Cargill transforma uma queda
em um novo passo de dança

Nada como o peso de uma concordata sobre as costas para minar antigas resistências. Há alguns meses, as famílias Crestani e Consoli, controladoras da Olvepar, recusaram uma oferta da Cargill de US$ 100 milhões. Sorte da multinacional. Agora, o grupo norte-americano está perto de realizar um dos seus negó-cios mais rentáveis em solo brasileiro: ficar com os silos e as fábricas da empresa, uma das maiores esmagadoras de soja do país, pagando bem menos do que o dote oferecido tempos atrás. Obrigada, por decisão da Justiça, a quitar uma dívida de R$ 225 milhões até julho do próximo ano, e sem grandes alternativas financeiras, a Olvepar estaria negociando a venda de suas instalações para a Cargill. A diferença é que, agora, os valores conversados não chegam nem a resvalar na centena de milhares de dólares. Pelos armazéns, a empresa norte-americana teria oferecido cerca de R$ 40 milhões. Pelo complexo industrial, que engloba as unidades de Clevelândia e Ponta Grossa, no Paraná, e em Cuiabá, no Mato Grosso, é possível que a proposta seja um pouco mais generosa, superior a R$ 50 milhões.
Para a Cargill, seria um negócio e tanto. Além da economia em relação à oferta feita há alguns meses, o grupo levaria para casa um moderno parque fabril, o melhor dentre as empresas nacionais do setor. Com isso, somaria à sua operação no país uma produção perto de um milhão de toneladas de soja por ano, levando-se em conta, é claro, a compra de todas as unidades da Olvepar. A capacidade total, no entanto, ultrapassa 1,2 milhão de toneladas por ano. Ao todo, a multinacional teria o significativo número de oito unidades de esmagamento no país, reduzindo a distância que a separa da Bunge, maior beneficiadora de soja do Brasil. Mas este talvez não seja o grande ganho da Cargill com a operação. É bom ressaltar que o grupo não assumiria um tostão da dívida da Olvepar, uma vez que não estaria comprando integralmente a companhia, mas apenas suas instalações. Há alguns meses, se tivesse adquirido a empresa inteira, sem descontos, engoliria um passivo superior a R$ 200 milhões. Agora, estaria cada vez mais perto de ficar apenas com a parte boa da história.


A americana Santa Fe e a South Korean não param de trocar figurinhas. Da prosa, deve sair um consórcio para a próxima rodada de licitações da ANP.
•Alguém ainda se lembra da privatização da Cosesp? Pelo menos o governador Mário Covas, sim. Ele quer retomar o assunto no início de 2001.
O empresário Carlo Sola, controlador do Frigorífico Sola, estaria prestes a sair do negócio. Teria até contratado uma con-sultoria para avaliar a empresa.

Fora de hora
A MCI vem pensando seriamente em postergar o fechamento de capital da Embratel, que estaria sendo elaborado há meses. Os americanos perceberam que não poderia haver hora mais imprópria para a operação. Justo agora, no momento em que deverá encarar uma brigalhada jurídica com os acionistas internacionais da empresa - devido ao conflito de interesses provocado pela vinda da UUNet, sua subsidiária, para o Brasil - quanto menos marola, melhor.
Efeito Denorex
Francisco Gros está convicto de que o BNDES levou gato por lebre em recente empréstimo para uma operadora de telefonia celular. O custo do financiamento - coisa de mãe para filho - seguiu os critérios das operações com empresas nacionais. Porém, é o típico caso do "parece, mas não é". Gros teria sido alertado de que a companhia, embora aparentemente controlada por um grupo brasileiro, pertence, de fato, a um sócio estrangeiro. Mas aí Inês já era morta.
Conta própria
A compra da Gradiente Telecom teria enterrado o interesse da Nokia em entrar no capital da Inepar Telecom. Em vez da associação, a companhia vai construir uma fábrica em São Paulo. Além disso, negocia uma parceria com a Telefónica para o desenvolvimento do celular GSM. Pelo acordo, a Nokia forneceria tecnologia e financiaria a compra dos equipamentos para as futuras concessões dos espanhóis. Em troca, ficaria com uma pequena participação no negócio.

 

Revista Brasil Sempre    Revista Case Studies

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1518 - 16/11/2000

Plantão Total
O diretor-geral da TotalFinaElf no país, Michel Meyer, não pensa em outra coisa. São 24 horas por dia respirando um mega-acordo com um grupo europeu para um swap de participações em blocos de exploração no Brasil. Em troca, a TotalFina vai oferecer campos em Angola.


·Após a Elektro, a Enron passará adiante a Gaspart.


Metamorfose
A família Klabin acha que tudo era mais fácil quando a Kimberly-Clark se contentava em ser um pacato parceiro operacional. Agora que resolveu pleitear uma participação minoritária na empresa, algo como 10%, está deixando de ser solução para se tornar um potencial problema.


Se a Danone quer mesmo negócio é bom se preparar para entrar no capital da Paulista. A empresa já avisou que não aceita vender fábricas separadamente.


Torneira fechada
Já não é mais a mesma a disposição do empresário argentino Francisco Macri de colocar dinheiro do próprio bolso na Chapecó. O próximo aporte de recursos da empresa deverá vir através de uma emissão de debêntures.


De nada valeram os petiscos fiscais oferecidos pelo governador baiano César Borges. Nº1 do Meridién no Brasil, Adrian Constant decidiu tirar Salvador da sua rota de negócios.


Pouso triplo
Quem está se preparando para disputar a concessão de pelo menos três aeroportos no eixo Rio-São Paulo é o grupo americano Ogden Energy.

 

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