CCE e Aiwa ensaiam fabricação de um "dois em um" societário

A antiga e notória resistência de Isaac Sverner, dono da CCE, à entrada de um forasteiro na empresa já não é mais a mesma. A companhia estaria, aos poucos, preparando o terreno para a divisão do seu controle. Para início de conversa, a CCE tem pronto um projeto de abertura do capital em Bolsa. Seria, na verdade, apenas um preparativo para uma operação bem maior: a chegada de um sócio estratégico. Candidatos? Já haveria entendimentos preliminares com a Aiwa. Neste caso, seria praticamente uma solução caseira. A CCE já mantém uma parceria operacional com os japoneses, sendo responsável pela montagem dos seus equipamentos no Brasil. Um dos maiores fabricantes mundiais de eletroeletrônicos e um dos líderes na venda de equipamentos de áudio no país, a Aiwa poderia ceder tecnologia para a CCE. Além disso, é claro, injetaria recursos na empresa. Não que as finanças da companhia estejam mal das pernas. Diante da entressafra que, nos últimos anos, vem afetando a indústria de eletroeletrônicos, a situação é alentadora: sua dívida é reduzida e há recursos disponíveis em caixa. Porém, no último ano, a CCE experimentou uma queda de 8% na receita e um prejuízo de US$ 21 milhões. O simples fato da CCE já admitir tanto abrir o capital em Bolsa como conversar com um pretendente já é, por si só, uma guinada e tanto. Isaac Sverner sempre fez questão de afirmar e reafirmar que a CCE é uma empresa familiar. Tradicionalmente, as questões estratégicas do negócio ficam restritas ao clã. Seus três filhos, por exemplo, não participam diretamente da diretoria, mas são habitualmente consultados sobre algumas decisões mais relevantes. Nos últimos anos, porém, Sverner vem dando sinais de que teria chegado a hora de profissionalizar a empresa. Inicialmente contratado para ser diretor-superintendente da CCE e cuidar da operação de materiais para escritório, o executivo Nélson Wortsman vem ganhando cada vez mais espaço e hoje já é uma espécie de braço-direito de Sverner. Sinal dos novos tempos.


Parker aterrissa de bico no Brasil

Não poderia ser mais acidentada a viagem da americana Parker Hannifin, fabricante de equipamentos para a indústria aeronáutica, ao Brasil. Desde que decidiu instalar uma fábrica no país, só pegou vento contrário pela frente. Primeiro, se deparou com a antipatia dos sócios franceses da Embraer - quase uma patrocinadora da sua vinda para o país - que preferiam um fabricante gaulês em seu lugar. Agora, acaba de enfrentar um novo revés. O BNDES deu um sonoro e convicto "não" ao seu pedido de financiamento para construir uma fábrica no Vale do Paraíba. A própria direção da Embraer teria tentado interceder a favor da Parker, mas não houve jeito. Com a negativa, os americanos, que esperavam contar com um caraminguá qualquer do BNDES, terão que mudar seus planos e custear a fábrica do próprio bolso. Vai doer um pouquinho, mas nada que abale suas estruturas financeiras. A Parker é um dos maiores fabricantes de equipamentos e peças de aviões dos Estados Unidos. E este é apenas um dos braços operacionais do grupo. A empresa fabrica ainda equipamentos de automação e hidráulicos. No ano passado, faturou mais de US$ 5 bilhões. A chegada ao país faz parte de uma estratégia de internacionalização. A Parker tem subsidiárias em países como Inglaterra, Alemanha, Espanha, França, Indonésia e Filipinas. Mas os dois motivos que fizeram seus olhos brilharem com relação ao Brasil foram o momento de euforia comercial da Embraer, sua parceira, e a perspectiva de beliscar alguns contratos de modernização da Força Aérea. A Parker não quer ficar de fora dessa pequena fartura de jeito nenhum. Nem que, para isto, precise bancar, sozinha, uma outra fábrica no país.

 

Revista Brasil Sempre

 

 

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1505 - 27/10/2000

Gente que faz I
O HSBC pode até negar, mas boa parte da diretoria do CCF no Brasil deve levar bilhete azul. A barca zarparia após a aposentadoria do ex-presidente do banco francês no país, Bernard Mencier.


Gente que faz II
O HSBC prepara o ingresso no Brasil da joint venture com a Merrill Lynch na área de Internet banking. A empresa administra US$ 1 bilhão em todo o mundo.


Operação-jabuti
O empresário Sérgio Andrade anda furioso com o BC. A razão é a morosidade com que o banco vem analisando os pedidos de concessão de CCRs feitos pela Andrade Gutierrez. No total, seriam mais de US$ 70 milhões em contratos de exportação.


• A compra de parte da Vigor foi só o desjejum. A New Zealand Dairy Board negocia a aquisição de um lote de pequenas produtoras de leite no interior paulista.


Imprimatur
O presidente da Transpetro, Mauro Campos, autorizou a renovação da Frota Nacional de Petroleiros (Fronape). O pacote de compras deve chegar a 20 navios.


Recordar é viver
Depois de longa trégua, o Credit Suisse voltou a fazer das suas com os papéis da Globo Cabo. Atuando como nunca na ponta de venda, teria sido o maior responsável pelas quedas dos últimos dias.


Mãos à obra
Controlador do portal Construbid, da área de construção civil, o empresário José Caetano Lacerda está negociando a venda de uma fatia da empresa para um fundo norte-americano.


• A alemã RWE definiu quem será o seu presidente no Brasil: Harald Bencker, nº 1 da Hochtief - sua subsidiária - no país.


•A americana Blackstone pretende fincar a bandeira da rede hoteleira Savoy em São Paulo e na Região Nordeste.


• Eduardo Rath Fingerl, ex-diretor de infra-estrutura do BNDES, está cotado para comandar a nova agência de transporte rodoviário.

 

 

 

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