Portugal Telecom e Telefónica reatam o seu idílio no Brasil

Quer dizer, então, que o assunto está encerrado? A Portugal Telecom deu adeus às chances de entrar na Global Telecom depois que a Telefónica comprou as participações da Motorola em telefonia em vários países. Certo? Quem apostou que sim não conhece um décimo do que vem pela frente. A Portugal Telecom está mais perto do que nunca da operadora da Banda B do Paraná e Santa Catarina. Os portugueses estão costurando um grande acordo com a Telefónica de España para investirem juntos em telefonia celular no Brasil. Pelo modelo discutido entre os dois grupos, seria formada uma holding, que teria o capital dividido fifty to fifty. Posteriormente, seriam colocadas debaixo desta nova empresa a Telesp Celular, controlada pelos portugueses, e a participação da Telefónica na Global Telecom, que, diga-se de passagem, está prestes a ser ampliada. Além dos 36% comprados à Motorola, o grupo espanhol estaria negociando a aquisição dos 47,8% hoje pertencentes à DDI. Ou seja: a nova holding ibérica controlaria a Telesp Celular e mais de 80% do capital total da Global Telecom, ou 72% das ações ordinárias. O mais curioso é que, recentemente, Portugal Telecom e Telefónica de España iniciaram um processo de descruzamento das suas participações em comum no Brasil. Agora, voltam a dar as mãos e reatam um velho romance. Esta nova companhia deverá abranger todos os futuros negócios em telefonia móvel dos dois grupos no país. Embaixo da empresa, já ficariam, por exemplo, as eventuais concessões das Bandas C, D e E arrematadas pela dupla. E mais: a holding englobaria ainda as licitações em 3G, que serão leiloadas posteriormente. Além dos notórios ganhos com a proximidade territorial entre a Telesp e a Global Telecom, a associação permitiria que Telefónica e Portugal montassem uma plataforma de telefonia sem fio nas regiões Sudeste e Sul, derivando para serviços de Internet.


EDP sucumbe ao jogo duro da VBC

Por falta de insistência é que não foi. Mas o descompasso entre o preço exigido pela CPFL - leia-se VBC - e o proposto pela EDP virou um abismo intransponível nas negociações para que a companhia portuguesa assumisse o controle total da Bandeirante. Na última semana, a EDP jogou a toalha, desistiu de comprar a parte da VBC e decidiu: vai mesmo partir para a divisão da distribuidora paulista em duas, proposta que já chegou a ser discutida - e quase foi colocada em prática em outros tempos. Os portugueses ficarão com o Vale do Paraíba, Alto do Tietê e Baixada Santista. Já a CPFL controlará a região oeste, a mais próxima de sua área de distribuição. Isso não quer dizer, no entanto, que a situação está completamente resolvida. Algumas etapas terão que ser cumpridas. A cisão ainda precisará ser aprovada pela Aneel. Além disso, o Cade também terá que dar o seu veredicto, uma vez que a operação poderá configurar concentração econômica. A CPFL controla uma área extensa do estado de São Paulo e, com o pedaço que absorverá da Bandeirante, passará a atender cerca de três milhões de consumidores, aproximadamente o dobro da concorrente Elektro.


Turbinas religadas na privatização da Infraero

A privatização da Infraero, que andava em banho-maria, voltou a ser discutida com ênfase, nos últimos dias, por vários integrantes da equipe econômica. A disposição do governo é retomar o processo no início de 2001, tão logo a Agência Nacional da Aviação Civil entre em operação. Dentre os vários modelos analisados, um em especial vem ganhando força ultimamente. Em vez de leiloar separadamente cada uma das concessões, o governo formaria blocos, que agrupariam um número determinado de aeroportos. A idéia, com essa fórmula, é juntar em um mesmo pacote terminais altamente rentáveis com outros que, licitados separadamente, dificilmente atrairiam candidatos. Ou seja: quem quisesse ficar com o aeroporto internacional do Rio ou de Guarulhos teria que levar junto, de contrapeso, um aeroporto de menor porte. Hoje, esta proposta pode ser considerada favorita por um detalhe: é a única que tem o apoio do Ministério da Fazenda.

 

Revista Brasil Sempre

 

 

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1504 - 26/10/2000

Inventário
O controlador da seguradora Minas Brasil, Marcos Araújo, teria uma solução no bolso do colete para os desentendimentos com outro ramo da família, responsável pelo Banco Mercantil do Brasil: uma oferta pelo banco, que seria posteriormente revendido.


• Depois da bonança, vem a tempestade. Os ITRs das centrais petroquímicas vão refletir o estrago que o preço da nafta fez no resultado operacional das empresas.


Pré-datado
O BNDES vai, enfim, concluir o processo de venda da Embasa. Os candidatos, porém, terão que esperar até 2001. Antes, nenhuma chance.


Imunidade vitalícia
Um ex-deputado da Região Centro-Oeste, cassado há cerca de dois anos, está dando uma canseira na presidenta do Banco da Amazônia, Flora Valladares. Ele deve mais de R$ 15 milhões ao Basa. Ensaboado, tem escapulido de todas as tentativas da executiva de renegociar os créditos.


• Quem quiser um parceiro para fabricar telefones celulares no Brasil pode dar uma ligada para a Hyundai. Os coreanos estariam correndo atrás de um sócio.


Maratona
Guillermo Rocha, chairman da Howard Johnson Latin America, não tem feito outra coisa na vida, senão fechar parcerias para a construção de hotéis em São Paulo, Rio Grande do Sul e Bahia.


Olho nas pesetas
Se o acordo que negocia com um grupo espanhol vingar, a americana Naco vai construir uma fábrica de equipamentos ferroviários no país.

 

 

 

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