Um
decálogo contra as
O leilão da
Copene é um turbilhão de versos e anversos. Quanto mais próximo da data
de venda da empresa, prevista para 14 de dezembro, maior é o volume de
versões e contraversões que se chocam em um frenético vaivém. Já os fatos,
procuram-se, fresquinhos, irrefutáveis. Todavia, permanecem envoltos pela
extensa malha de interesses destoantes e, em alguns casos, indizíveis.
Como prever o futuro é tarefa exclusiva de pitonisas e oráculos, não arriscamos
100% do cacife. Mas em meio ao cascalho é possível garimpar as seguintes
preciosas assertivas:
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I.
Noves fora, hoje estaria em torno de pouco mais de US$ 1 bilhão
o preço mínimo secreto da Copene.
II. Se tamanho for mesmo documento, a Dow largou na frente. A empresa internou cerca de 80 representantes no data-room da Copene. O contingente do Ultra e da Copesul não passa de 20 pessoas. III. A Dow teria planos de promover um revival da estratégia utilizada no Pólo Petroquímico de Baia Blanca, quando levou, mas não ficou com tudo - duas semanas após a operação, vendeu a parte de PVC para a Solvay. IV. A Basf deve adotar o estilo Kagemusha: deixar tudo como está para ver como é que fica. Permaneceria de fora do leilão, podendo, posteriormente, se associar ao comprador ou adquirir ativos que não estejam nos planos do novo controlador. V. O Grupo Ultra carrega toda a torcida do BNDES, mas não tem bala. Hoje, possuiria cerca de US$ 350 milhões em caixa. A agência de fomento entraria no máximo com mais US$ 300 milhões. O resto é um grande buraco negro. E não é só: dois candidatos ao leilão já levantaram que o futuro controlador da Copene terá que colocar, pelo menos, mais US$ 500 milhões na empresa para modernizá-la. |
VI.
Se serve de consolo para Paulo Cunha, a fusão do Ultra com a Copene
lhe renderia, logo na partida, um ganho fiscal da ordem de R$
200 milhões. Não é nada, não é nada...
VII. E já que o assunto é o Grupo Ultra, um último drops: o corpo técnico do BNDES não teria aprovado, até hoje, a SPE criada em parceria com a companhia. VIII. Não há espaço para operações cítricas. Ao contrário do que vem se alardeando à boca miúda, a Odebrecht não será, em hipótese alguma, laranja da Copesul, da Ipiranga ou de qualquer outro candidato adepto do mimetismo. IX. A história do laranjal, assim como as informações de que o comitê das cinco famílias controladoras da Ipiranga teria vetado a entrada da Copesul no leilão, estaria sendo plantada por Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. X. O tal comitê da Ipiranga pode até fazer suspense, mas jamais, em momento algum, disse com todas as letras que a Copesul era carta fora do baralho. Fechar questão de antemão e de maneira tão peremptória seria, no mínimo, jogar contra o próprio patrimônio. Afinal, de todos os concorrentes, a Copesul é quem teria maiores ganhos de escala com o negócio. |
| • Conflito ianque à vista na ATL. A Williams não estaria nada satisfeita com a maneira centralizadora como a Southwestern estaria tocando a empresa. | • Furnas, Chesf e Eletronorte assumiram seu lugar no Conselho de Administração da Eletronet. Todas se cansaram da parcimônia com que a Lightpar as representava. | • A família Bezerra de Melo já não sabe o que fazer para reverter os fracos resultados do Hotel Othon de Belo Horizonte. O lucro deste ano não deve passar de modestos R$ 300 mil. | • A americana Suiza Foods vai desembarcar no mercado brasileiro de laticínios. Na bagagem, US$ 50 milhões para comprar fábricas em Minas Gerais e São Paulo. |
relatório nº 1522 - 22/11/2000
Top
secret
A alta cúpula da Parmalat entrou em depressão ao saber que o ex-presidente
da empresa no Brasil, Gianni Grisendi, estaria sendo assediado por uma
grande concorrente. Após anos na empresa, Grisendi é um pote repleto
das mais secretas minúcias do grupo italiano.
Overprice
Em busca de um sócio estratégico para suas empresas de telecomunicações
- Itatel e Skytel - Olacyr de Moraes encontrou bem mais do que esperava:
uma oferta de um grande grupo americano pelas duas empresas.
Furada
CPI no Senado para lá, CPI na Câmara para cá e a ISL resolveu baixar
a bola. As conversas que estaria mantendo com o São Paulo ficarão para
a prorrogação. Por enquanto, novos negócios no Brasil só o acerto com
o Palmeiras.
Segundo
round
Para agilizar a venda da Copel, o governador Jaime Lerner deverá privatizar
primeiro a distribuidora de energia. A geradora e a transmissora só
vão a leilão posteriormente.
Iberdrola
News
Com cara de poucos amigos, representantes da Previ já teriam procurado
a Endesa, que está assumindo a Iberdrola. A fundação quer vender o quanto
antes suas ações na Guaraniana.
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Se a participação do capital privado ficar restrita à construção de
Angra 3, sem incluir a operação, a Iberdrola salta de banda da disputa.
Guilhotina
O Santander já teria, há mais de três meses, um estudo sobre o enxugamento
da rede do Banespa. A princípio, os maiores cortes ficariam para a Região
Nordeste, onde há sobreposição com antigas agências do Noroeste e do
Geral do Comércio.
Cargueiro
Mais um indício de que o BB decidiu apostar de vez nas commodities agrícolas.
Ricardo Conceição, diretor da área rural do banco, está costurando um
acordo com a Ferronorte, que assumiria a logística do transporte de
produtos negociados pela instituição.