tml> Relatório Reservado Nº1509 - 01/11/2000
 

Trem-pagador passa ao largo dos credores da Cobrasma

Se já era complicado para os credores da Cobrasma receber um tostão sequer, agora, então, é que dificilmente verão a cor do dinheiro. A Justiça decidiu entregar definitivamente a fábrica de Hortolândia, em São Paulo, aos funcionários da empresa, como pagamento das dívidas trabalhistas de R$ 43 milhões. Ou seja: depois de muitos anos, o trem-pagador até partiu, mas não passou nem perto dos credores da companhia - Receita Federal, INSS e um pool de bancos liderado pelo Sudameris - que tentam receber mais de R$ 750 milhões. Com isso, aquela que era uma das últimas esperanças dos credores virou fumaça. A idéia era encontrar um comprador para a unidade de Hortolândia. A operação não cobriria, nem de longe, o passivo total da Cobrasma. Mas, ao menos, já serviria para que ninguém saísse de mãos abanando. Agora, resta aos credores apertar o cerco sobre o empresário Luís Eulálio Bueno Vidigal Filho, dono da Cobrasma. Ou, então, rezar para que Vidigal não esteja lançando uma bravata quando diz que pretende processar a União por eventuais perdas decorrentes do Plano Cruzado. Pelos cálculos do empresário - baseados em que critérios não se sabe - a ação poderia lhe render quase R$ 1 bilhão. Daria para pagar tudo com sobras. Levar é muito difícil, mas não custa tentar. Enquanto isso, os credores da Cobrasma vão gastar mais um cartucho: deverão entrar na Justiça com um pedido de falência da empresa. O objetivo é conseguir vender o que restou do patrimônio. Não é nada, não é nada, mas, para quem não recebeu um único níquel, daria para angariar cerca de R$ 70 milhões. A história recente da Cobrasma é tão cheia de infortúnios que nem mesmo os empregados têm motivos para comemorar a decisão da Justiça. Por determinação do seu novo controlador - a Bombardier, a ADTranz deverá rescindir o contrato de arrendamento de parte da fábrica de Hortolândia. Os canadenses não admitem nem negociar com os empregados a compra da unidade. A planta precisa de muitos investimentos para ser modernizada e ampliada e a Bombardier não está nem um pouco interessada em pagar esta conta.


CAF e Renfe cruzam o Nordeste de metrô

Depois de avaliar e reavaliar as propostas de todos os candidatos à construção e operação do metrô de Salvador, o governo baiano já teria batido o martelo. O projeto deverá ficar a cargo do consórcio formado pelas espanholas CAF, Renfe e Dimetronics. A armada hispânica teria apresentado as melhores condições de preço e de capacidade de investimento. Uma vez confirmado o resultado, este seria o ponto de partida dos espanhóis no Nordeste, pelo menos da dobradinha CAF e Renfe. Ambas já se preparam para disputar a construção e a operação dos metrôs de Recife e de Fortaleza. A intenção é investir cerca de US$ 200 milhões na região. Diferente da Supervia, no Rio de Janeiro, na qual a CAF é minoritária e a Renfe é responsável apenas pela operação, os espanhóis não pretendem abrir o consórcio para a participação de bancos de investimento nacionais. O máximo que deverão fazer é trazer fundos de private equity estrangeiros para reforçar o caixa. A razão da medida é uma só: a dupla ibérica não quer dividir a cabine de comando da operação com mais ninguém.


Revoluções por minuto na Funcef

Nos últimos dias, o presidente da Funcef, Edo Antônio Ferreira de Freitas, vem enfrentando, provavelmente, um dos mais agitados períodos desde que assumiu o cargo, há pouco mais de um ano. A razão de tanta efervescência foi a decisão tomada, na última sexta-feira, pelo Conselho de Administração da fundação. Em uma discreta reunião, foi autorizada a contratação de profissionais de fora da CEF para alguns cargos da área financeira - diretor, gerente de investimento, gerente técnico e analista. A proposta teria causado um racha na diretoria. Temerosa de que, no futuro, a Funcef siga os passos da Petros e estenda a mudança para outras funções, inclusive a própria presidência, uma corrente teria trabalhado até a última hora contra a sua aprovação. Entre os integrantes do bloco da resistência, estariam aliados do atual diretor financeiro da entidade, Luís Carlos Cazetta. Entende-se o rebuliço. Ao que tudo indica, dificilmente Cazetta conseguirá se sustentar no cargo. Já não é de hoje que ele seria questionado dentro da Funcef. Cazetta estaria, na verdade, pagando o preço de ter tocado em um questão particularmente delicada dentro da fundação: a terceirização da gestão. Gradativamente, ele teria aumentado a parcela de recursos entregues a administradores profissionais. Para entender o problema que teria arrumado, basta recordar a contratação da primeira leva de instituições financeiras. O conturbado processo, realizado no primeiro semestre do ano passado, teria custado a cabeça do seu antecessor, Humberto José Magalhães.

 

Revista Brasil Sempre

 

 

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1509 - 01/11/2000

Voz ativa
A TotalFinaElf está tentando convencer a British Gas e a El Paso, suas sócias na BBPP, a comprar uma briga com os acionistas da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG).
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Mesmo com apenas 6% do capital da TBG, os franceses vão cobrar uma participação maior da BBPP na gestão da transportadora.


Fechado em copas
Enquanto dá os últimos retoques na criação da Agência Nacional de Aviação, Pedro Parente tem feito de tudo para driblar os insistentes telefonemas de executivos e empresários do setor. Todos têm uma sugestão na ponta da língua para a nova entidade.


• A alta direção do BNP teria levado, recentemente, ao presidente do BC, Armínio Fraga, a sua intenção de comprar um banco no país.


Aufwiedersehen
O leilão da Banda C perdeu um concorrente de respeito. A Deutsche Telekom desmobilizou toda a equipe que vinha trabalhando na operação. Enquanto não digerir a compra da americana VoiceStream, um negócio de US$ 50 milhões, o grupo não pretende beliscar nada no Brasil.


Latifúndio
A E-Plataform Venture Partners - leia-se Unibanco e Marcos de Moraes, ex-Zipnet - quer cruzar a fronteira com o portal TrigoNet. A idéia é fazer operações B2B com commodities agrícolas em todo o Mercosul.


Bilhete duplo
A alemã Dyckerhoff & Widmann engatou na conversa com a argentina Techint. O assunto é a licitação da linha 3 do metrô do Rio de Janeiro.


• Está sendo criada uma área no Ministério de Minas e Energia para cuidar da privatização das geradoras. Firmino Sampaio é pule de dez para comandá-la.


• A portuguesa Companhia Geral de Distribuição de Energia Elétrica negocia com a Copel a construção de termelétricas a biomassa no Paraná.


• Sócia da Embraer, a francesa Matra está fechando um pacote de financiamentos externos para abocanhar parte dos contratos de modernização da Força Aérea.

 

 

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