ADM só colhe prejuízos e dá meia-volta no setor de
fertilizantes

A operação da ADM no Brasil é uma entressafra atrás da outra. Como se não bastassem os sucessivos prejuízos em esmagamento de soja, a empresa deverá sofrer mais um severo contratempo no país. Sem condições de disputar o mercado de igual para igual com grupos como Bunge e Cargill, a ADM resolveu entregar os pontos e estaria pulando fora do setor de fertilizantes. A decisão é emblemática. Em português claro, significa dizer que uma das maiores corporações mundiais do setor, da qual se esperava maciços investimentos na indústria de fertilizantes, resolveu abandonar o barco. Trata-se da primeira grande baixa desde que, nos últimos anos, grupos internacionais assumiram as rédeas do mercado brasileiro. A própria companhia norte-americana já havia anunciado a intenção de ampliar a sua fábrica de fertilizantes localizada em Catalão, Goiás, e até comprar alguma empresa brasileira. Foi tudo por água, ou melhor, por terra abaixo. A matriz da ADM já teria decidido se desfazer da unidade goiana, um negócio que poderá chegar a US$ 25 milhões. Com produção anual de 300 mil toneladas, a fábrica precisaria de pesados investimentos para triplicar este volume e tornar-se minimamente rentável. Insatisfeita com os resultados da operação, a multinacional preferiu não correr o risco de desembolsar até US$ 10 milhões na modernização da fábrica e, mesmo assim, continuar perdendo dinheiro. A ADM ainda não iniciciou conversações oficiais, mas a Cargill já teria sondado o negócio. Definitivamente, a ADM e o Brasil parecem não terem sido feitos um para o outro. Afinal, como pode um grupo que fatura US$ 15 bilhões em todo o mundo e é reconhecidamente uma das maiores empresas internacionais do setor de agribusiness, tropeçar tanto no país? A eventual saída do setor de fertilizantes seria apenas mais um dos seus tantos percalços no Brasil. As perdas na indústria de esmagamento de soja já chegariam a US$ 100 milhões, prejuízo que teria aumentado ainda mais com a recente compra das unidades da Granja Rezende.


"Maldição do Nordeste" ataca refinaria da Samsung

Alguém deve ter rogado uma praga contra a construção de novas refinarias no Nordeste. A exemplo do que ocorre com a Thyssen, que pena para levar adiante o seu projeto no Ceará, também entrou água por tudo que é lado nos planos da Samsung. O grupo coreano já percebeu que dificilmente conseguirá erguer uma refinaria em Pernambuco, como pretendia. A empresa recebeu a informação de que a Repsol/YPF deverá construir um terminal marítimo no estado para a importação de derivados de petróleo a partir de 2002. A operação praticamente inviabiliza o projeto da Samsung, afinal o produto externo chegaria ao país já refinado e com preços mais baixos. Além disso, o terminal tem um trunfo a seu favor: a localização privilegiada de Pernambuco, relativamente próximo da Venezuela, Golfo do México, Nigéria e Mediterrâneo, quatro áreas de grande exportação de petróleo. Resumo da ópera petroleira: os coreanos não querem torrar US$ 1 bilhão em um negócio de retorno duvidoso e é bem provável que engavetem o projeto. Para não ficar literalmente a ver navios, a Samsung já providenciou uma alternativa. A empresa negocia com a Petrobras parcerias para investir na ampliação da produção e modernização dos equipamentos da Refinaria Landulfo Alves, na Bahia, e de outras unidades da estatal. Inicialmente, o acordo não prevê sua entrada no capital da refinaria, até porque a Petrobras já está comprometida com outras companhias internacionais em negócios que envolvem trocas de participações. E no caso específico da Relam, olha a Repsol/YPF de novo no caminho dos coreanos. O grupo é forte candidato a entrar no capital da refinaria, o que fechou as portas para a Samsung.


Revista Brasil Sempre

 

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1515 - 10/11/2000

Efeito dominó
Ligado ao diretor financeiro do Banco do Brasil, Vicente Diniz, que balança feito vara verde, o superintendente da BB DTVM, Nemésio Altoé, também estaria com os seus dias contados.


Uma diferença de US$ 25 milhões está impedindo que a mexicana Bimbo feche a compra da Pullman e da Plus Vita junto à Bunge.


Camisa 12
O empresário Abdo Hadad, dono da Cineral, torce como poucos pela recuperação da Daewoo. Com sérios problemas financeiros, os coreanos já teriam dado sinais de que devem repensar a sua atuação na indústria de eletroeletrônicos no Brasil.
                  •
Se, eventualmente, a Daewoo resolver sair do país, deixará órfã a Cineral, responsável pela montagem dos seus equipamentos no país.


• A BNDESPar já telegrafou para os demais acionistas da CEG - Iberdrola, Gas Natural, Enron e Pluspetrol: até o início de 2001 vai deixar a empresa.


Próxima parada
A GE Capital vai fazer baldeação em São Paulo. Espera sair de lá controladora da Companhia Paulista de Trem Metropolitano, que está para ser leiloada.


Nem mesmo os préstimos financeiros do grupo Lorentzen estariam sendo suficientes para revitalizar as finanças do Ideiasnet.


Comboio
A Fiat está fechando um acordo com a MRS, com o qual espera resolver parte dos seus problemas de logística.


1 Demosthenes Madureira Pinho, diretor do Dresdner Asset Management, está com a cotação em alta no banco alemão.


2 Winston Fritsch, presidente do banco no Brasil , pretende transformá-lo no segundo homem de todo o grupo no país.


3 Mas, para isto, precisará cobrir duas ofertas de instituições financeiras que estão na mesa de Madureira Pinho.

 

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