tml> Relatório Reservado Nº1512 - 07/11/2000
 

Tractebel esconjura o ágio e cresce por conta própria
no Brasil

Ágio? Um, dois, três isola. Vade retro. A Tractebel não quer nem ouvir esta palavra. Se alguém ainda achava que os belgas entrariam para rachar nos próximos leilões de energia pode esquecer. A empresa está empenhada em mostrar que existe um atalho para crescer no país, notoriamente no setor de geração, sem ter que necessariamente gastar fortunas na compra de estatais. A estratégia da Tractebel é construir uma fileira de usinas no Brasil. A companhia já comunicou ao ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, que tem uma série de planos para a Região Centro-Oeste. O grupo pretende aproveitar o potencial do Rio Tocantins para espalhar algumas geradoras na área. A idéia é, no curto prazo, triplicar a sua capacidade de geração na região, onde já controla a hidrelétrica de Canabrava, em Goiás, com 450 megawatts. Para isto, está concluindo uma termelétrica em Mato Grosso do Sul, com 120 MW, que será convertida do diesel para o gás e terá todas as suas turbinas funcionando no início do próximo ano. Além disso, estaria conversando com fundos de investimento internacionais para fechar consórcios em torno da construção de novas usinas. Dentro do seu planejamento, a Tractebel vai construir hidrelétricas e termelétricas utilizando o fluxo de caixa da própria geradora para financiar a obra. A partir deste sistema, a empresa vende toda a energia futura assinando contratos de Power Purchase Agreement (PPA). Além disso, pretende levar para o capital da geradora indústrias que comprarão a energia para consumo próprio. Esta opção pelo crescimento orgânico em detrimento da participação em leilões deverá, inclusive, fazer com que a Tractebel siga na contramão de quase todos os grupos internacionais de energia instalados no país. É pouco provável que a companhia passe a atuar como trading dentro do Mercado Atacadista de Energia. Como o grupo possui apenas uma comercializadora, na verdade uma subsidiária da Gerasul, sua controlada, deve se limitar a entrar apenas no mercado spot com pequenas sobras de energia.


Jerônimo Martins enche o carrinho em São Paulo

O período de reconhecimento do gramado é coisa do passado. Após um longo tempo de recatada presença no Brasil, onde fez apenas uma aquisição de peso - os Supermercados Sé - o grupo Jerônimo Martins decidiu que é hora de entrar no jogo para valer. A companhia estaria se preparando para deflagrar uma vasta temporada de aquisições no país. Para começo de conversa, a idéia é crescer no interior de São Paulo, estado em que concentra a maior parte da sua operação. Na mira do Jerônimo Martins, estariam redes como a Supermercados Gimenes e Irmãos Russi. Juntas, as duas empresas possuem mais de 30 lojas em São Paulo e faturam quase R$ 400 milhões por ano. Isso para não falar da possibilidade de aquisição do Bandeirante, uma rede de 19 lojas. Neste caso, porém, os portugueses precisarão ter um pouco de paciência e aguardar o fim da pendência entre o controlador da empresa, João Carlos Veríssimo, e o Chase Capital Partners Latin America. Sócio do Bandeirante, o fundo norte-americano quer deixar o negócio sem fazer uma série de aportes previstos no contrato, algo com o que o empresário não concorda. Por enquanto, alcançar a turma dos cinco primeiros do ranking do varejo é tarefa complicada. Porém, é bom que o Wal-Mart se cuide. Logo, logo, o Jerônimo Martins pode tomar o sexto lugar do grupo norte-americano. Hoje, os portugueses faturam pouco mais de R$ 700 milhões. Com a eventual compra dos supermercados Gimenes, Irmãos Russi e Bandeirante, passariam de R$ 1,1 bilhão, deixando para trás o Wal-Mart, dono de uma receita em torno de R$ 1 bilhão.


 

Revista Brasil Sempre

 

 

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1512 - 07/11/2000

Oferta casada
Abílio Diniz pretende ir muito além da participação da Dona Lily Safra no Ponto Frio. No mesmo pacote, deve fazer um lance pelos 12% do empresário Simon Alouan.


Varejonet
É bem possível que mesmo com o fim do seu contrato com as Lojas Americanas, em fevereiro de 2001, Cláudio Galeazzi não arrede o pé do varejo. O executivo foi sondado para comandar a operação pontocom de um grupo varejista europeu no Brasil.


• De zero a cem, são de 99,9% as chances de que Thomas Bard, vice-presidente da Chevron no país, assuma a operação brasileira após a fusão com a Texaco.


Telefiador
A Southwestern Bell tornou-se mesmo uma espécie de arrimo de família da ATL. O grupo deve bancar as garantias para a nova emissão de debêntures que estaria sendo estudada pela companhia.


Cara e coragem
Itamar Franco parece cada vez mais disposto a peitar o governo federal, que proibiu a presença de estatais no leilão de Furnas. O presidente da Cemig, Djalma Bastos, está articulando a criação de um fundo de investimentos para comprar parte da geradora.


Carga extra
A MSGás e a Petrobras fecharam um acordo para construção de ramais do Gasoduto Bolívia-Brasil, pré-condição para a instalação de térmicas no Mato Grosso do Sul.


•Já que a maré no mercado brasileiro de pagers não é das melhores, a Conectel vai expandir a área de cobertura da Cidetron, sua controlada, para a Argentina.


•Se a CSW, sua sócia, entrar com parte dos investimentos, o Grupo Rede encara a disputa pela Copel. Caso contrário, deve assistir ao leilão pela televisão.


•O empresário Eggon João da Silva procurou o RR para esclarecer que a Weg não está negociando a venda da sua participação na Perdigão.


•A Nokia bateu na porta do governo de São Paulo. Quer incentivos fiscais para construir uma fábrica de celulares com tecnologia GSM no estado.

 

leia já | opiniões | assinatura | pesquisa | arquivo | fale conosco