EDP marca a data do "ou vai ou
racha" na Escelsa

O dia primeiro de dezembro será uma data emblemática no calendário da Escelsa. Neste dia, o presidente mundial da EDP, Mário Cristina de Souza, estará chegando ao Brasil para resolver de uma vez por todas a pendenga societária com os fundos de pensão acionistas da distribuidora capixaba. O executivo não virá ao país disposto a aceitar meio-termo: ou as fundações aceitam reabrir as negociações para vender sua participação no consórcio GTD para a EDP ou então é o próprio grupo português que deixará a companhia. Mário de Souza já traçou, inclusive, os passos seguintes para as duas hipóteses. Se EDP e fundos de pensão acertarem os ponteiros, o atual presidente da Escelsa, Francisco Gomide, sai imediatamente da distribuidora. Em seu lugar, entraria um nome de consenso entre GTD e EDP, que formaria uma diretoria de transição até a saída dos fundos. Caso contrário, se não houver acordo, os portugueses autorizarão o presidente do grupo no Brasil, Eduardo Bernini, a negociar a venda dos 38% que detêm na Escelsa. Não é de hoje que EDP e fundos de pensão têm sérias dificuldades de relacionamento dentro da Escelsa. Agora, no entanto, há fortes indícios de que todos os caminhos levam a um diálogo e a um acerto entre os sócios da empresa. Ao contrário da resistência de algum tempo atrás, os fundos de pensão vêm dando sinais de que aceitam conversar. A própria vinda do presidente mundial da EDP ao país é um sintoma de que existem entendimentos entre as partes. Afinal, é difícil imaginar que Manoel de Souza se despencaria de Portugal até aqui se tivesse a menor desconfiança de que gastaria seu tempo. Outro fator que pode ajudar nas negociações é a atual situação financeira da Escelsa. Ao contrário do prejuízo de R$ 131 milhões no ano passado, a empresa deve fechar 2000 no azul. Esta recuperação e a certeza de que vale a pena investir na empresa podem ser a senha que faltava para a EDP finalmente colocar na mesa uma proposta capaz de encerrar de uma vez por todas este arrastado folhetim societário.


Fertibrás é a cura para ressaca da Nörsk Hydro

Nada como um grande negócio para superar uma antiga ressaca. Depois de ter que colocar mais de R$ 100 milhões na Adubos Trevo e ainda engolir a seco uma dívida superior a R$ 150 milhões, a Nörsk Hydro prepara-se para uma nova investida no Brasil. O grupo norueguês estaria negociando a compra da Fertibrás, uma das últimas empresas de fertilizantes do país ainda com capital nacional. As conversações com Wladimir Puggina, controlador da companhia, estariam, inclusive, bastante adiantadas. Há algum tempo, a Fertibrás, acionista da Fertifós (controladora da Fosfértil), chegou a ser disputada cabeça a cabeça por Bunge e Cargill. Porém, depois que a Bunge adquiriu a Manah e assegurou a supremacia acionária na central de matérias-primas do setor, o interesse das duas multinacionais pela companhia murchou. Para a Nörsk Hydro, no entanto, que não tem nem um pedacinho de terra no capital da Fertifós, trata-se de um grande negócio. Sobretudo porque, além dos 13% que possui do consórcio, a Fertibrás ainda detém 3% diretamente na Fosfértil. Como se não bastasse esta entrada no capital da Fosfértil, o que, por si só, já justificaria a operação, a Nörsk Hydro poderá colocar as mãos em uma empresa muito mais enxuta do que a Adubos Trevo. A Fertibrás já faturou nos primeiros nove meses do ano mais de R$ 150 milhões, bem acima dos R$ 110 milhões registrados em igual período no ano passado. Além disso, deve fechar o ano com um lucro próximo dos R$ 15 milhões, 50% superior ao resultado de 1999.


1David Zylbersztajn inici- ará o segundo mandato na ANP em grande estilo: apresentará a regulamentação da liberação das importações de derivados de petróleo.
2 O projeto será submeti- do a consulta pública após a aprovação da lei sobre os combustíveis. Com as regras, a Petrobras terá que liberar seus dutos e terminais para concorrentes.
3 Por falar em Zylbersz- tajn, ele está angariando pessoalmente o apoio do BNDES e de empresas do setor à regra que amarra a aquisição de bens e serviços à indústria nacional.

 

Revista Brasil Sempre    Revista Case Studies

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1521 - 21/11/2000

Terceirização
Com o dinheiro alheio, tudo é sempre mais fácil. Jorge Gerdau teria sondado o BNDES sobre a possibilidade de um financiamento para a compra da parte de Ângelo Calmon de Sá na Açominas.


• Paulo Setúbal estaria debruçado sobre o projeto de um aumento de capital da Itautec-Philco.


Banco ejetável
O board da Daimler-Benz teria avisado o presidente da Mercedes no Brasil, Ben Van Schaik: se a fabricação do Classe C em Juiz de Fora, que começa em janeiro, não se mostrar rentável em seis meses, parte da diretoria da empresa poderá ficar a pé.


Será que o clima de despedida da Enron em energia se espalhou para o saneamento? O grupo determinou que a Azurix interrompa as análises que vinha fazendo para os leilões do setor.


Teleprejuízo
Os controladores de uma operadora celular do eixo Norte/Centro-Oeste não agüentam mais os índices de inadimplência, que chegaram a 35% da receita. É por essas e outras que não vêem a hora de pular fora do negócio.


• A americana ACI ligou seu radar em busca de um sócio para a privatização da Infraero.


Pé na estrada
A Andrade Gutierrez está preparando um aumento de capital na Pegasus, sua subsidiária. Seriam lançadas ainda debêntures conversíveis e negociada uma linha de financiamento com o BNDES. Tudo para construir uma nova rede de fibra em rodovias.

 

leia já | opiniões | assinatura | pesquisa | arquivo | fale conosco