FHC na mira do
ofidiário da Previ

Não é de hoje que a Previ age como bem entende e o governo faz vista grossa. Até talvez por carregar um certo constrangimento pelo jeito como a fundação foi exposta em alguns cases da privatização. Bem, a Previ é uma entidade de direito privado, suas decisões não têm mesmo que acompanhar o interesse governamental e enquanto resguardar sua independência em nome do interesse dos beneficiários, nada a opor. Ocorre que o Palácio do Planalto recebeu informações precisas de que nem só da capacidade atuarial e rentabilidade dos investimentos se ocupam os paladinos do fundo de pensão. Sigiloso como deve ser tratado o assunto, na esfera da diretoria um pequeno e seleto grupo trabalha, sob os auspícios de Henrique Pizzolato, na produção de um alentado dossiê sobre "o governo FHC e o escândalo da privatização". Não se sabe bem o que uma peça dessa qualidade pode fazer em favor da Previ, mas é fácil de imaginar sua serventia por ocasião do processo sucessório da Presidência da República. O Palácio do Planalto não pensa em intervenções diretas ou outras medidas de força tão comuns em outros tempos. Como se sabe, no Conselho da Previ funciona uma modelar democracia representativa, com parte dos integrantes eleitos pelos funcionários do Banco do Brasil. Mas é impossível acreditar que tudo ficará como está no bunker da fundação. Uma boa pista por onde começar é a data limite de 16 de dezembro para que os fundos de pensão de empresas estatais se enquadrem na regra de paridade de contribuição. É que todas essas fundações, quando de sua criação - a maioria delas com a assessoria do altuário Rio Nogueira - adotaram uma contribuição maior da empresa patrocinadora do que dos empregados. Entre as companhias maiores, a contribuição do empregador era em geral duas vezes a do empregado, mas havia casos extremos em que chegava até a 16 vezes. Todas as fundações já se enquadraram, como é o caso da Petros e da Funcef. A única que ainda não se enquadrou foi a Previ. O diretor Henrique Pizzolato andou dando sua versão sobre o caso. "Um plano de adaptação está prestes a ser firmado entre a direção da Previ e do BB. A Previ vai suportar a paridade porque tem um superávit técnico causado por seis anos nos quais os funcionários do banco ficaram sem reajuste salarial". Aparentemente, o dirigente da Previ, ele mesmo um funcionário do banco, e conseqüentemente sem reajuste há seis anos, está querendo reviver a velha tradição da "bandinha" dos funcionários do BB, tão conhecida das pessoas que trabalham nas imediações da Av. Rio Branco, no Rio de Janeiro. A "charanga" passava os dois meses que antecediam o dissídio coletivo a "passear" de um lado para outro pela avenida mais movimentada da cidade tocando o antigo sucesso: "Ei, você aí, ... me dá um dinheiro aí,... me dá um dinheiro aí". Evitar que o contribuinte acabe no final pagando por essa "farra do boi" pode ser um motivo e tanto para que o governo acerte dois coelhos - ou serão duas serpentes? - com uma só cajadada. Por um lado, enquadra a Previ no regime de contribuição igual ao das demais fundações, e, por outro, desmantela o ofidiário que vem se reproduzindo a partir de alguns comandos da instituição.

Revista Brasil Sempre

 

Revista Case Studies

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1517 - 14/11/2000

Trio Parada Dura
Maurício Botelho, da Cataguazes-Leopoldina, estaria suando para convencer a Alliant, sua sócia, a participar dos leilões da Saelpa, da Cepisa e da Ceal. Para os norte-americanos, um leilão, tudo bem; dois, pode até ser; mas três é demais.


Idéia fixa
Vai gostar de levar "não" assim lá no Japão. A Matsushita estaria preparando a enésima proposta para tentar comprar a Embraco, controlada pela norte-americana Whirpool.


• Com o devido aval de Pedro Malan, o nome de Gésner de Oliveira, ex-Cade, voltou a ser cogitado para assumir a Agência Nacional de Aviação Civil.


Bifurcação
Jorge Paulo Lemann sepultou as esperanças da americana Rail Tex. Já avisou que se o grupo quiser disputar a privatização da Ferrovia Norte-Sul, que vá sozinho. O GP Investimentos, seu sócio na ALL, está fora do negócio.


Passa Gelol
A AES já está até com cãibras. A empresa segue sua via crucis atrás de clientes e parceiros para a Eletronet. Agora, está tentando fechar um acordo com a Vésper para a transmissão de dados, voz e imagens por cabos de fibra óptica.


Tem gente nova no pedaço preparando-se para as licitações da Banda C: a espanhola Endesa estaria encabeçando um consórcio para disputar os leilões.


TAM em revista
Em petit comité, Rolim Amaro, da TAM, não tem economizado nas ácidas críticas a Celso Cipriani, presidente em exercício da Transbrasil. Rolim ainda não engoliu a forma súbita com que foi desfeito o acordo entre as duas empresas. ttt E por falar em Rolim Amaro, o empresário já tem um nome para assumir o comando executivo da TAM, dentro da reestruturação em curso na companhia: Fernando Perrone, presidente da Infraero.


A Nestlé já mandou um torpedo para a Parmalat: mesmo antes dos italianos definirem as operações que vão vender no Brasil, avisou que é candidata ao negócio.


Voz ativa
Não é que o governador de Goiás, Marconi Perillo, resolveu falar grosso com o BNDES. Perillo, que jamais conseguiu deslanchar a venda da Saneago, companhia de saneamento do estado, quer que o banco realize a privatização impreterivelmente até o fim de 2001.


A Toronto Transit Comission pegou uma carona nos planos da Bombardier: será o operador das concessões metroviárias arrematadas pelo grupo no Brasil.


Isca atômica
Nada neste mundo faz a EDF tirar Angra 3 da cabeça. Para aumentar o interesse do governo em construir a usina, os franceses estariam se oferecendo até para comprar os equipamentos e revendê-los para a Eletronuclear com descontos camaradas.

 

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