Setúbal enxerga o "Itausul" muito além do BanespaSetúbal enxerga o "Itausul" muito além do Banespa

Dizer se o Itaú vai ou não entrar com todo gás na privatização do Banespa é uma missão exclusiva para pitonisas. Afinal, qualquer leilão é sempre um envelope de surpresas. Contudo, é possível afirmar que, neste momento, a estratégia de crescimento do banco dos Setúbal não passa obrigatoriamente pela aquisição da instituição paulista. O foco é mais embaixo, precisamente a Região Sul do país. A intenção é se tornar o maior banco do cone sul da América, uma espécie de "Itausul", em uma operação que englobaria Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e ainda o mercado argentino. Entende-se, portanto, o que motivou o banco a pagar um preço e um ágio tão elevados - R$ 1,625 bilhão (303%) - pelo Banestado. Ressalte-se que a disposição era chegar a um lance de até R$ 2 bilhões. A determinação, agora, é entrar com o mesmo élan no leilão do Besc. O banco catarinense já foi federalizado e a previsão é de que o edital possa sair dois meses após as eleições. Para completar a trilogia bancária no Sul, ficaria faltando apenas o Banrisul. É bem verdade que a instituição gaúcha não está à venda e nem se cogita a sua privatização. Mas os Setúbal acreditam que a operação seria apenas uma questão de tempo. O altíssimo ágio pago pelo Banestado e a perspectiva de uma ferrenha disputa pelo Besc praticamente forçariam o governador Olívio Dutra a seguir o mesmo caminho. Até a aquisição do Banestado, o Itaú tinha uma discreta operação na Região Sul, com pouco mais de 130 agências. A compra do banco paranaense mais do que triplicou essa presença. No caso específico do Paraná, o Itaú multiplicou por dez o número de agências: eram apenas 47, agora são aproximadamente 490. Com a aquisição do Besc e do Banrisul, o total de postos de atendimento nos três estados do Sul atingiria 1,1 mil, a maior rede de um banco privado na região. O Itaú chegaria ainda a R$ 70 bilhões em ativos. Permaneceria, é verdade, atrás do Bradesco, entretanto abriria ainda mais vantagem para o Unibanco. Só seria ultrapassado no caso do banco dos Moreira Salles comprar o Banespa. A operação na Argentina terá um papel de destaque na intenção do Itaú de engordar sua atuação no cone sul. Afinal, a idéia é formar um grande corredor bancário que se estenderia pelos três estados da região até a Argentina. Para isto, pesa o bom desempenho do Banco Itaú Buen Ayre. A instituição fechou o primeiro semestre com US$ 820 milhões em ativos, um crescimento de 13% em relação ao fim de 1999. De quebra, esta forte atuação no Mercosul poderia favorecer ainda a ampliação da presença no Uruguai, onde o grupo controla o IFE-Bemge, uma modesta instituição com US$ 43,5 milhões em ativos e patrimônio líquido de US$ 30 milhões. Diante de tanta empolgação com os ventos do Sul, quer dizer que os Setúbal sopraram o Banespa para bem longe? Calma, lá! Antes de 20 de novembro, até que se prove o contrário a data de privatização do banco paulista, dificilmente o Itaú vai admitir esta hipótese. Blefar faz parte do jogo e tudo é possível: até que o Dr. Olavo esteja realmente falando a verdade quando diz que talvez o Banespa não seja um bom negócio para o seu banco. Por outro lado, não se pode negar que ocupar a liderança do ranking do setor não faz mal a ninguém. A principal vantagem do "Itausul", porém, é a tranquilidade da existência de um anabolizante bancário alternativo. É possível sim crescer em outras plagas além do Banespa.

 

 

Revista Brasil Sempre

 

 

 

Revista Insight Inteligência

relatório nº 1503 - 24/10/2000

Vôo solo
Barry Adams não conseguiu mesmo engolir o fato de não ter sido escolhido presidente da Comgás ou da British Gas no país. Tem repetido a interlocutores mais próximos que pretende pegar o boné e seguir outros rumos.


•Parece que vai sobrar para todo mundo: o diretor financeiro do BB, Vicente Diniz, também estaria na corda bamba.


Fio da navalha
O presidente da ADM no Brasil, Matthew Jansen, já anda preocupado. Até agora, não teria atingido os lucros projetados pela empresa para o Brasil. E, é sempre bom lembrar: nos últimos anos, a ADM vem mantendo um rotineiro hábito de guilhotinar seus executivos no país.


Caixa-forte
A família internética está prestes a ganhar mais um integrante. João Alves de Queiroz Filho, o Júnior, ex-Arisco, estaria envolvido na criação de um portal B2B. Dinheiro para a cibernética investida não falta. Júnior deixou a Arisco com mais de US$ 400 milhões no bolso.


•O Grupo Rede vem tentando convencer a americana CSW a dividir a conta e comprar a parte da Inepar na Celpa.


Jules et Jim
Não há crises de ciúmes, aliás muito pelo contrário, no casamento entre a Vivendi e a Andrade Gutierrez. Agora mesmo, está entrando mais um parceiro no matrimônio: a ABB. Mas só em tratamentos de resíduos industriais no Sul do país.


Queda-de-braço
Mário Covas comprou uma briga encarniçada com ACM: vem tentando, junto ao Planalto, emplacar o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, no lugar de Rodolpho Tourinho.


Spy vs. Spy
O vôo 906 da American Airlines partiu de São Paulo, às 22h30min da última sexta-feira, com destino a Miami, transportando histórias, no mínimo, estranhas sobre a venda da participação da Previ na RGE.


•Presidente da ADTranz no país, o suíço Albert Blum, está por um fio. O dead line é o "sim" da Comunidade Européia à compra da empresa pela Bombardier.


Numerologia
Não será nada fácil para o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, taxar a tarifa de energia de Angra II em R$ 46 o MW/h. A Eletronuclear quer saber de onde ele tirou esse valor, se o custo de produção no mercado internacional é de US$ 40 o MW/h.


• A Korean Mobile, que chegou a ter uma participação minoritária da ATL, está de volta ao Brasil: deve participar dos leilões da Banda C.


Osso duro
O empresário Augusto Tramujas Samways é duro na queda. Ele vem resistindo à idéia de vender a Fox - uma das maiores distribuidoras de combustíveis do Sul. Recentemente, foi procurado por um grupo internacional, mas só admitiu falar sobre parcerias.

 

 

 

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