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Primus
fica pequeno
demais para os planos do Banif
O
inferno astral da banca portuguesa na Terra de Santa Cruz não poupou
quase ninguém. Se os infortúnios atingiram instituições do porte do
Espírito Santo ou da Caixa Geral de Depósitos, não seria o "primus",
ou melhor, o primo menos abastado da turma que sairia ileso. Pois, pois.
O Banif, que comprou 51% do Banco Primus, não estaria muito satisfeito
com o desempenho da operação. Quando chegaram ao Brasil, os portugueses
tinham planos de atuar mais agressivamente como banco comercial, seu
perfil no país de origem. Mas o tempo vai passando e, até agora, o forte
do Banif Primus continua sendo a presença como adviser em privatizações
e operações de underwriting. Além disso, o grupo português não
teria engolido muito bem a performance no primeiro semestre do ano:
um lucro líquido inferior a R$ 1 milhão, bem abaixo dos R$ 5,8 milhões
verificados no mesmo período em 1999. Resultado: o Banif já estaria
pensando em partir para a compra de um banco comercial. Uma das razões
de tudo seguir praticamente como dantes no quartel do Primus seria,
de certa forma, a permanência do ex-controlador, Gonçalo Meirelles,
na instituição. Apesar de ficar com uma participação minoritária, que
não passaria dos 40%, Meirelles manteve não apenas a presidência do
banco como também poder de veto em algumas decisões estratégicas. Sua
influência é ainda maior devido à ascendência sobre alguns diretores
da instituição, como Hugo Barreto del Priore, Paulo Cezar Pinho e Antônio
Carlos Ferreira Teixeira, todos também sócios e remanescentes da época
pré-Banif. Hoje, Meirelles seria o maior defensor de que o banco não
mude drasticamente o seu foco. No limite, os portugueses já teriam cogitado,
inclusive, fazer uma oferta para comprar uma parte das ações pertencentes
ao executivo. Por enquanto, porém, o mais provável mesmo é que o Banif
gaste seus escudos em outra freguesia.
CAF
e Renfe cruzam o Nordeste de metrô
Depois
de avaliar e reavaliar as propostas de todos os candidatos à construção
e operação do metrô de Salvador, o governo baiano já teria batido o
martelo. O projeto deverá ficar a cargo do consórcio formado pelas espanholas
CAF, Renfe e Dimetronics. A armada hispânica teria apresentado as melhores
condições de preço e de capacidade de investimento. Uma vez confirmado
o resultado, este seria o ponto de partida dos espanhóis no Nordeste,
pelo menos da dobradinha CAF e Renfe. Ambas já se preparam para disputar
a construção e a operação dos metrôs de Recife e de Fortaleza. A intenção
é investir cerca de US$ 200 milhões na região. Diferente da Supervia,
no Rio de Janeiro, na qual a CAF é minoritária e a Renfe é responsável
apenas pela operação, os espanhóis não pretendem abrir o consórcio para
a participação de bancos de investimento nacionais. O máximo que deverão
fazer é trazer fundos de private equity estrangeiros para reforçar
o caixa. A razão da medida é uma só: a dupla ibérica não quer dividir
a cabine de comando da operação com mais ninguém.
Hay
que privatizar,
pero sin perder el comando
Aviso
aos candidatos à privatização da Companhia Paulista de Transmissão:
o governo de São Paulo estaria reservando uma surpresa no modelo de
venda de 51% da operadora, que deve ser anunciado até o fim de novembro.
Mesmo se tornando minoritário, o estado planeja incluir no edital cláusulas
que lhe garantiriam dividir a gestão com o sócio privado. Pelo projeto
que está sendo elaborado pelo secretário paulista de energia, Mauro
Arce, seria estipulado uma espécie de acordo de acionistas que asseguraria
ao governo estadual poder de veto em algumas decisões estratégicas.
Tudo indicava que o governo de São Paulo seguiria ipsis litteris
o modelo de privatização da Eletronet. É verdade que a AES comprou 51%
das ações da empresa, e o restante ficou com a Eletrobrás. Mas as semelhanças
parariam por aí. Ao contrário da Eletrobrás, que pouco - ou nada - participa
da gestão da Eletronet, o governo paulista, ao que tudo indica, não
quer abrir mão do direito de também dar as cartas na companhia de transmissão
do estado.


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relatório
nº 1508 - 31/10/2000
Ducha
fria
Foi em vão
o alvoroço que tomou conta da diretoria da Chrysler após a notícia de
que o presidente da empresa no Brasil, Dennis B. Kelly, deixará o cargo
até o fim do ano.
A
Daimler-Benz tratou de ceifar pela raiz qualquer sonho sucessório: já
comunicou que a função será acumulada pelo presidente da Mercedes, Ben
Van Sckaik.
O Chase prepara-se para fazer um providencial aporte de capital no site
Cade?.
Tête-à-tête
David Pirret, presidente da Shell, negocia com Henri Philippe Reichstul
a compra de uma participação em uma das refinarias da Petrobras no eixo
Rio-São Paulo.
O BNDESPar pretende vender sua participação de 15% na Intelbrás.
Prova
dos nove
A Saint-Gobain
não se contentou em levar só cinco das nove lojas da Telhanorte, rede
de material de construção. Comandante do grupo no país, Jean-Claude
Breffort foi autorizado pela matriz a negociar a inclusão das outras
quatro lojas na operação.
Presidente da Duke Energy no Brasil, Michael Dulaney está correndo atrás
de sócios para a trading de energia da empresa.
Mudança de rota
A chegada da Enel virou mesmo de pernas para o ar os planos da Inepar.
Além da venda das ações na Celpa e na Cemat, o grupo ficará de fora
dos leilões de distribuição. A Enel só pretende gastar suas preciosas
liras em geração e transmissão.
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