AT&T e British Telecom têm linha cruzada na Banda C

No início todo matrimônio são rosas, mas conviver é que são elas. Sobretudo quando se trata de dois dos maiores grupos internacionais das telecomunicações. Que o digam AT&T e British Telecom (BT). Parceiras declaradas para os leilões da Banda C - através da associação internacional que mantêm em telefonia celular e transmissão de dados - as duas companhias estariam batendo cabeça em torno da melhor estratégia para a operação. Ninguém se entende. Possivelmente contagiada pela capacidade de investimento do parceiro, a BT não se faz de rogada e está pensando grande: quer disputar as concessões para as regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, o supra-sumo da privatização. Este olho gordo dos ingleses pode também ser explicado pelo fato de o grupo, até agora, não ter nada vezes nada no Brasil. A questão é que os americanos se acostumaram a gostar dessa postura até então passiva da sua "parceira". A AT&T teria outros planos em mente: prefere se concentrar em áreas teoricamente secundárias, como a Região Nordeste e o Sul do país. Pode parecer contraditório, mas faz todo o sentido dentro do ambicioso estratagema do grupo. A AT&T quer comprar empresas da Banda A ou B na mesma área de atuação em que abocanhar a terceira letra do alfabeto e sabe que será mais fácil conseguir o controle de companhias em regiões menos votadas do que fazer uma proposta para tirar a Telesp Celular da Portugal Telecom ou a Telefónica de España da Banda A no Rio. O resultado dessa queda-de-braço doméstica? É bem provável que a BT abaixe sua bola, coloque seus planos para escanteio e siga os ditames da AT&T. Até porque é recomendável prudência com quem tem tanta bala na agulha . Apenas uma de suas empresas que foi colocada debaixo da joint venture com os ingleses, a AT&T Wireless, fatura mais de US$ 53 bilhões em todo o mundo, ou seja, mais do que a receita de toda a BT. Como se não bastasse, já estaria acertado que o grupo vai entrar com a maior parte dos recursos necessários para a compra de empresas no Brasil, mais um motivo para que a British Telecom assine embaixo dos planos do seu sócio. Vale lembrar que embora seja cedo para se falar em riscos de cizânia para os leilões da Banda C, a AT&T pode perfeitamente participar sozinha da operação. Já os ingleses teriam menos fôlego para encarar o negócio sem parceiros peso-pesados.

 

GE Celma cresce nas asas da Embraer

A GE está ligando as turbinas de duas operações no Brasil, estendendo o que já tem em parceria com a Celma e a Varig no mercado de manutenção de motores. A companhia acertou com a Embraer o fornecimento de motores para os aviões RJ 170 e RJ 190, os novos modelos que já foram negociados internacionalmente pela empresa aérea. A GE Celma fechou ainda a compra de toda a unidade de manutenção da Varig no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Com isso, fecha o cerco para disputar palmo a palmo com a Rolls-Royce o fornecimento de motores para os jatos regionais da Embraer. Os ingleses estão equipando o EMB 145, com 50 passageiros, que voa na Europa, Ásia e Estados Unidos. Os americanos da GE Celma fornecerão os motores para os modelos RJ 190 100, com capacidade para 98 passageiros, e RJ 190 200, que transportará 108 passageiros, além do RJ 170, com 70 assentos. O RJ 190 já foi negociado com a empresa suíça Crossair, a Regional Air, da França, e com o fundo de investimento GE Capital, que faz leasing de aeronaves. O fundo pretende inclusive fazer operações de financiamento no mercado sul-americano e dos Estados Unidos. Mas a disputa está apenas começando. A GE Celma negocia com a Embraer o fornecimento de outros lotes de motores, incluindo no pacote os serviços das unidades de manutenção que comprou e que ainda comprará, além da GE Capital, que faria novas operações de leasing. Para a Embraer, o acordo caiu como uma luva. Abre outros mercados e amplia o leque de financiamentos para os compradores de jatos da companhia, inclusive nos Estados Unidos, onde terá uma guerra com a Boeing tão ou mais acirrada do que tem com a Bombardier na Europa e Ásia.

 

 

Revista Brasil Sempre    Revista Case Studies

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1526 - 28/11/2000

Salto de banda
A Icatu Hartford pode se tornar só Hartford bem mais rápido do que previa o plano inicial de diluição do capital da família Almeida Braga na seguradora. Conversou-se muito sobre isso, neste final de semana.


•O Scotiabank decidiu não mais esperar e está revirando os números do Besc.



Monomania
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, só pensa naquilo. Trabalha furiosamente para emplacar, ainda em 2001, a venda do bloco de controle de Furnas separadamente, pulverizando, em seguida, o restante do capital. Com o governo não ficaria nada, nem uma golden share.



A Renfe será a operadora das próximas investidas da espanhola CAF em linhas de metrô.


Próxima parada
A canadense Lavalin desembarca no país para disputar o mercado de Veículo Leve sobre Trilho no eixo Rio-São Paulo.


•Para quem pensa que a companhia de um fundo de pensão é irrecusável, a Blue Tree está cortando cada vez mais o cordão umbilical com a Funcef.


Sentado
O presidente da RGE, Sidney Simmonagio, é cotadíssimo para permanecer no comando da empresa mesmo após a venda das participações da Previ e da VBC para os americanos.


A Rodobrás está fechando parceria com o BB para logística no agribusiness.

 

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