações da Globo Cabo. O valor chegava na casa do US$ 1 bilhão. O repasse das ações seria escalonado, com os lotes distribuídos em um período de três anos. Já entraram US$ 200 milhões em ações, neste ano, sendo que Sirotsky tem um put contra a Globo. Ocorre que os vagalhões levantados pelo "naufrágio do Titanic Nasdaq" desabaram sobre o seu patrimônio. As ações da Globo Cabo afundaram para os níveis mais baixos do reino abissal, transformando-se em cartão-postal da queda nas Bolsas de Valores. Estima-se que, no barato, Sirotsky já tenha perdido entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões do que tem a receber nessa operação. Nada que abale o cacife da RBS, mas algo capaz de provocar uma dor quase mortalmente aguda no bolso de qualquer empreendedor ou rentista. O inferno da Nasdaq também anda atrapalhando os planos internéticos do empresário, que acreditava conseguir repetir seu sucesso de encubador no ZAZ em um portal, mais modesto, voltado somente para a Região Sul do país. O clicRBS está no ar, tem tido visitas crescentes, mas, como grande parte dos seus congêneres, virou um sugadouro de dinheiro sem fim. Só resta mesmo a Sirotsky ter farplay. E acreditar que, depois da tempestade, sempre vem a bonança.

 

GE faz arrastão no mercado segurador

A GE Capital - poderoso braço financeiro da arquipoderosíssima General Electric - vai às compras. Que ninguém pense em Internet, varejo ou outras operações de private equity, nas quais, em passado recente, a citação do nome da GE andou virando arroz-de-festa. O alvo é o mercado de seguros, mais precisamente as empresas de porte pequeno para médio localizadas no Sul do país. O plano dos norte-americanos é fazer um arrastão nesse segmento de mercado, comprando as melhores carteiras de vida e previdência aberta. Da boca para fora, a GE diz que o seu negócio no Brasil é só resseguro. E, mesmo assim, avisa de antemão que não é candidata ao leilão do IRB. É uma meia-verdade. Que ela também pretende fazer negócios no resseguro, não há o que discutir. Até porque já está operando aqui através da sua controlada, a Employers Reinsurance (ERC-re), que tem acordos com o IRB para os ramos de responsabilidade civil e propriedade. Mas o filé mignon mesmo é a área de produtos. A ERC-re será a cabeça de ponte. Caberá a ela a incorporação das seguradoras. Para isto, está sendo estudado um universo de quase 30 empresas do total de 139 seguradoras que totalizavam a indústria no Brasil, conforme dados de dezembro de 2000. Quem vai tocar os negócios é Luiz Lucena, um ex-Sul América. A GE acha que tem tamanho de sobra para fazer o greenfield. Desdenha a necessidade da compra de qualquer peixe graúdo. É mais ou menos a mesma política que a Met Life está fazendo no Brasil.

 

 

 

Revista Brasil Sempre    Revista Case Studies

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1528 - 30/11/2000

Pode ser que a retirada do Banespa tenha amolecido o coração de Joseph Safra. De lá para cá, fez as pazes com a Bell South, a quem vinha levando ao desespero na gestão da BCP. Por quanto tempo?


LKAB é a ameaça que vem do frio
Na Vale do Rio Doce, ninguém considera a BHP como principal adversária para aquisição da Caemi. Os valerianos acham que os suecos da LKAB são um risco muito maior, pois estão esgotando suas reservas de ferro e têm poucas possibilidades de fazer um negócio similar no mundo. De qualquer forma, a CVRD confia mais no seu taco. Acredita que em condições de razoável equilíbrio, são os preferidos dos sócios japoneses da Caemi.



Petrodólares
O exibicionismo da Dow no data-room da Copene, mandando um exército de mais de 80 técnicos, pode acabar lhe custando uma desagradável surpresa: o ingresso da Petrobras na SPE com o Ultra e o BNDES. É a chamada operação de hedge no preço futuro da nafta. Afinal, negociar com o grupo Ultra é uma coisa, com a Dow, são duas.


Confusão à vista. Vem aí uma nova licitação para o seguro-saúde dos funcionários do governo do Estado da Bahia. ACM está vigilante.


Os incorrigíveis
Pode ser até que o alvo final da perfídia seja o ministro Pedro Malan, mas Luiz Carlos Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio - aquele mesmo, o do grampo - andam falando que Gustavo Franco tem guardado a sete chaves um documento confidencialíssimo sobre um tema desabonador, digamos assim, da gestão econômica.


A gestão da Petros tem enchido os olhos do Planalto. É considerada um benchmarking para as undações ligadas ao governo. Especialmente para a Previ.


Melhor como está
Se depender dos executi-vos da Paranapanema, a em-presa continua como dantes no quartel de Abrantes. Neca de parceiro estratégico, novo sócio ou qualquer arranjo que altere o rentável absolutismo reinante na corporação.


A Gazeta Mercantil é o único jornal que cresceu mais de 25% nas assinaturas em 2000. São os ex-malditos cadernos regionais que viraram benditos.

 

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