tml> Relatório Reservado Nº1508 - 31/10/2000
 

Primus fica pequeno
demais para os planos do Banif

O inferno astral da banca portuguesa na Terra de Santa Cruz não poupou quase ninguém. Se os infortúnios atingiram instituições do porte do Espírito Santo ou da Caixa Geral de Depósitos, não seria o "primus", ou melhor, o primo menos abastado da turma que sairia ileso. Pois, pois. O Banif, que comprou 51% do Banco Primus, não estaria muito satisfeito com o desempenho da operação. Quando chegaram ao Brasil, os portugueses tinham planos de atuar mais agressivamente como banco comercial, seu perfil no país de origem. Mas o tempo vai passando e, até agora, o forte do Banif Primus continua sendo a presença como adviser em privatizações e operações de underwriting. Além disso, o grupo português não teria engolido muito bem a performance no primeiro semestre do ano: um lucro líquido inferior a R$ 1 milhão, bem abaixo dos R$ 5,8 milhões verificados no mesmo período em 1999. Resultado: o Banif já estaria pensando em partir para a compra de um banco comercial. Uma das razões de tudo seguir praticamente como dantes no quartel do Primus seria, de certa forma, a permanência do ex-controlador, Gonçalo Meirelles, na instituição. Apesar de ficar com uma participação minoritária, que não passaria dos 40%, Meirelles manteve não apenas a presidência do banco como também poder de veto em algumas decisões estratégicas. Sua influência é ainda maior devido à ascendência sobre alguns diretores da instituição, como Hugo Barreto del Priore, Paulo Cezar Pinho e Antônio Carlos Ferreira Teixeira, todos também sócios e remanescentes da época pré-Banif. Hoje, Meirelles seria o maior defensor de que o banco não mude drasticamente o seu foco. No limite, os portugueses já teriam cogitado, inclusive, fazer uma oferta para comprar uma parte das ações pertencentes ao executivo. Por enquanto, porém, o mais provável mesmo é que o Banif gaste seus escudos em outra freguesia.


CAF e Renfe cruzam o Nordeste de metrô

Depois de avaliar e reavaliar as propostas de todos os candidatos à construção e operação do metrô de Salvador, o governo baiano já teria batido o martelo. O projeto deverá ficar a cargo do consórcio formado pelas espanholas CAF, Renfe e Dimetronics. A armada hispânica teria apresentado as melhores condições de preço e de capacidade de investimento. Uma vez confirmado o resultado, este seria o ponto de partida dos espanhóis no Nordeste, pelo menos da dobradinha CAF e Renfe. Ambas já se preparam para disputar a construção e a operação dos metrôs de Recife e de Fortaleza. A intenção é investir cerca de US$ 200 milhões na região. Diferente da Supervia, no Rio de Janeiro, na qual a CAF é minoritária e a Renfe é responsável apenas pela operação, os espanhóis não pretendem abrir o consórcio para a participação de bancos de investimento nacionais. O máximo que deverão fazer é trazer fundos de private equity estrangeiros para reforçar o caixa. A razão da medida é uma só: a dupla ibérica não quer dividir a cabine de comando da operação com mais ninguém.


Hay que privatizar,
pero sin perder el comando

Aviso aos candidatos à privatização da Companhia Paulista de Transmissão: o governo de São Paulo estaria reservando uma surpresa no modelo de venda de 51% da operadora, que deve ser anunciado até o fim de novembro. Mesmo se tornando minoritário, o estado planeja incluir no edital cláusulas que lhe garantiriam dividir a gestão com o sócio privado. Pelo projeto que está sendo elaborado pelo secretário paulista de energia, Mauro Arce, seria estipulado uma espécie de acordo de acionistas que asseguraria ao governo estadual poder de veto em algumas decisões estratégicas. Tudo indicava que o governo de São Paulo seguiria ipsis litteris o modelo de privatização da Eletronet. É verdade que a AES comprou 51% das ações da empresa, e o restante ficou com a Eletrobrás. Mas as semelhanças parariam por aí. Ao contrário da Eletrobrás, que pouco - ou nada - participa da gestão da Eletronet, o governo paulista, ao que tudo indica, não quer abrir mão do direito de também dar as cartas na companhia de transmissão do estado.

 

 

 

 

 

 

Revista Brasil Sempre

 

 

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1508 - 31/10/2000

Ducha fria
Foi em vão o alvoroço que tomou conta da diretoria da Chrysler após a notícia de que o presidente da empresa no Brasil, Dennis B. Kelly, deixará o cargo até o fim do ano.

A Daimler-Benz tratou de ceifar pela raiz qualquer sonho sucessório: já comunicou que a função será acumulada pelo presidente da Mercedes, Ben Van Sckaik.


O Chase prepara-se para fazer um providencial aporte de capital no site Cade?.


Tête-à-tête
David Pirret, presidente da Shell, negocia com Henri Philippe Reichstul a compra de uma participação em uma das refinarias da Petrobras no eixo Rio-São Paulo.


O BNDESPar pretende vender sua participação de 15% na Intelbrás.


Prova dos nove
A Saint-Gobain não se contentou em levar só cinco das nove lojas da Telhanorte, rede de material de construção. Comandante do grupo no país, Jean-Claude Breffort foi autorizado pela matriz a negociar a inclusão das outras quatro lojas na operação.


Presidente da Duke Energy no Brasil, Michael Dulaney está correndo atrás de sócios para a trading de energia da empresa.


Mudança de rota
A chegada da Enel virou mesmo de pernas para o ar os planos da Inepar. Além da venda das ações na Celpa e na Cemat, o grupo ficará de fora dos leilões de distribuição. A Enel só pretende gastar suas preciosas liras em geração e transmissão.

 

 

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